sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje acordei meio Nelson Rodrigues

Não sei você, mas eu tenho verdadeira adoração por Nelson Rodrigues. Aquele sarcasmo com humor inteligente. Aquela maneira de escrever a vida exatamente do jeito que ela é, recheada de verdades que chocam muitas vezes.

Sinto que tem um pouco dele dentro de mim. Sim, eu admito. Quando leio suas frases do tipo:
“Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém” ou então “Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas”, fico pensando que existe uma genialidade nessa forma de escrita.

Escrever o que realmente é. A verdade jogada na cara das pessoas que mesmo não concordando com isso, acabam refletindo no silêncio do seu raciocínio que aquilo tem lógica. Como se dissesse o óbvio, mas que para muita gente não pode ser dito. As pessoas beijam, fazem amor, sentem tesão, masturbam-se e sentem milhares de coisas que todos nós sentimos. Mas ao falar de qualquer dessas questões o mundo acaba. As pessoas gelam, envergonham-se. Não, nada disso pode ser dito. Não podemos tocar em assuntos do gênero, pois isso não condiz com o que seria apropriado e correto dentro dos padrões da moral e dos bons costumes. Mas todo mundo faz.

Quando o autor faz referência a uma adúltera por exemplo, dizendo que ela é a mulher mais pura porque está livre do desejo que apodrecia nela, ele consegue não só causar indignação como uma reflexão por parte das mulheres que um dia sonham em buscar outras alternativas, não como adúlteras, mas como mulheres livres. Ele traz reflexão em meio ao que seria uma agressão para quem lê. Ele choca, gera polêmica. Mas ele diz verdades. E por serem verdades, podem irritar muita gente.

Hoje é meu lado Nelson Rodrigues que escreve. Vocês repararam como nosso foco muda completamente conforme nossa vida vai passando? Quando estamos fazendo vestibular, tudo que falar em resumo das matérias para as provas parece ter um neon vermelho nos chamando. Como se o mundo todo estivesse fazendo vestibular.

Depois dependendo do curso que escolhemos, achamos que todos deveriam fazer nosso curso, pois é incrível como ele se aplica em diversas situações e é de fundamental importância na vida das pessoas.

Então resolvemos casar. Perceberam que revistas de noivas parecem brotar nas bancas, na fila do supermercado, na internet? Uma simples passeada no shopping faz você enlouquecer quando percebe que o universo está conspirando a teu favor colocando aos teus pés uma feirinha de noivas.

O tempo passa mais um pouco e você engravida. Pronto! Mas como é que nunca reparamos antes que existiam bebês por todos os lados? Verdadeiros gremlins que se multiplicam sem controle algum e a sensação que se tem é que tudo que você enxerga são artigos de bebê.

Então por acaso do destino você se separa, e começa a perceber que metade da população também se separou e faz tempo. Começa a gostar de conversar com pessoas que tiveram a mesma experiência. Simpatiza mais com aquela pessoa que tem uma história parecida com a tua. Nota que até a propaganda da margarina mudou de família feliz com um casal de filhos para o menininho comendo pão com margarina e perguntando para o namorado da mãe quais as intenções dele.

Mas e o lado Nelson Rodrigues onde está? Está em dizer que quando não estamos passando por determinadas coisas que não coincidem com nosso momento de vida, não nos importamos com o que está fora do foco. Não percebo os bebês na rua quando estou focada no trabalho. Talvez uma bela pasta de couro me chame mais atenção do que um bebê lindo de olhos azuis passando do outro lado da rua. Sarcástico dizer isso? Não, verdadeiro.

Na real cada um se preocupa com o próprio umbigo e quando algo não está dentro do seu foco e da sua forma de ver a vida, então é imediatamente ignorado e muitas vezes criticado. Viramos seres compreensivos quando vivemos na pele determinadas situações em comum com a situação compreendida.

O que é correto para você? Qual seu ideal de vida? O que realmente vale a pena para chegar na morte com a sensação de dever cumprido? Não sei, mas o que você pensa pode ser totalmente errado e sem graça para mim e vice-versa. E daí? Que se dane! Quer saber, a verdade nua e crua é que todo mundo faz cocô e aniversário igual a todo mundo e ninguém é mais ou menos que ninguém porque teve determinados focos diferentes durante a vida.

Viva, simplesmente viva da maneira que lhe convém, com os teus conceitos de felicidade e livre-se da camada asfixiante e podre da opinião alheia. Afinal, todos nós vamos morrer, isso é fato. Mas o que importa é se ao morrermos conseguimos ter a vida preenchida com nossos atos voltados para o nosso foco e não para o foco de outras pessoas que nos utilizaram como fantoches humanos para satisfazer seus ideais de vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

GAROTA TPM

Uma mulher-bomba. Pavio curto. Explosiva. Podendo causar explosões terríveis e devastadoras. Nitroglicerina pura. Detonando tudo que está em frente no mínimo há 2.000 metros por segundo. Uma reação química onde o amor é o elemento que impulsiona e a vontade de ser feliz é o combustível. Em outras horas o ódio é o elemento que substitui o amor e o combustível é formado pela intolerância.

Explosivos podem ser usados para desmontar, escavar e mover rochas na mineração. Mas uma mulher na TPM é capaz de muito mais do que isso. É capaz de bombardear com um simples olhar, destruir com um simples gesto hostil ou desmoronar um coração com um ato de sensibilidade extrema.

A mais primitiva técnica de desmonte de rocha consistia, além da quebra com instrumentos como martelos e marretas, no aquecimento por fogueira e resfriamento rápido da rocha com água fria, causando pequenas rachaduras. Mas uma mulher pode desmontar um homem com um simples “não”.

Nitroglicerina com diatomito = Dinamite = Mulher na TPM. Mulher espoleta, sempre deixando um rastro de pólvora por onde quer que passe.

