quarta-feira, 31 de março de 2010

Funk Pascoal

A Páscoa tá “chegano”
Resolvi deixar o blog mais “coelhal”
para comemorarmos juntos essa data tão especial
não é sensacional?

Vai popozuda, vai fazer um regimão
O coelhinho tá chegando e cê tá com um barrigão
Vai popozuda vê se não demora não
O coelhinho é no domingo e isso é um problemão

Bate na palma da mão, Bate na palma da mão
Reza pra logo sumir esse super barrigão
Bate na palma da mão, bate na palma da mão
Chuta o balde e como logo tudo os chocolatão

Vamo lá
Pula,pula,pula,pula,pula
Pula, pula,pula,pula,pula,pula
Que essa música pegôôôô

P.S> Deu para entender porque eu escrevo crônicas e não Funk?


terça-feira, 30 de março de 2010

Oigaletê!

Adoro prestar atenção nos ditados gauchescos. Quanto mais grosso, mais divertido. Mais grosso que parafuso de patrola ou mais grosso que papel de enrolar prego. Fico mais enrolada que cristal pra viagem pra começar esse texto. Ao mesmo tempo, tô tranquila como cozinheiro de hospício.

No início é assim mesmo, a gente fica mais perdida que cego em tiroteio. Na minha frente o papel mais branco que perna de freira e tenho que tomar cuidado para não deixar o texto mais comprido que esperança de pobre.

Existem muitos ditados conhecidos, mas os que eu mais gosto estou colocando aqui, porque o espaço é mais apertado que rato em guampa e meu tempo ta mais curto que coice de porco.

Tô mais atrasada que risada de surdo e não posso escrever uma crônica mais comprida que xingada de gago.

“Mais engraxado que telefone de açougueiro” e “Mais limpo que fogão de solteirona" são os meus prediletos.

Eu poderia citar vários outros aqui. Mas isso é pra quem é mais viajado que cusco de cigano. Eu na verdade tô mais por fora que cotovelo de caminhoneiro.

É... Na verdade não ficou tão bom. Porque fazer um texto atrativo é mais difícil que nadar de poncho.

Mas quanto a vocês, caros leitores, sintam-se à vontade para colocar nos comentários os ditados que apreciam. É mais fácil que peidar dormindo. Ai que horror! Esse ficou feio. Desconsiderem!

domingo, 28 de março de 2010

Culpa Zero

Existe a Fome Zero, a Coca Zero e o Recruta Zero. Agora decidi que existirá a Culpa Zero. Vem comigo galera! Liberte-se da sensação de agonia que te invade o peito e enfia a cara num xis burguer estilo calota de opala sem medo de ser feliz. U-hu! O final de semana está terminando e a vida é muito curta para ficarmos nos culpando por tudo que acontece.“Bóra” se entupir de refrigerante, tomar aquela coca-cola gelada com vontade, que chega a dar uma coisa boa por dentro quando a gente engole. Sentir aquela "coisinha" que dá no nariz quando foi recém aberto e o gás faz coceguinhas, sabe?

Sábado a tarde você leva seu filho naquele aniversário de um aninho, com direito a comer cachorrinhos, docinhos, bolinhos e mais vários "inhos" maravilhosos que só esses eventos proporcionam. Então à noite você resolve sair para jantar naquela pizzaria magnífica que resolveu fazer rodízzio e você não pode perder por nada desse mundo.

No domingo toda família que se preze faz churrasco. Pelo menos toda família gaúcha que se preze. E então cumpadi, você olha sempre para alguém que está despejando óleo de soja num prato pra bater uma maionese daquelas cheínhas de colesterol, mas que por serem proibidas são simplesmente maravilhosas de comer. A quantidade de colesterol é diretamente proporcional ao sabor maravilhoso que ela possuir.

E se você é como eu, que nunca espera as coisas ficarem prontas e pega um pão que está de bobeira por ali e “táca-lhe” naquela maionese antes mesmo de ficar pronta, depois fica beliscando tudo que é coisa que enxerga pela frente e quando o churrasco fica pronto você não aguenta (sem trema) mais comer, aperta a minha mão que "tu é dos meu, cumpadi"!!!

E assim o domingo vai passando, aquele sorvetinho, aquela pipoquinha, sair para passear e encontrar sempre alguém vendendo churros ou algodão doce na tua cara e ter que ouvir:
- Mamanhêêêêê, eu queeeeeeeeeeero!!!!

