quinta-feira, 28 de maio de 2015

Diário na lista dos mais vendidos

Para quem mandou fazer apenas uma pequena edição de 50 livros porque achava que só a mãe e as tias comprariam, ter que pedir uma segunda edição e ouvir da boca do Pedro Vanolin, coordenador da Feira do Livro de Caçapava do Sul, que o "Diário de uma mãe em surto" foi o livro mais vendido da Feira é uma enorme satisfação. Pra completar, da segunda edição que foi bem mais considerável que a primeira, restaram apenas dez exemplares que coloquei no Chalé dos livros para vender. Acho graça quando imagino um escritor renomado rindo da minha cara por considerar esses números um grande feito. Mas para mim foi algo importante e significativo. 

É preciso agradecer. Agradecer o carinho dos amigos, a entrevista da Tisa no Caçapava Online, que com certeza despertou a curiosidade dos leitores pela maneira inteligente como ela se expressa. Os queridos amigos da Portal FM que tão gentilmente me chamaram para falar sobre o livro. Paim lendo trechos que achou engraçado ao vivo. Odacir me surpreendendo sabendo tudo dos personagens. Franciele Denardini, minha querida colega de trabalho, fazendo propaganda do livro enquanto dávamos altas risadas. Momentos únicos que jamais esquecerei. Meu amado marido, que cuidou das crianças para que eu pudesse estar presente nos dez dias de feira. Aliás, não só ele como meu exército adorado, pais, irmãs, meu cunhado Didi e minha fiel escudeira Gina.


Resolvi publicar para me divertir. Testar a sensação de uma noite de autógrafos. Fazer de conta que estava numa grande brincadeira recebendo amigos que estariam interessados na minha escrita. A brincadeira virou realidade. Ganhei troféu, abraços, uma enxurrada de carinho e lavei a alma. Tudo isso só me faz ter cada vez mais certeza de que descobri minha vocação. Aos trinta e cinco anos posso afirmar que nunca em tempo algum senti tamanha alegria em tão pouco tempo. Talvez apenas com o nascimento dos meus filhos. Saber que faço as pessoas rirem de um monte de bobagens que escrevo significa que consigo transmitir alegria e proporcionar bons momentos para quem "me lê". Isso é muito especial. Conseguir plantar sementinhas de alegria por aí. 

Um dia me disseram que não podemos passar pela vida sem deixar um legado. Algo que é deixado para um todo e não só para uma pessoa. Devemos deixar nossa marca no mundo e ser lembrado com carinho pelas pessoas. Com a escrita acredito que conseguirei fazer isso. Todos esses livros circularão de mão em mão... Serão doados daqui um tempo quando estiverem atrapalhando alguma estante por aí. Outras pessoas irão sorrir quando Arlindo Orlando e suas tosquices surgirem aos olhos. Mães das mais diversas, sofrerão uma espécie de transformação ao perceberem que são Anas, donas de casa sofridas capazes de mudar o rumo de suas vidas e fazer valer sua existência na Terra. Afinal, a vida é muito especial para ser desperdiçada. Ela precisa ser vivida intensamente recheada de momentos únicos e especiais ao lado de quem amamos. Obrigada a todos que conseguiram me proporcionar isso. Vocês, queridos leitores do Diário, são realmente muito especiais para mim. Por culpa de vocês, meu desejo é escrever cada vez mais para que novos momentos como esse sejam possíveis.   

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Julgamento


Não julgar e analisar uma situação pode parecer fácil, mas a partir do momento que observamos nossas atitudes percebemos que é extremamente difícil. Abro meu facebook e dou de cara com algo que provoca uma risada sarcástica com pensamentos irônicos. Tudo muito carregado de crítica. Paro e penso: Tá mas, a pessoa está feliz, quer dizer ao mundo o quanto ama José Inácio e portanto altas declarações de amor e derramamento de mel por cima de nossas telas deveriam ser aceitas. Mesmo que isso esteja se repetindo pela quinta vez esse ano com parceiros diferentes. Mas o que eu tenho com isso? A vida é da criatura e ela, e só ela é que sabe aonde seu sapato aperta. Só ela sabe o que causa borboletas no estômago. Se está pela quinta vez numa nova tentativa, deveria ser admirada por ter a coragem de buscar a sua felicidade e não se contentar com migalhas como muitos fazem por aí. Ó... Outro julgamento.

Movimento a timeline e me deparo com outra cena tosca. Mas peraí... Tosca porque? Porque simplesmente dentro de uma opinião baseada nas minhas crenças achei tosca, quando na verdade a tosca sou eu por estar achando algo muito bacana tosco. Onde está escrito que eu tenho razão? Minha opinião pode oscilar conforme meu humor. Dependendo do ponto de vista a cena tosca nada mais é que uma brincadeira de alguém que estava extremamente feliz e queria demonstrar isso num determinado momento. Qual o problema? O problema sou eu que não estou na mesma “vibe” e fico achando tudo tosco dependendo do dia. Apenas isso. Se fosse alguém que eu conhecesse a fundo e soubesse os motivos de sua alegria, participaria dessa "tosquice" toda e acharia tudo muito engraçado também. Nossas percepções que determinam nossos próprios julgamentos.