Eu posso me considerar uma Garota TPM. Uma faísca altamente inflamável. Pelo menos não sou ANFO que não possui resistência ao ataque da água, de modo que quando em contato com esta, não detona. Eu detono aonde quer que esteja. Vamos combinar!

Nobel deve estar se revirando no túmulo quando em espírito estava ao meu lado lendo essa "coisa" que acabo de escrever.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A nossa velha infância

Amigos de infância. É estranho. É como se eles ainda existissem lá, no nosso passado, do mesmo tamanho, com as mesmas roupas, com os mesmos brinquedos e só nós que acabamos crescendo. Parece que ao lembrá-los me transporto para um lugar gostoso onde adorava ficar. Era tão bom. Tinha tantas coisas agradáveis para fazer.

Nossos amigos crescem, seguem caminhos diferentes e muitas vezes nunca mais avistamos até mesmo aqueles mais queridos que sentimos um carinho profundo. Pode ser que estejam casados, com filhos. Ah! Não, não consigo imaginar a Deysi Cioccary mãe. Ela é muito maluca. Uma maluca adorável, mas totalmente maluca. É capaz de colocar o filho no microondas e nanar a mamadeira. Pelo menos era há dezesseis anos atrás. Se bem que ela deve pensar a mesma coisa a meu respeito. Aliás, as minhas melhores gargalhadas dei com ela em nossos quartos.

A Mel nem sei por onde anda. Sinto uma saudade muito apertada do tempo que saíamos juntas. A Carine que era a rainha do miojo com maionese às três horas da tarde, hoje mora na Europa bem feliz com seu Matheus e o filhote Luca que é uma coisa de lindo. Lembro que o Matheus era um gurizinho que só sabia jogar bola ao lado da casa dele e não cumprimentava a gente quando tinha uns sete anos. Bem, pelo menos hoje ele cumprimenta e é bem querido. Guardo o sorriso de aparelho da Carô na memória e lembro que ela "voava" de carro conosco quando tínhamos uns quatorze anos. O nosso anjo da guarda teve trabalho.

O Marcelo Barcellos tentou me beijar a força quando tínhamos uns cinco anos e hoje ele nem lembra disso.Pior é o Adriano Medeiros que era pai das minhas bonecas e nem sonha que isso um dia aconteceu.

Lembro do galho de mamona que eu e meus primos atiramos no carro do pai da Jô e no outro dia ela me massacrou no colégio. Ela era filha única cujo pai ensinou a dirigir com nove anos e a gente achava o máximo passear com ela. Não acreditei quando ela me levou em casa de carro na saída da escola. Ela mal alcançava os pedais. Cheguei em casa pedindo para o meu pai me ensinar a dirigir e ele achou que eu estava louca.

A Clarissa odiava o uniforme do colégio na terceira série. Era a única que não usava. E boa parte da galera resolveu colocar um botão colorido no uniforme para diferenciar a turma. Era botão rosa choque, outro verde-limão e assim estava formado a rebeldia contra o uniforme azul marinho horrível do Januária Leal.

A Fernanda Mayora tinha a “casa de vó” mais divertida, pois além daquele porão bem mais legal que o da minha vó, o tio dela tinha um supermercado ao lado que tornava tudo muito mais legal.

A Raquel Monks me apresentou pipoca com fondor e desde então nunca mais comi pipoca com sal. A Gabi, que morava ao lado da casa da minha mãe, era a guria mais linda que conheci. Lembro que queria ser a Gabi quando fosse maior. Reencontrei ela no Orkut e ela continua linda. E eu cresci e não consegui ser a Gabi. Droga! Ela tinha dois irmãos e eles tinham um autorama gigante na garagem que era o acontecimento da rua.

A Cláudia Torres jogava sapata comigo depois da escola. A mãe dela ia buscá-la na minha casa e a gente sempre negociava uma prorrogação. Sem-pre. A Dani Amado era minha companheira de Garelli, a gente passeava por toda cidade e nossos cabelos fediam a gasolina. Aliás, do meu tempo de Garelli, muitas histórias para contar, mas a melhor delas ainda foi com a Carol Abascal, a Vania Cavalheiro e a Roberta Casanova quando andamos no camburão da polícia de carona, já que eles pegaram nossas motos. Na hora de chamar nossos pais, mentimos que éramos órfãs. Não colou. As motos ficaram presas e nós com um problemão na mão. Naquele dia todos os pais estavam fora da cidade por coincidência do destino e foi brabo quando eles chegaram em casa.

O bolo de banana na casa da Renata Severo. Hummmmmmmm. Assistindo Super Xuxa contra o Baixo Astral. A primeira vez que vi um vídeo-cassete na minha frente. Sério! A festa-surpresa que fizemos para a Biscoito e usei toda a tinta da impressora da minha mãe com cartazes para a festa. Nos juntamos e torramos a mesada porque resolvemos dar um som pra ela de presente.

As festinhas à meia-luz e música lenta, aquele monte de adolescentes com um narigão horrível e um pé do tamanho de uma lancha. As “funções” da tarde quando tínhamos tempo livre, todo mundo se juntava numa casa para ver filme e comer sem parar o que tivesse na despensa. Tudo era um evento. Tardes na casa da Melissa, tardes na casa da Carine, tardes na casa do Max. Tudo tinha um motivo para virar acontecimento.

Quando começamos a sair à noite, éramos conhecidas nas boates, se é que hoje chamam de boates, ai... Tô ficando velha. Hoje é balada Renata! Saíamos quando o DJ anunciava a última música e bebíamos até cair. Um fiasco! Era fiasquento, mas era tão bom! Aliás, meu primeiro porre foi na casa da Mel e eu vomitei todo o carpete do corredor e do quarto do irmão dela. A irmã mais nova dela me olhava e vomitava também. A casa virou uma "coisa". Obviamente que os pais dela não estavam em casa. Tinha um porta-retrato com uma mãozinha pra cima que não parava de girar e me abanar. Porre de vinho tinto.