E então você compra porque afinal é domingo e domingo é domingo e lá pelas tantas ele vê um picolé e grita:
- Mamanhêêêê, eu queeeeeeeeeeeeero!!!!

E então você compra porque afinal é domingo e domingo é domingo e você tava louca para comer o algodão doce dele mesmo, então tudo bem vai... Lá pelas tantas com a garganta grudando de tão doce e já comendo aquele algodão com cara de nojo e sentindo aquele treco grudar nos teus dentes, procura desesperadamente o quê? o quê? o quê? A sua amada, idolatrada, salve, salve cooooooooooca-cola...

E então quando você enxerga um barzinho com a marca dela na placa e sente uma espécie de dormência no cérebro e vai como se estivesse em câmera lenta até o bar e com um sorriso e ao mesmo tempo cara de desespero pede aquela coca gelada (até se tivesse quente desceria como uma luva) e sente a vida voltar ao seu corpo.

Ao terminar de tomar o refrigerante, sacode os cabelos e olha para o lado e vê seu filho parado com a boca toda suja de picolé olhando pra você sem entender nada. Tudo que ele quer no momento é desgrudar o dedo mingo do anelar que grudou com um pedaço do algodão doce que ficou por ali e acabou cristalizando com o tempo enquanto ele comia o picolé.

Segunda-feira a gente começa a resolver os estragos, ou não. Pode ser que alguém chegue pra você e venha com uma historinha de reeducação alimentar ou algo assim. Não, não é pra dar bom dia para o feijão e boa tarde para o arroz, mas sim eliminar de vez tudo aquilo que você pode comer só no final de semana. Quem disse? Eu estou dizendo oras. Pode comer tudinho. Afinal é você quem vai engordar, não eu.

Nada como um final de semana para a gente “chutar o balde” e atirar tudo pra cima depois de uma semana recheadinha de chateações do cotidiano. E digo isso terminando uma taça de sorvete com bastaaaaaaaante calda de chocolate por todos os lados. E um brinde a minha, a sua e a nossa barriga!

terça-feira, 23 de março de 2010

Máquina do Tempo


Se você tem um filhinho de cinco anos extremamente criativo e com muita energia para gastar e não sabe mais o que fazer com ele, sendo que ele já quase furou todos os dvds de tanto assistir sempre os mesmos, já se arrebentou todo andando de bicicleta, moto elétrica, espada, caiu com a cabeça na quina da gaveta e quase se suicidou, já desenhou em todos os papéis, até mesmo naquele documento importantíssimo que você esqueceu em cima da mesa, já carimbou, montou 567 vezes as mesmas coisas com o lego, fez o tubarão engolir 45676 carrinhos da hotwheels e já quebrou a sua casa inteira, inclusive aquela africana linda que você namorou durante meses na loja e um belo dia criou coragem e resolveu comprar e cada vez que passava na sala olhava para ela e suspirava, faça como eu, invente uma máquina do tempo viajator tabajara e deixe seu filhinho trancado no box brincando praticamente o dia in-tei-ri-nho.

Vá por mim! O máximo que pode acontecer é ele tomar algum shampoo por ali. Basta ter uma calculadora, fita crepe e uma balança. Ele entra no box, sobe na balança, aperta o código secreto para a ano que quer se tele-transportar na calculadora que está colada com fita crepe na parede, faz um barulho com a boca embaixo do chuveiro (desligado obviamente) desce da balança, abre o box, pega a espada e vai direto para a era dos dinossauros.

Pelo que percebi, se voarmos de carona nos pterodáctilos poderemos ir por cima da cabeça deles e com sorte encontraremos vários tricerátops que enfrentarão por terra o tão temido tiranossauro rex e assim poderemos voltar com vida para nossa máquina viajator tabajara à tempo de almoçarmos juntos em pleno ano de 2010. Não é incrível essa nova tecnologia?

Faça como eu, com nadinha de dinheiro você se diverte muito mais. Mas não esqueça, a calculadora tem que ser das grandes e de preferência daquelas bem bagaceiras que fazem barulhinho quando apertamos nos botões. Senão não vai ter a menor graça. Você encontra nos melhores camelôs do ramo.