Enquanto inevitavelmente analiso isso ou aquilo da vida dos outros, deixo de analisar o que realmente deve ter importância pra mim, ou seja, a minha própria vida. A começar por corrigir esse terrível defeito de ficar observando o que não me pertence. Erro aliás que todos nós cometemos. É difícil resistir. Quando menos percebemos já julgamos e condenamos uma determinada criatura, mesmo que em pensamento, por algum motivo qualquer. Enquanto for em pensamento, sem que saia pela boca, acredito que estaremos perdoados. Ou não. De qualquer forma fica a sugestão de promovermos exercícios diários. Cuidar de nosso próprio rabo e rezar para que os demais macaquinhos cuidem dos seus por aí. 

domingo, 10 de maio de 2015

Avalanche de amor

Escrevo na internet desde 2008. Participei de algumas antologias com escritores dos mais variados lugares do país. Agora lanço meu livro solo. Até aí nenhuma novidade. Ontem foi minha primeira sessão de autógrafos. Imaginava nos mais dourados sonhos, que seria um momento mágico, de realização plena, de concretização de um sonho. Foi muito mais que isso. Foi uma avalanche de amor. Onde a gente se surpreende a cada cinco minutos com uma onda de energia positiva de pessoas que te querem bem.

Cada gesto, cada rosto, cada conversa que tive, ficará pra sempre guardado em minha memória e com certeza no meu coração. Ao chegar a Feira minha colega Zilamar, da Unipampa, me recebe com um doce sorriso dizendo que não poderá ficar, mas precisa de um autógrafo. Logo em seguida, minha querida Carmem e seus olhinhos apertadinhos ao sorrir, pede um autógrafo para a filha. Sentei-me na plateia e fui surpreendida pela Inez e a Lulis com meu livrinho nas mãos. Aquele semblante querido onde uma se parece muito com a outra.  Nisso, Sr. Remaldo Cassol pede um autógrafo para a neta Sofia. Fica em dúvida se o conteúdo não é impróprio e enquanto eu dizia que não, confesso que suei frio lembrando algumas partes que poderiam ser. Já de antemão, peço desculpas para a minha querida Lorena, mãe da Sofia, caso tenha algo realmente forte que não tenha percebido. Mas acredito que não.

Lá pelas tantas chega um pedido para autografar um livro para minha querida Maura Masri que está morando em Santa Catarina e pediu que não deixassem de mandar o livro para ela. Da mesma forma, meu grande amigo Marcelo Silva que não pode estar presente, fez o mesmo pedido.

Começa a solenidade, discursos, troféus, homenagens. De repente minha avó que nunca sai de casa por nada desse mundo, entra no salão caminhando com dificuldade. Estava frio. Uma noite de sábado chuvosa. Reconheci imediatamente o quanto foi difícil para ela estar ali presente. Foi o único momento que realmente me emocionei a ponto de precisar ter um controle emocional forte para não chorar. Ver minha família na primeira fila me olhando orgulhosa. Todos com sorrisos largos no rosto depois de tudo que enfrentamos, momentos tão difíceis e dolorosos com a perda do nosso amado Marquinhos. Pensei: Tão bom poder estar juntos por um motivo de alegria. Geralmente a família toda se reúne pra chorar em velórios.

É hora da sessão de autógrafos começar. Rostos desconhecidos começam a surgir citando nomes e enquanto autografava, contavam-me os motivos pelo qual compraram o livro. Identificação com o título, porque me ouviram na rádio, porque ouviram falar muito do livro pela cidade. Ninguém me conhecia. Não faziam a menor ideia do tipo de texto que encontrariam. Que Deus me proteja de não ser alvejada na rua.

Mas em meio a tantos rostos, vários eram de amigos muito queridos pra mim. Quando enxerguei o Evelton e a Patrícia, imediatamente pensei: Esses dois são fantásticos. Somos colegas de Unipampa desde 2007 e desde então estabelecemos uma relação de irmandade extremamente fortalecida. Nos momentos mais difíceis e mais alegres da minha vida, eles estavam comigo. Sempre. Isso é algo extremamente importante pra mim. Uma relação de amizade, carinho e respeito que não se estabelece com qualquer pessoa por aí. Somos cúmplices. Parceiros. Amigos de verdade.