Depois, cada uma de nós começou a namorar e aí foi o ponto X da questão. Ou seria o ponto G da questão? Se é que vocês me entendem... Aliás, parecia um rodízio de irmãos de amigas, eu namorei o irmão da Mel e da Renata. Depois todas as minhas amigas namoraram o irmão da Mel enquanto eu namorava o irmão da Renata. Um horror! Até que um dia a gente foi morar em outra cidade e descobrimos que existia outros homens que não eram os irmãos de nossas amigas. Cada um foi para um lado diferente e depois do vestibular então, piorou. Separou pra sempre “até agora” entenderam? Nada que o Orkut não resolva.

Mas a saudade ficou. As lembranças ficaram e quando relembro, dou um sorriso de canto de boca e posso dizer para o meu filho que aproveite bem os amigos de infância dele, pois eles irão acompanhá-lo para onde quer que vá no futuro, dentro de sua memória e do seu coração.

domingo, 15 de agosto de 2010

Eu, o vinho e o limão




"Mi Buenos Aires querido, cuando yo te vuelva a ver, no habra más penas ni olvido"

sábado, 17 de julho de 2010

Trem da vida

Antes de embarcar vamos falar de sentimento, que vem do verbo sentir, perceber por meio de qualquer um dos sentidos, experimentar uma sensação física, perceber algo que se passa em seu próprio corpo, ser sensível, em outras palavras seguir o coração, eliminar a sensação de agonia que invade o peito e toma conta da alma. Quando sofremos, podemos escolher onde estará o ponto de quebra desse sentimento ruim. Até onde eu deixo ir uma determinada situação que não está sendo boa para mim.

Vamos falar de julgamento, decidir, fulminar por palpites, apreciar, avaliar, formar juízo a respeito de algo ou de alguém, formar juízo crítico, formar conceito sobre alguém ou alguma coisa, imaginar, supor. Como é fácil apontar o dedo para frente e esquecer que três estão apontados para si próprio. Como é fácil chegar num determinado lugar e elaborar um relatório geral do ambiente e no entanto como é difícil chegar em casa no silêncio do quarto e se autoanalisar.

Vamos falar do tempo, esse carrasco que pode terminar com nossa vida em segundos. Einstein já dizia através da Teoria da Relatividade que o tempo é relativo, experimente colocar o dedo no fogo e verás que um minuto é uma eternidade e ao falar com seu amor no telefone esse mesmo minuto passa voando. O tempo que passa independente de nossa vontade. O tempo que cura e que pode arrancar pessoas de nós. Ele passa, não adianta. Passa e muito rápido. Será que vale a pena desperdicá-lo? Será que ao fazer isso não estamos desperdiçando vida? Gastando inutilmente o nosso tempo com algo que não tem valor algum?

Quando menos esperamos o tempo acaba. É hora de partir. Podemos aproveitar cada minuto, descobrindo novos caminhos, buscando equilíbrio dos sentimentos e aproveitar esse tempo de modo que a vida seja preenchida com vida. Todos temos passado e todos vivemos o presente. Porém nem todos terão futuro. E isso deve sim ser levado em consideração. Posso morrer nesse instante ao terminar de postar esse texto. Não sei quanto tenho de tempo.

Vamos falar de amor. Como é bom sentir o amor transbordando pelos poros e poder viver isso sem a preocupação do julgamento alheio, mas observando o sentimento de felicidade que toma conta de todas as nossas células e move a vida para frente. Com paisagens coloridas, com risadas, sem feridas, mas sentindo paixão pela vida.

Vamos falar de vida. Essa maravilhosa e complexa viagem, onde embarcamos em meio a alegrias e tristezas e aos poucos vamos descobrindo maneiras de aproveitar melhor o percurso. Se estivéssemos num trem, poderíamos fazer uma analogia com o comportamento humano, onde algumas pessoas aproveitam cada minuto, observando a paisagem e experimentando novas sensações no decorrer da viagem. Se uma poltrona não está boa, experimenta-se outra, se estivermos na área de fumantes, levantamos simplesmente e trocamos de cabine, se sobrou uma vaga na janela bem na hora da paisagem mais bela, corremos para conseguir o melhor lugar e por ali sentar.

Algumas pessoas não conseguem fazer isso, pois ficam paralisadas no meio onde estão inseridas mesmo sem gostar. Elas não quebram paradigmas, elas não buscam sentimentos de alegria, de felicidade, de paz. Elas vivem presas na mesma cabine de sempre, numa ala de fumantes mesmo detestando o cheiro de cigarro, se contentam com a pior poltrona do trem por medo de mudar de lugar. Afinal, o que os outros vão pensar?

E assim chegam ao final do percurso e ao olhar para trás e ver que a vida passou e que a viagem foi uma verdadeira mesmice o tempo todo, mal conseguem perceber a alegria de alguns que adoraram tudo que viram, tudo que presenciaram, tudo que experimentaram durante a viagem. O percurso e o tempo pode ser o mesmo para todos nós, o que muda é o sentimento, o julgamento, o amor e como escolhemos viver a nossa vida no decorrer da viagem. É poder chegar ao fim da linha satisfeito pela vida bem vivida e poder sorrir sabendo que tudo valeu a pena.
Cafonérrimo esse texto, mas verdadeiro. Garçom, aumenta o som do Reginaldo Rossi por favor?!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Síndrome de Peter Pan

Pessoas bobas como eu não poderiam ter filhos. Pode ser perigoso para a educação da criança. Além de insuportável para quem convive diariamente com isso. Tenho pena dos meus colegas de trabalho e da minha família. Vou explicar por que: Eu tenho síndrome de Peter Pan. Eu não quero crescer. Prefiro ficar no meio de um monte de crianças do que num lugar conversando com adultos sobre a crise na bolsa de valores e as flutuações do dólar.