Só lamento não ter me dado conta disso quando era criança. A máquina do tempo é muito mais legal que o elevador das minhas brincadeiras no box da minha mãe. Se bem que aquela encolhidinha que eu dava com os joelhos quando o elevador chegava no andar que eu queria era a melhor parte da brincadeira. Mas nada que eu não possa adaptar na máquina nova que dei ao meu filho. É tudo uma questão de criatividade. Falando nisso, tô louca para voltar para o box. Tchau galera!

domingo, 21 de março de 2010

Viajando de ônibus


-Mãããããe...

-Hummmm...

-Falta muito para o ônibus sair?

-Não meu filho, fica quietinho que o motorista já vai ligar o motor.

-Posso abrir meu pacote de salgadinho de queijo parmesão?

-Mas meu filho, recém saímos de casa e tu acabastes de tomar um café reforçado e...

-Ah mããããe, que saco!

-Tá guri! Come!

-Oba! shilepxxxxxxxx (o barulho mais próximo que imaginei de um saco de salgadinho abrindo)
O cheiro começa a impregnar no ambiente do ônibus. Um verdadeiro horror. Maria Lúcia entra no ônibus e sentindo aquele fedor de chulé de jogador de futebol depois do jogo misturado com vômito de criança, senta-se em um banco cujo lugar ao lado está vazio.

-Aaaaaaaai... - suspira ela – Essa viagem vai ser longa. Criança comendo salgadinho antes do ônibus ligar não vai dar boa coisa.Nisso ela olha pela janela e observa um homem com aspecto de mendigo fumando um cigarro atrás do outro como se o mundo fosse acabar ao entrar naquele ônibus. Ela pensa:

-Tenho pena de quem sentar ao lado daquela criatura ali.

O homem então entra no ônibus com a passagem na mão e começa a olhar banco por banco analisando qual seria o número da sua poltrona. Na medida em que ele vai se aproximando, Maria Lúcia vai rezando mentalmente para que Deus não faça isso com ela. Só que por um acaso do destino, Deus resolve não colaborar e adivinhem?

_ Licença, essa é a minha poltrona. Muito Prazer.

Maria Lúcia repensou se deveria sair dali correndo e comprar uma passagem para o próximo ônibus, mas enfim o motor foi ligado. Tarde demais, pensou ela, afundando-se na poltrona como se estivesse embarcando para o inferno. O mendigo, quer dizer, o senhor fedendo a cinzeiro, mijo e sovaco sujo estava escutando um radinho com fones de ouvido e ofereceu um dos fones para Maria Lúcia. Ela agradeceu, mas ele insistiu em colocar o fone no ouvido dela porque realmente a música que estava tocando, para ele era a melhor música que Teixeirinha já compôs. Ela escutou por aproximadamente 3 segundos e disse:

-É verdade. Também acho. Mas se o senhor me dá licença eu vou dormir. (virou-se para o lado e fingiu-se de morta - Aliás, naquele momento ela já estava desejando morrer ao invés de estar ali).

Então chegando ao trevo da cidade, Maria Lúcia abre um dos olhos e conclui que viajar sem sono de olhos fechados faz uma viagem daquelas parecer que já está na metade do caminho quando na verdade o ônibus nem se quer saiu no trevo da cidade. Decepção total.

-Cóptero! Olha o cóptero mãe!

-Meu filho aquilo é um avião agrícola.

-É cóptero!

-É um avião agrícola meu filho, ele serve para colocar agrotóxicos nas plantações.

-É cóptero! Có-pi-te-ro!

-Tá meu filho é um helicóptero! Pronto!

-Olha o cóptero de novo mãe! Uóóóóóóóóó!
Maria Lúcia morde um dos lábios e repensa o que teria feito para merecer ser castigada. Além do fedor ao lado, ter que escutar um filhotinho de ser humano dos mais chatos que não cala a boca um só minuto falando sem parar. E ignorante ainda por cima. Toca um celular. Uma musiquinha cretina das mais fuleiras que existe.

-Alôôôô (aos berros) tô saindo da redoviália! Tá um calorão dentro do ômbus, um horror! (aos berros) To levano os ovo de galinha crioula que te prometi. Mas com esse calor não sei se vão chegar bem aí.(aos berros)
Mais a sua frente o menino que já estava no terceiro pastel depois do salgadinho de queijo parmesão olha para sua mãe e diz:

-Mãããããe... Tô enjoado. Quero vomitar.