Meus pais tão lindos ali sorrindo pra mim, registrando em fotografia todos os momentos. Na confusão, esquecemos de tirar fotos juntos. Aliás, recebi um troféu das mãos de meu pai que na ocasião representava o Prefeito e ele carinhosamente sussurrou no meu ouvido: Tu sempre consegues o que quer, né mana? Tô orgulhoso de ti. Minhas primas, Amanda e Alice, meus tios, Zanza, Airton e Tileca, meu afilhado querido Pedro Henrique e sua doce namorada Bruna. Meu sobrinho Gabriel com a fofa da Thais, minha sobrinha adorada, minhas irmãs, Roberta e Rogéria suando o topete no revezamento para ajudar meu marido a segurar minha filha Marina. Gegezinha e Adilson até flores me deram.  Meus cunhados queridos. Meu amado Maurício, parceiro de todas as horas que tem que aguentar diversas pessoas pensando que ele é o Arlindo Orlando da trama. Cuidou da Marina durante todo o período que estive presente na Feira e ausente em casa. Meu idolatrado filho Guilherme, a pessoa que mais me inspira. Meu sonho. Meu grande amor.  Meus primos, Tutuca, “Tio” Boneti, Carol. Sempre por perto nos momentos significativos da minha vida. Flavio, meu primo “toca ficha”, dirigiu de Porto Alegre à Caçapava para estar presente. Como não colocá-los num lugar especial dentro do meu coração?  

Eis que surge Tisa Lacerda com flores nas mãos. A grande responsável pelo livro, me entregando mais esse presente. Nos divertimos com o branco que me deu na hora do autógrafo. As palavras simplesmente fugiram. Acho que foram passear em Lavras do Sul.  Deve ter sido porque eu queria dizer tantas coisas resumidas numa simples frase, pois sinto uma enorme gratidão por ela.

Falando em gratidão, Rosane Santos e seu doce sorriso me abraçou apertado. Detalhes assim que a gente registra. Percebemos a vibração positiva de alguém que realmente torce pela gente. Sinto nela um carinho de mãe. Minha revisora predileta.

O carinho dos colegas escritores, o lindo autógrafo que recebi da Ariane em seu livro, aliás, do seu pai Rivadávia também. Família de escritores é tudo de bom. A escritora Mariane Macedo, minha vizinha, ao autografar “Formiguinha Irada” disse que não podia ficar sem o livro da Vizinha. Surgiu então a ideia de lançarmos juntas “O livro da vizinha”. Consideramos um bom título. Mil ideias brotaram.

A Sra. Odila e sua filha Soraya, simplesmente derramaram uma montanha de carinho em cima de mim. Uns amores. A Priscila, leitora fiel que compartilha minhas postagens, foi com a família inteira me cumprimentar.  E a Camila? Acompanhada do Claiton, Maria Eduarda e Antônia, chegou dizendo que não estava indo à feira, mas buscar meu livro. Coisa mais querida!  Por isso acabei entregando à ela o livro que seria da Cleia, outra amiga querida, que pediu reserva. Ana Luiza, filha da minha fiel escudeira Gina, que não pode comparecer, aparece timidamente com seu sorriso lindo ao meu lado.

Momentos como esse nos presenteia com novos amigos. Tive o imenso prazer de conhecer a queridíssima Maria Izabel Mariano da Rocha Duarte. Nome de princesa. Fui presenteada com a fotobiografia de seu pai, José Mariano da Rocha Filho, criador da Universidade Federal de Santa Maria. 

De repente na fila aparecem pessoas querendo me abraçar sem livro nas mãos dizendo que não havia mais nenhum exemplar a ser vendido e perguntando como faziam para comprar. Confesso que o sorriso sarcástico do gato de Alice se instalou em meu rosto quando na verdade deveria ficar preocupada por deixar amigos sem livros nas mãos.  Eu realmente achava que só meus pais comprariam e que toda a edição ficaria guardada numa gaveta para presentear amigos. Fui deliciosamente surpreendida. Confesso! Podem me chamar de exibida! Adorei! Sim, sou dessas, nem tô, me julguem. Contei em minha lista trinta e dois nomes para enviar livros da próxima edição. Achei simplesmente fantástico. Nunca imaginei que alguém fosse querer “me ler” desse jeito. Tô ficando insuportável. É melhor tomar cuidado. Tepatia isso. De Caçapava Sucupira City para o mundo! Nem que seja de brincadeira na minha imaginação. Adorei tudo isso. Posso ir de novo?

De tudo aprendi algo extremamente importante, quando alguém que você considera muito estiver vivendo um momento significativo, faça um esforço... Se faça presente. Seja pelo motivo que for. Se não puder ir mande flores ou um simples cartão. Mas demonstre seu carinho de alguma forma. Pois nos lembramos de cada rosto, de cada abraço, de cada gesto de carinho, de cada sorriso, consideramos o esforço de cada um, nos emocionamos com presenças que envolveram certas dificuldades e mesmo assim se fizeram presentes. Percebemos que quando realmente somos queridas pelas pessoas, elas movem céus e terra para estarem ao nosso lado. Elas não medem esforços para nos prestigiar. Elas não ignoram a nossa alegria, pelo contrário, vibram conosco num abraço apertado. E ganham eternamente um lugar especialíssimo, num camarote VIP dentro dos nossos corações.