Tem dias que eu olho para o lado e fico procurando um adulto para me salvar. Então em alguns segundos cai a ficha e percebo que a adulta sou eu e tenho que demonstrar coragem diante do meu filho. Mas confesso, que adoraria sair gritando e pedindo socorro para minha mãe quando ele se arrebenta e vem com um corte sangrando para o meu lado.

Quando vejo um grupinho de crianças sinto como se um imã me puxasse ao encontro delas, gosto de entrevistá-las enquanto bolamos esculturas excêntricas de massinha de modelar e adoro as respostas.Quando chego à escola do meu filho adoro me sentir um pote de milho na volta das galinhas, que no caso são pintinhos. Adoro aquele monte de crianças na minha volta querendo beijar a mãe do Gui. Se estou dirigindo e vejo uma criança olhando pelo vidro traseiro no carro da frente não resisto, começo a abanar, sorrir e se ela for legal brincamos de fazer caretas durante o trajeto.

O problema é que com isso a minha bobice é alimentada com doses diárias de bobagens. Percebi quando ofereci um chimarrão para meus colegas de sala (até parece que estou num presídio, mas daí seria cela, deixa pra lá) e complementei a frase dizendo:
- Quem quer um chimarrão põe o dedo aqui, senão vai fechar o abacaxi!

Putz! É de doer, eu sei. Mas quando vi já tinha feito. “Bobo é tu cara de tatu” é direto. “Chouriço pra comer na hora do serviço” também, mas só quando quero me livrar da pergunta “Mãe, o que é isso?” e eu não sei a resposta. O “enganei o bobo na casca do ovo” eu ainda não usei, mas é só uma questão de tempo.

E quando dirijo numa estrada extremamente movimentada com meu filho dentro do carro sendo a adulta e responsável que não sou, não preciso dizer que quando chego ao destino meus músculos estão tão tensos que para quem olha imagina logo de cara que estou imitando um pingüim caminhando.

É diferente ser responsável por outras pessoas. É diferente assumir riscos e ter que monitorar cada segundo de uma ultrapassagem para que ninguém que amamos corra riscos por nossa culpa. É diferente ter que assumir um papel onde tudo fica nas nossas costas e qualquer deslize pode ser fatal.

Não importa a idade que temos, há sempre um momento em que sentimos vontade de chamar um adulto para que nos diga o que fazer ou nos mostre como agir, como se assumíssemos a total falta de maturidade em enfrentar algo que nos meta medo e que no fundo sabemos que temos que enfrentar sem que ninguém perceba nosso pânico.

Tudo começa lá, na adolescência quando estamos ensaiando para entrar na vida adulta e conquistamos a tão sonhada chave de casa, depois do carro e depois do apartamento em outra cidade quando decidimos estudar longe. Começamos a pisar em terreno desconhecido brincando de ser adulto sem ser e quando menos percebemos os adultos que estão assumindo o posto de adultos são ninguém menos que nós mesmos. Isso assusta.

Lá pelas tantas, gostamos de saber que as pessoas confiam em nossa aparente maturidade e que conduzimos as coisas com perfeição. Tudo acaba bem por que fazemos com que elas acabem bem. Acabamos sentindo um alívio por termos vencido o medo. No fundo, bem no fundinho, esse misto de prazer e insegurança nos transporta para um lugar estranho onde só nós sabemos que nossas certezas não são assim tão sólidas como nossos filhos acham que são e que não somos tão incapazes como achávamos que seríamos.

Mas vamos parar por aqui, porque acho que não quero que meu filho saiba que morro de medo de ser adulta às vezes e quase sempre preciso de um adulto por perto para me salvar das enrascadas. Coisa de adulta criança, sabe como é. Coisa de quem sofre de Síndrome de Peter Pan definitivamente.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Momento Amy Wynehouse

Renata, Boa Tarde! Ai vai uma idéia para um assunto no mínimo curioso chamado "Fã" afinal você também já possui os seus... Até porque me enquadro assim, sou sua assídua leitora, não perco nenhuma de suas postagens... Divirto-me horrores lendo tudo que escreve. Então... fala ai pra gente! Bjs
Roberta Almeida



Oi Roberta, sabe que eu adoro esse teu nome? É o nome da minha irmã e convivo até hoje com pessoas que insistem em me chamar assim. Eu até atendo por Roberta de tão acostumada que estou. Acho que é a maldição de todas as irmãs Roberta e Renata que conheço na vida. Ainda bem que não é Pafúncia o nome da minha mana. Obrigada pela dica de texto. Isso é sempre recebido com muito carinho por mim.

Falar de fã? Hummmm... Me vem a cabeça pessoas que admiram algo em alguém e isso pode ser expressado em diferentes níveis. Existe aquele fã discreto que admira a distância e acompanha todos os passos do objeto da sua admiração. Existe também os fãs que se vestem como o seu “ídolo” e procuram fazer as mesmas coisas que ele faz. Tem os fãs psicopatas do estilo do “bem certinho da cabeça” que matou John Lenon. Os fãs que choram, se escabelam e tem verdadeiros orgasmos múltiplos ao tocar na mão do ídolo. Tem aquele fã simpático que faz uma carinha de feliz quando te enxerga e vem correndo em tua direção com um sorrisão no rosto te abraçar e expressar o quanto te admira. Tem aquele que pede para tirar foto e depois coloca no orkut bem orgulhoso.