Uma simples viagem de ônibus, por mais curta que seja é sempre longa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Gírias Idosas

Em um dos meus textos escrevi a expressão ora bolas e posteriormente percebi que realmente a idade tá pegando! Então parei para refletir o meu vocabulário e de certa forma acho que preciso conviver mais com a galera jovem. Mas será o benedito? De jeito manera quero ficar falando gírias do tempo do Ariri Pistola! Falando lorotas xexelentas. É o fim da picada!

Por obséquio, me avisem sempre quando eu fizer isso, ok? Porque daí eu vou ter que colocar as barbas de molho e repensar sem xorumelas a minha forma de falar. Eu sei que sou serelepe, bacaninha, mas essa é do balacobaco pô! Vou ter que dar uma de dente cariado e cair fora meu!

Cacilda! É o ó do borogodó ficar falando como uma velha! Daqui uns dias vou dizer para o meu filho não esquecer de levar a sombrinha quando for dar um roleh para flertar com o broto dele. Pior que isso, vai ser reclamar dos 50 mangos que ele vai me pedir pra sair com a minha caranga. Sei, vai sair de noite pra balançar o esqueleto. Vai cair na esbórnia! Macacos me mordam! E quando eu for reclamar pra ele quando ele deixar a luz sempre acesa dizendo a frase: Tá pensando que eu sou sócia da CEEE??? Putz! O guri não vai nem saber o que é CEEE!

Mas comigo não, violão! Vou rever meus conceitos e deixar tudo nos trinques! Pois é supimpa uma pessoa ser moderna com as palavras. Vou arrebentar a boca do balão, vocês vão ver! Já vou começar a exercitar minha mente, o que devo dizer na presença do meu filho quando ele for um adolescente. Bem, broto nem pensar, gata também não, rapariga então, nem se fala! E as moças meu filho? Ui, essa foi horrível! É... rapadura é doce, mas não é mole não.

Ai, assim de supetão fica difícil. A mudança deve ser lenta. Vai ser um colosso quando eu conseguir! Vou deixar de ser caxias e cheia de 9 horas e ser o que eu sou ué. É só não dizer armazém ao invés de supermercado e já é meio caminho andado. Pelo menos não digo milhopã, guidis e refresco. Já é uma grande coisa! Mas eu digo tudo jóia. Aiaiai...

Pensando friamente, tô longe do chuchu beleza, meu chapa, tudo tinindo, tudo em cima bicho. Além disso, tem muita gente que me chama de chuchu, mas numa versão ultra moderna, como se fosse uma pessoa muito querida e com x: xuxu. Ora bolas! Para mim ser chamada de xuxu é uma ofensa, já que chuchu não tem gosto, não tem cheiro e ninguém quer comer! Quer coisa mais triste que isso? Mas a expressão dar mais que chuchu na cerca... Essa sim é véia! Benza Deus! Que belezura! Esse remédio alumiou a minha vida! Não dá outra... É batata! Legal às pampas mesmo! Mas vou dar uma de João sem braço e me retirando.

Conto com vocês, leitores bacanas, para puxar as minhas orelhas quando ficar me achando a rainha da cocada preta falando gírias ultrapassadas, denegrindo a minha imagem.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ginecologista

Como não havia pensado nisso antes? Escrever sobre um assunto interessantíssimo como ir ao ginecologista. Lendo o blog de uma amiga que fala sobre remédios, sala de espera e o famoso gineco, me deu um estalo, vou falar sobre o que eu penso disso.

Realmente a Fernanda tem razão, é horrível quando entregam o resultado da vulvoscopia para alguma paciente em voz alta. Aliás, eu nunca fiz vulvoscopia, pra que serve? Bem, deixa pra lá. Lembro que quando trabalhava na Unimed e uma colega minha totalmente distraída estava procurando o código de penioscopia em voz alta, mais ou menos assim:
- Penioscopia... Penioscopia...onde estará penioscopia...

E o cliente roxo de vergonha olhando discretamente para os lados.
Mas voltando ao assunto do gineco. É horrível mesmo. Eu particularmente me sinto um frango assado sendo recheado. A minha médica tem uma micro câmera que entra na “querida” e acabamos nos distraindo conhecendo o universo cor-de-rosa que é em seu interior. Adorei aquilo. Pelo menos a gente fica olhando para o monitor e conversando sobre “o que é aquilo” “ e aquilo ali” e “aquilo lá” ao invés de ficar olhando para o teto e rezando para sumir dali de uma vez por todas.