Seja qual for o tipo de fanatismo, o que importa é saber receber esse carinho das pessoas sem esquecer que ser objeto de admiração significa também ser alvo de observação e portanto devemos prestar atenção em nossos atos. Vocês já viram que sempre tem um paparazzi para fotografar aquela atriz famosérrima bem na hora que ela saiu horrenda na rua para comprar um absorvente na esquina?

E a famosa Amy Winehouse que quanto mais apronta mais fãs consegue? Ela não está nem aí pra nada e se você digitar o nome dela no google vai se deliciar com cenas toscas da cara da vivente. Mas ela é admirada independente disso pelo vozeirão que tem e tal.

Acho que deve haver um equilíbrio entre fãs e ídolos. Nenhuma das partes pode pirar o cabeção. Ambos devem saber que todos são seres humanos que fazem cocô e aniversário. Não há nada de sobrenatural em ninguém. É claro que o grau de loucura do fanatismo tem muito a ver com a dificuldade de encostar no ídolo. Quanto mais difícil for, maior é o escândalo na hora orgásmica da aparição. Acho que se o George Clooney aparecer na minha frente eu tenho um piripaque, começo a chorar, gritar, me escabelar e implorar que ele case comigo hoje. Tá bem vai, confesso que prefiro o Enrique. Mas se ver por exemplo o Alcy Cheuiche que é um escritor Caçapavano que sou fã e vejo toda hora não sinto a menor vontade de fazer isso. Nem dou bola quando o vejo comprando pão na mesma padaria que eu. Eu hein?

Não sei não, só sei que eu sou muuuuuuiiito fã de todos vocês que se escondem aqui comigo e por mais que vocês aprontem como a Amy eu vou amar vocês igual. Finalizo com um exemplo do que pode acontecer com os fãs que arranjamos por aí. Abaixo uma foto de uma festa a fantasia onde acompanhei os alunos da universidade em que trabalho num congresso no Rio de Janeiro. O tempo passou e uma das alunas me mostrou o orkut do vivente com uma foto minha com uma frase escrota na legenda.

É... Pois é...

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Eu tenho medo da bruxa do 71

Sim, ela existe. Tem cara de bruxa, jeito de bruxa e mau-humor de bruxa. Ela é vampira. Ela suga a energia de todos a sua volta e contamina o ambiente. Ela te olha com cara de nojo e tem cara de quem não suporta ver o próprio reflexo no espelho, aliás, com razão.

Ela manipula quem ama e isola do resto da população com medo que alguém consiga estragar seu campo de manipulação. Ela é negativa. Ela é cinza, sem cor, sem entusiasmo, sem amor no coração. Ela pensa que tem amor pelas pessoas, mas ela não tem amor nem por si mesma.

Ela pensa que alguém se importa com o que ela pensa, quando na verdade todos se apavoram com seu pessimismo e amargura. Como boa vampira que é, ela repele as pessoas com energia boa porque não suporta ver os outros brilharem.

Tudo é feio, tudo é pequeno, tudo é infinitamente hostil ao seu redor. Se fosse desenho animado sairiam aquelas cobrinhas e caverinhas de sua boca na historinha toda. Ela pra sempre será lembrada como aquela pessoa negativa e infeliz que só o que soube fazer na vida foi plantar sementes podres e deixar na lembrança dos outros sua cara de bruxa malvada que saiu direto das histórias da Branca de Neve para entregar maçãs envenenadas por aí. Diga-se de passagem, com o veneno do próprio dente.

Você conhece gente assim? Eu conheço uma. Uma pessoa que é exatamente assim e o que mais me chama atenção é ver que ela não tem remédio. Está no DNA. Faz parte da sua natureza e o que podemos fazer é simplesmente nos afastarmos com olhar cheio de pena por saber que ela não tem o prazer de dar uma boa gargalhada da vida e por não lembrar de quando foi a última vez que conseguiu dormir sorrindo com paz e amor no coração, além de sair cantando rua afora algo mais ou menos assim: “E-e... Ela não é de nada... Oiá... Essa cara amarrada é só um jeito de viver na pioooooooor... E-e... Ela não é de nada oiá... Essa cara amarrada é só, um jeito de viver nesse mundo de mágoas”

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Carência afetiva

Encontrei a solução para os meus problemas. Perfeito!





sexta-feira, 11 de junho de 2010

Minorias

De que minoria você faz parte? Já parou para pensar nisso? Você pode ser a minoria que gosta do arroz por cima do feijão. Pode ser a minoria que sente medo de subir em escada vazada como eu, mesmo sabendo que não tem como acontecer nada por ela ser vazada.

Você pode ser uma minoria que não gosta de escovar os dentes e não se importa com cáries e mau-hálito ou pode ser daquele grupo de pessoas que coloca açúcar na coca-cola porque gosta sem gás. Pode ser dos que comem doce antes do almoço e não perdem a fome depois, como eu.

Você faz parte da minoria que escreve o português corretamente e não usa "miguxo","vc","blza" e "heuheuheuahauahauahuaheu" ou faz parte de um fã clube do Elimar Santos? Quem sabe você é ex-bbb que se deu bem na vida ou de repente é um torcedor do internacional heterossexual. Tá desculpem, é que eu não resisti. Brincadeira sem graça, eu sei. Esqueçam isso ok? Não faço mais. Prometo. Passou, passou. Mas se você for da minoria invocada que sai no pau por qualquer coisinha e se ofende eternamente por qualquer brincadeira, tô ferrada depois dessa.

Você é da minoria que come ovo frito com açúcar? Hummm. Pode ser da minoria que gosta de cultuar os mortos e dormir em cemitérios... Minorias existem por todos os lados. Em alguma ponta do universo existem minorias espalhadas.

Seja a minoria que for o que importa é que você faça parte da minoria que tem coragem de retornar a esse esconderijo e comentar. Sabe como é, todas as minorias unidas formam uma maioria e um dia quem sabe esse blog tenha um grande número de pessoas que se interessem por uma grande quantidade de bobagens inúteis e cultuem isso. Acho que agora me encaixaria na minoria que começa um texto e não sabe como terminar... Tudo culpa de fazer parte da minoria que não tem mais o que fazer na internet e sai por aí escrevendo qualquer coisa só para se distrair.Tstststststs. Pelo menos não sou da minoria cara de pau que nem a tal de Fernanda que não retira o o blog que copiou de mim do ar. Kkkkkkkkkkkkk Que coisa!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Renata & Você

Adorei o teu blog. Parabéns pelas lindas fotos. Pois te proponho um desafio ... Escreva sobre "A libido em Dilma Rousseff"...rssssssss
Beijo. James Pizarro

“Má” o que eu fui inventar? Eu sei lá como anda a libido da Dilma Rousseff. Além disso, posso levar um processo cabeludo por danos morais por falar da vida pessoal da criatura. Mas como eu sou contra deixar um leitor sem resposta, vamos lá...


Libido (do latim, significando "desejo" ou "anseio") é caracterizada como a energia aproveitável para os instintos de vida. De acordo com Freud, o ser humano apresenta uma fonte de energia separada para cada um dos instintos gerais.No campo do desejo sexual está vinculada a aspectos emocionais e psicológicos.

Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos: a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sexual, e a libido dominendi, desejo de dominar.

Podemos dizer que a libido dominendi da Dilma em relação ao poder está em alta. Está com a corda toda. Um desejo de dominar, de obter controle do Brasil inteiro em suas mãos. Mas tantos compromissos e a correria da campanha pode prejudicar diretamente a libido sentiendi, em sentido de desejo sexual. Pôxa, a tadinha deve estar tão cansada que a última coisa que deve pensar é nisso.

Mas assim, não digam que fui eu que disse, nego até morrer, ok? Mas ela tem o perfil, note bem, o perfil, não to dizendo que ela é de fato assim. (Desculpa aí Dilma!) Enfim, o perfil de quem associa a palavra sexo ao que diz na carteira de identidade quando determina se é masculino ou feminino e só.

Posso estar totalmente equivocada e desculpa aí Dilma se eu tiver, mas é que a voz dela, que é meio grossa e às vezes gesticula como um grande político com um jeito até meio masculino, sei lá. A impressão que dá é que ela é super pra frentex e lesbianismo pode ser uma coisa legal sim, mas depois da campanha porque agora ela está ocupadíssima com isso e acredito que deve chegar em casa exausta onde a última coisa que quer saber é de “colar velcro”. Ai que horror! Não disse isso, foi Chico Xavier que baixou e psicografou essa coisa horrorosa que eu escrevi.

Mas sei lá, não digam que fui eu que disse. “Deusôlivre” fazer fofoca! Não to dizendo que ela é. Tô dizendo que parece. Pô, ela tem a maior cara de quem usa calcinha bege. Pior que isso, daquelas que envolvem o poposão todo para ficar confortável. De doer! Mas de repente ela é da família Denorex, parece mais não é entende?

Posso estar totalmente equivocada e podemos analisar por outro ângulo. Uma mulher com a força e a coragem da Dilma pode ser uma máquina de fazer sexo. Podemos imaginar que alguém com a determinação e capacidade de enfrentar tudo que ela já enfrentou na vida, é uma mulher vibrante, cheia de energia para gastar. Numa dessas ela tá rindo da nossa cara e noite passada, vestida de tiazinha, fez horrores com o marido para comemorar o aumento do índice do ibope num motel luxuoso de Brasília e a gente aqui achando que ela é fraquinha pra coisa.

Enfim, desculpa aí Dilma! “Tamu aí” na atividade companheira! Eu só tive que responder a uma pergunta indecente porque não posso decepcionar um leitor depois de ter feito uma proposta indecente no Renata & Você dizendo que respondo qualquer pergunta que vier. Espero que me entenda. Não é nada pessoal.

Pô James Pizarro, tu tá querendo é me sacanear cumpadi! Tadinha da Dilma. Mas faz assim, se está tão preocupado com isso, descobre o endereço dela e compra a última tendência da linha de vibradores butterfly que eu tenho certeza que ela vai adorar. Só para amenizar as tensões do dia-a-dia, sabe como é.

domingo, 30 de maio de 2010

Marketeira de Araque

Fiz cadeiras de marketing na faculdade e adorava. Como esse final de semana meu filho foi passar com o pai dele, estou numa fase produtiva para extrapolar a minha criatividade, resolvi dar um up grade no meu bloguinho querido. Com vocês as propagandas do meu blog. Não vale rir hein? Isso é um trabalho sério.




E aí? Ficou bom? Deixei o Washington Olivetto no chinelo "nénão"? Cof, cof, cof...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Conte-me sobre seus pais...

Fazer análise é fantástico! Estou adorando remexer lembranças num velho baú e descobrir que cada minuto das minhas atitudes tem efeitos alarmantes daqui um tempo. Descobrir que aquela chateaçãozinha que me magoou a algum tempo atrás não foi algo banal, mas algo bem grave que me feriu como ferro em brasa. A dor passou, mas a marca ficou. E cada vez que eu olhar para a marca na minha alma, vou lembrar do momento vivido e isso vai me causar sofrimento. Então o que devo fazer é resgatar essas velhas lembranças e resolvê-las dentro de mim, como se fizesse um tratamento para retirar a marca da pele para que eu não tenha mais que olhar pra ela e lembrar do que me feriu.

É um conjunto de técnicas psicoterápicas que visam elucidar as conexões entre componentes inconscientes no processo mental com a finalidade de alcançar a eliminação do que nos incomoda. A nossa alma começa a ficar leve.