É muito estranho. Por isso prefiro médica a médico. Sei lá. Eu sei que ela tem uma igualzinha a minha e por isso me sinto mais a vontade. Sei que ela sente um montão de coisas que eu sinto também, então acho que por isso confio mais em mulher para ser minha ginecologista.

Além disso, acho muito estranho mostrar minha “amiguinha” para um médico amigo por exemplo, que lá pelas tantas me encontra por aí. Eu lá deitada com as pernas naquele “troço” gelado e ele lá com a cara no meio das minhas pernas e uma lâmpada iluminando o visual “daquilo” tudo. Ou então imaginem o marido de uma amiga minha apalpando os meios seios um tempão para ver se acha algum nódulo? Muito chato! Prefiro mulher e ponto. Afinal mulher tem mais habilidade em rechear um frango assado. Vamos combinar!

terça-feira, 9 de março de 2010

Mulher maravilha fake

Morri numa ventania na vida passada. E na vida anterior a passada, morri num tufão. Antes disso, na outra vida anterior a outra que veio depois da outra, morri num furacão. E o trauma me acompanha por todas as vidas agora.
Uma simples brisa quando começa a ficar mais forte me deixa nervosa. Meu estômago esquenta, minhas mãos começam a suar. Se estiver na rua tenho a sensação que uma placa vai voar em minha direção.
Quando estou em casa fico achando que os vidros vão arrebentar encima de mim. Loucura total. Um caso de psiquiatria. Eu sei, a vez que isso aconteceu foi porque deixei a janela aberta e ela bateu e quebrou. E foi bem encima da cadeirinha de papa do meu filho, mas se a janela estivesse fechada isso não aconteceria.
Meu problema agora é outro. Não posso passar esse medo para o meu filho. Para ele tenho que ser uma heroína que não tem medo de nada. Vivo momentos de pânico e disfarço bem. Faz de conta que tá tudo bem e eu estou achando tudo normal. Quer dizer, mais ou menos, pelo menos eu não grito e não choro. Só fico travada.
Foi assim que minha mãe me criou, mas infelizmente um dia tive que sair de perto dela e então minha segurança em dias de ventania voou para algum lugar e nunca mais encontrei.
Quando era pequena minha casa destelhou num vendaval e vi as telhas voando por cima dos carros que passavam na rua. Aquilo me bloqueou e agora estou aqui fazendo análise com vocês, caros leitores. Dividindo um pânico e contando a dificuldade enorme de esconder isso do meu filho.
Mal sabe ele que a “Mulher Maravilha” aqui, está mais para uma fiasquenta medrosa que morre de medo até de assopro. Sou bem capaz de morrer de medo, bem antes de morrer por algo que o vento possa me causar. Meu medo não tem tamanho. Vai daqui até lá, onde o vento faz a curva. Mulher Maravilha mais “fake” essa mamãe. Psiu. Não deixem ele saber disso.

sábado, 6 de março de 2010

Ora, pois...

O português é a quinta língua mais falada no mundo e tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). A ortografia-padrão facilitará o intercâmbio cultural entre os países que falam português, proporcionando padronização do ensino da língua ao redor do mundo. Até aí tudo bem, mas porque não pensaram nisso antes do meu nascimento? Agora já foi. Já está tudo diferente mesmo.
De que adianta escrevermos autorretrato junto para ficarmos padronizados com todos os países que falam a nossa língua? Não me entra na cabeça a necessidade de mudar tudo de lugar sendo que vamos continuar escrevendo da mesmíssima forma que sempre escrevemos, assim como nossos avós escrevem pharmácia com “ph” até hoje.
De que adianta padronizar regras de ortografia se até as palavras possuem significados diferentes no Brasil do português utilizado em Portugal. Vai adiantar eu retirar ou colocar trema em alguma palavra e me apavorar quando alguém pedir uma sopa de grelos por exemplo? Calma pessoal, grelos são apenas brotos de vegetais em Portugal.
É como tentar entender que puto em Portugal é menino e não fazer cara de ponto de interrogação quando alguém muito distinto, sério e compenetrado fala algo do tipo:
- Quando era puto subia em muitos troncos.
Pior que isso, se não souber que pica é injeção e ouvir:
- Quando era puto, morria de medo de pica.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar... Afinal em Portugal a palavra caixa para guardar objetos chama-se boceta, do catalão boixeta, você já pensaram na cara do Padre da cidade ouvindo um palestrante num evento cheio de pompa dizendo para nós brasileiros:
- Quando era puto em Lisboa, morria de medo de pica quando vinham dentro de bocetas coloridas.

Fiquei na dúvida se contava mas... A palavra Cu em Portugal é bunda e inevitavelmente imaginei um médico dizendo que para curar uma doença mais rapidamente, devemos levar pica no cu, ou seja, injeção na bunda. Não adianta pessoal, é diferente. Portugal é Portugal, Brasil é Brasil e não vou me acostumar com isso nunca. Porém, sei que devemos quebrar paradigmas e abrir nossas mentes para as coisas do mundo. Aceitar o que não tem remédio e ser flexível. Portanto aos poucos vou treinando algumas regras e aqui vai uma dica: Nunca trema em cima da linguiça hein?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mudanças

"Temos que continuar nos reinventando. Quase que a cada minuto. Porque o mundo muda num instante e não há tempo para olhar para trás. Às vezes, a mudança nos é imposta. Às vezes, acontece por acidente. E fazemos o melhor delas. Temos que constantemente achar modos para nos consertar. Criamos novas versões de nós mesmos. Só precisamos ter certeza que é uma evolução."
Meredith Grey (Grey´s Anatomy - Valentine's Day Massacre - S06E14)
P.S> Tinha anotado quando li no blog: santaseinsanas.blogspot.com e depois não me lembrava de onde tinha tirado isso, coloquei como autor desconhecido. Levei um puxão de orelha das gurias do blog por não ter mencionando o blog delas... Meninas... Desculpem! Eu adoro o blog de vocês!

terça-feira, 2 de março de 2010

O som do silêncio


Sim, tem momentos que é preciso parar. Fazemos tantas coisas ao mesmo tempo que esquecemos de escutar o que se passa dentro de nós. Só conseguimos fazer isso quando nosso interior grita para ver se alguém escuta e faz alguma coisa.

Temos que ter aquele tempo para a gente. Silêncio total. Entrar numa banheira de água quente e mergulhar escutando o som do silêncio da água. Escutando o coração bater. Perguntar para si mesmo qual o caminho a seguir. Escolher. Definir. Estabelecer novas metas. Novos rumos. Decidir.

Respirar fundo, enxergar o que não se pode ver. Qual o melhor caminho a seguir? Quem saberá ao certo o que é certo nisso tudo? O silêncio... Ele tem as respostas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Freud explica

Estou saindo com ele novamente, mesmo depois de tudo que ele me fez...
- Hummm...
- Eu não sei o que me dá. Eu olho para aqueles lindos olhos cor de abacate que amadureceu demais e aquela pele cor de cuia com aqueles cabelos encaracolados e me desmancho toda. É como se pensasse: Ah! Só mais uma vezinha para me sentir feliz de novo sabe?
- Não, não sei.
- Eu sei que deveria ter mais amor próprio e seguir a minha vida, mas é que a minha vida pára se ele não está ao meu lado. É como se o mundo parasse e só existíssemos nós dois.
- Sei...
- Nesse tempo todo que ficamos separados, não transei com mais ninguém. Estou muito carente. Mas só consigo sentir falta dele. Só ele alivia minha tristeza.
- Entendo, mas não compreendo...
- Quando eu o vejo com a namorada sinto que vou morrer. Choro. Como uma caixa de chocolates assistindo filmes de amor não correspondido. Depois me entupo de comida, tomo um comprimidinho para dormir e apago para não pensar em mais nada.
- Pensei que tivéssemos conversado sobre não tomar mais remédios.
- Eu sei, mas é que assim eu durmo e não penso. E depois foi só mais dessa vez, prometo. Eu estou meio trêmula e não ando me lembrando das coisas direito, sei que devo parar com isso. Quem sabe se eu conversasse com ele e dissesse o quanto eu o amo. Assim tudo estaria resolvido não?
- Não, não estaria.
- Eu não sei mais o que fazer! Minha vida não tem sentindo sem o Rosicleison... Já pensei até em me matar, mas não tive coragem.
- Ele não sentiria a menor falta, acredite! Pelo contrário, sentiria até um alívio!
- Ai credo! Não fale assim, estou pagando para que você me dê uma solução e não fique aí me xingando.
- Não estou xingando. Estou dizendo verdades. É diferente.
- Você acha que estou com monogamia compulsiva?
- Conte-me mais sobre sua relação com seus pais...