Começamos a perceber que devemos nos libertar do que ficou para trás e olhar para frente. Devagar e sempre. Um passo de cada vez. E a cada dia vamos nos sentindo mais fortes, mais livres do que nos perturba a alma.

É como se você diluísse o problema aos poucos com água pura e cristalina. E num certo momento diluísse tanto que ele se dissolve e termina. Estou adorando. Estou encantada. Descobri que tenho alma e ultimamente estava dentro de um corpo que caminhava por aí sem ela. Descobri que tenho um perfil bem resolvido que busca estar sempre em sintonia com a felicidade. Não me permito ser infeliz. Apenas isso.

Descobri que as pessoas que me importam e que me amam de verdade estão do meu lado aconteça o que acontecer. E quem não me interessa, quem não tem a menor importância na minha vida nunca vai entender absolutamente nenhuma atitude minha, vai criticar, inventar mentiras, machucar... Então realmente não me importa as aparências, me importa a essência. O meu interior. A minha sensação de paz.

Mas fazer análise resgata traumas de infância. É um confronto entre os seus pais e você. Cada detalhe do teu passado é importante e algum bloqueio muito forte pode estar diretamente ligado a fatos, até mesmo quando estávamos no útero materno.

Acho que entendi por que sou assim. Autêntica, “fora da casinha”, falo o que penso e sou incrivelmente debochada que em certas horas até eu mesma fico com nojo de mim. Guria mais chata! Nem todo mundo gosta de piadinhas fora de hora. Tenho vontade de gritar: “CASTABOCA” pra mim mesma. Sei lá. Preciso disso para viver. É como se meu corpo precisasse de uma energia que vem da gargalhada para se mover. Minha música tema poderia ser diversão é solução pra mim. As fotos abaixo explicam tudo. Meus pais. Eles são os culpados.

Pôxa que coxa! Gostei da bota... Do meu pai.

Pôxa que coxa II! Bem que eu podia ter herdado as coxas da minha mãe. Mas meu corpo foi geneticamente modificado e fiquei com as coxas do meu pai. Broxante!

E depois a fora da casinha sou eu? Minha mãe e meu avô materno. Especificamente nessa foto senti vontade de perguntar para minha mãe se ela fumava maconha, mas acho que ela não faria isso se estava passando o carnaval com o próprio pai. Porém nessa época o lança-perfume era liberado. Isso pode explicar a cara de abobada.

Detalhe: Observe a criatura de outro planeta que transita ali pelo meio. Ou é a Samara Morgan ou é o floquinho da turma da Mônica disfarçado de ser humano para pular carnaval em Caçapava. Não sei você, mas eu senti medo.

Meus pais nos dias atuais... Meu pai e sua tolerância zero com gente burra e minha mãe que usa todo o tempo livre de aposentada para estudar física quântica, é totalmente vegetariana, tentando transformar as pessoas do planeta em culpados por comer um simples presunto e querendo salvar a vida das chinchilas participando de desfiles de moda com manifestações contra casacos de pele legítimos, além de lutar pela vida de todas as baleias do oceano.

E aí? Tá explicado porque eu sou assim?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Queijadinha

Queijadinha é um típico doce brasileiro, feito de queijo e côco, oriundo da culinária portuguesa e um dos poucos que não têm origem nos conventos das ordens religiosas, talvez pelo fato de ser um pecado da gula.

Porém, é extremamente doce e dois, no máximo três já deixa “enfarado” e mais do que isso começa a arranhar a garganta e dar aquela vontadezinha de “ir ali no banheiro” dar uma vomitadinha e jurar que nunca mais você vai comer côco na vida. Sabe como é... Vira o que a linguagem xula chamaria de um “treco repugnante”.

Pois bem. Separei uma, note bem, uma queijadinha na merendeira do meu filho e um saco com vinte queijadinhas para levar para o trabalho e repartir com a mulherada da minha sala. Não é que minha empregada pega o saco de queijadinhas e coloca na mochila do Guigo por engano e ele chega da escola com dor de barriga e carinha de triste e me diz:
- Mamãe, eu até tentei comer todas as queijadinhas que tu me mandou na merenda. Mas eu não consegui e minha barriguinha ta doendo.

É meus caros leitores, acho que o coitadinho acaba de adquirir um trauma gastronômico e não vai mais gostar de queijadinha pelo resto da vida. Será que o Conselho Tutelar vai me chamar por causa disso? Será que aceitam suborno em troca de umas queijadinhas?

domingo, 23 de maio de 2010

Acordando com a mamãe

Deve haver uma explicação para os filhos levantarem cedo num domingo e ir correndo para a cama dos pais...



Segundo minha psicóloga um menininho de 5 anos está na fase do complexo de Édipo e dormir com a mãe pode ser prejudicial. Talvez por isso escapar para a minha cama de manhã bem cedo seja algo tão especial para ele, visto que é algo que não está com permissão para fazer ultimamente.

Mas aí é que está o toque especial, quando não podemos ter algo que queremos muito, o pouco que conseguimos em relação a determinada coisa torna-se extremamente importante. Estamos nos curtindo mais nessa fase em que precisamos um do outro para superar um período de transição em nossas vidas.








Sinto o Guilherme mais perto de mim. É diferente. Me preocupo muito mais agora do que antes. Meu foco está todo nele.





Sinto que dia após dia vamos descobrindo novos caminhos juntos. De mãos dadas. Eu ensinando as coisas básicas que uma mãe deve ensinar e ele me ensinando a ser mãe e principalmente a ser forte e feliz.
Podemos atirar um leite numa mamadeira e entregar para uma criança tomar com a consciência tranquila de que estamos alimentando um filho. Mas podemos também envolvê-lo no preparo das refeições tornando um simples café da manhã um banquete especial recheado de amor, carinho, afeto e atenção.

Uma mãe não existe só para manter seu filho bem nutrido, ela deve manter seu coração aquecido, sua alma tranquila e seus sonhos possíveis...

Sim, seus sonhos possíveis... Todos eles. Num avião ou em um balão, apenas usando a imaginação. Lá... Nas estrelas... Voando num foguete colorido, pulando de estrela em estrela e ensinando que nada é impossível.


Lá, entre os dinossauros... Lutando como um tiranossauro Rex, defendendo o seu ponto de vista, mostrando que a vida é bem vista aos olhos de quem sabe ver. Ensinando o filho a viver, sem medo de enfrentar os perigos. Provando que devemos ousar para conquistar sem medo de errar.


Mas mãe também serve para impôr limites. Delegar responsabilidades. Desenvolver habilidades. Sem pena ou exitação. O filhinho da mamãe será mais forte, sabendo que tem norte e sabendo ouvir um não.

Participar das tarefas domésticas, ver que tem antes e depois.
O depois vale tanto à pena... Fica tudo arrumadinho. Ali está o nosso ninho bem cheiroso e arrumadinho.





quinta-feira, 20 de maio de 2010

Frase do dia


Mudança

Eu adoro essa palavra. Estou em constante mudança. Aliás, como diria Raul Seixas, “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Sinto-me em fase de transição. Algo está acontecendo comigo caros leitores, a minha mudança está sendo interior e bastante profunda.

Já mudei diversas vezes a cor do cabelo, já mudei de apartamento, de lugar na mesa, de lado na cama. Mudei de solteira para casada, agora de casada para solteira, de filha para mãe, de sobrinha para tia. Mudei de magra para gorda e de gorda para magra de novo. Mudei de emprego e de carro. Mas de uma hora para outra comecei a analisar de perto a palavra transformação. Transformar sentimentos ruins em bons, abstrair da minha mente pessoas que não valem à pena.

É difícil abstrair coisas ruins. Estamos mergulhados num mar de notícias pesadas e negativas o tempo todo. Adoraríamos que não existisse “gentalha” fofoqueira em nossa volta, notícias ruins na televisão e todos fossem felizes e realizados, mas infelizmente isso parece impossível.

Percebi que não adianta ficar tentando mudar as pessoas, tentando preencher lacunas de suas vidas enquanto deixo lacunas na minha em aberto. Eu vou cuidar de mim, do meu filho, dos meus pais e do meu nariz. Se todos estiverem bem, transmitirão somente coisas boas ao meu redor e assim conseguiremos “contaminar” muita gente com nossa energia positiva.

E você? Olhe para o seu semblante no espelho. Sozinho, sem "maquiagens", sem precisar disfarçar nada para ninguém. Apenas olhe e tente penetrar no seu olhar até se transportar para dentro dos seus sentimentos. O que você é? O que você está transmitindo para os outros é real? É você mesmo? Você está feliz? Você está realizado? Você está fazendo o bem para os outros naturalmente por que está se sentindo bem e recebendo de volta boas vibrações ou está atrás de uma máscara fazendo gracinha para os outros rirem enquanto teu coração grita que tua vida estagnou? E aí? Será que vale a pena perder tempo de vida com algo que te consome, que te entristece e que te faz se sentir dentro de um corpo sem alma?

Você é aquilo que atrai. E não adianta fingir que não é contigo porque é. É a sua vida e só você pode tomar alguma atitude para mudar. Mudar é bom. Mudar é necessário e nunca é tarde para que isso aconteça. Mas sei lá... Cada um sabe onde o sapato aperta. A diferença é que uns atiram o maldito sapato longe e outros ficam cultivando calos dolorosos por anos a fio.

Sorria, você está na Bahia!

Lá estava eu no Pelourinho ao som do Olodum quando de repente pela milhonésima vez aparece um vivente querendo me "socar" colarzinhos... Nós gaúchos somos muito educados e não conseguimos fazer aquelas caras de cheios e empinar o nariz olhando com cara de nojo para o lado... Nãnãnãnãnã... A gente tem sempre que inventar uma desculpinha do tipo:
- Bah! Acabei de comprar de outra pessoa senão comprava de ti...
Ou então:
- Bah guri! Só tenho cartão de crédito, tu aceitas?

Enfim, ficamos alguns minutos na difícil tarefa de não magoar um vendedor chato dos infernos que quer socar fitinha do nosso Senhor do Bonfim até dentro da nossa orelha se der... Mas aprendi uma lição, quando alguém vier pedir algo, você olha com os olhos arregalados para o vivente e pede (quase implora) por um real para uma pobre turista comprar mais cerveja. Fiz isso e funcionou. Sacodia a camiseta do vivente pedindo dinheiro e ele acabava ficando sem jeito e fugindo de mim. Lá pelas tantas, eu fiquei com pena e disse:
- Tu poderias tirar uma foto comigo para selar a nossa amizade?
Ele aceitou. Porém mais dois amigos ficaram com ciúmes e vieram correndo tirar mais uma foto.
Isso deve ter uma explicação científica, pois misteriosamente o Pelourinho inteiro desceu a ladeira para tirar foto e quando menos percebi lá estava eu parecendo a Ivete Sangalo e seus bailarinos em pleno Pelourinho tomando conta da situação.
U-hu! Eu adoro causar! Oigaletê gaúcha véia... Tô mais fiasquenta que a Vanusa cantando o hino nacional... Já viu isso no youtube? Se não viu, vai correndo ver para complementar as tosquices que você viu no dia de hoje depois de passar por aqui.

Não sei você, mas eu simplesmente a-do-rei. Para mim essas foram as melhores fotos porque refletem exatamente a alegria que contagia quando se está na Bahia.