Após 6 meses de tratamento...

- E então é isso doutora. Você acha que tem solução?
- Conte-me mais sobre sua relação com seus pais...

Um ano de tratamento:

- Doutora, sinto que estou mais leve. Já consigo controlar minhas emoções. Eu quase morro quando chego em casa, mas não demonstro isso na frente de ninguém. As pessoas acham que sou uma rocha. Dona de mim, independente, livre. Inclusive ele que nunca mais me ligou e eu já estou pensando até em procurar outro namorado.
- Sim... Conte-me mais sobre sua relação com seus pais...

Mais alguns meses...

- Hoje acordei feliz! Acho que o carinha da venda da esquina está me dando a maior bola. Agora toda vez que vou sair me arrumo toda como se fosse para uma festa só para comprar alguma coisa na venda dele.
- Que ótimo! Fico feliz que esteja se libertando das correntes invisíveis do psiquê humano.
- Sim. Acho que não precisarei mais de análise. Sinto-me bem. Sinto-me feliz agora.
- Veja bem querida, largar a análise não seria interessante agora que está se recuperando de uma dor que lhe foi muito profunda. Eu não aconselharia cometer esse desatino. Você poderá ter uma recaída e isso poderia ser desastroso depois de tanto tempo de tratamento. Isso lhe fez tanto bem, não é mesmo?
- Sim. Mas sinto-me fortalecida com tudo que sofri. Acho que agora posso andar com minhas próprias pernas.
- Sim, queridinha. Você está sentindo-se assim por causa da análise meu anjo. Isso é muito natural. Acredito que mais alguns anos e você estará pronta para encerrar nossos encontros.
- De qualquer forma, poderíamos parar um tempo para testar minhas atitudes sem a sua ajuda.
- Seu tempo acabou. Sinto muito. Justo agora que ia te receitar remedinhos fantásticos para emagrecer. Que judiaria!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cortina Maldita

O portão da garagem sobe. Você desliga o carro. A garagem é grande e tem uma pequena sala ao lado. Naquele dia você está sensitivo. Ao descer do carro se depara com a cortina na janela que está com um volume estranho. Momentos de tensão. Você sente seu estômago esquentar e a chave do carro cai. Você nem respira e pensa que o celular está no porta-luvas e qualquer movimento brusco pode ser fatal. Você começa a cantar em espanhol para fingir naturalidade, mas percebe que seu espanhol é “fueda” e o ladrão, assaltante ou psicopata que estaria atrás da cortina pode se manifestar rindo e piorar a situação. Desiste de cantar e pega o celular o mais rápido possível. Entra no carro, fecha a porta e liga para polícia falando baixinho que precisa de um reforço em sua casa porque um elemento estranho está na sua garagem. Você está tremendo. Aperta o controle da garagem para fugir dali o mais depressa possível e constata que acabou a luz. O sol está se pondo e a garagem está com a iluminação natural. Então desce novamente do carro e decide enfrentar o maldito com uma pá que está encostada perto do carro. O medo e a adrenalina tomam conta do seu corpo. Então num ato brusco decide grudar a pá com toda a sua raiva no desgraçado que está atrás da cortina pronto para lhe atacar e...

Cai todo o suporte de plantas com doze vasinhos de violetas da sua mulher no chão que estava inocentemente atrás da cortina depois de uma faxina de uma faxineira distraída. Nisso a polícia chega com um megafone em frente a sua casa. Então você sai lá de dentro todo galo e mete um esporro no policial:
- Pô! Tive que me virar sozinho pelo tempo que vocês levaram para chegar aqui.
- Mas chegamos em três minutos senhor!
- O cara fugiu e eu não sei nem dizer como ele é de tão nervoso que fiquei. Tô até passando meio mal.
- Desculpe senhor, podemos revisar a casa se o senhor quiser.
- Não, não será preciso. Mas se você souber de alguma floricultura aberta a essa hora para que eu possa comprar umas violetas antes da minha mulher chegar eu te agradeceria.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu confesso


É difícil confessar. Contar coisas que sabemos lá no íntimo que estão fora dos padrões da moral e dos bons costumes. Assumir que erramos. Que não somos nada perfeitos e estamos muito longe da perfeição.

Fui batizada, casei e batizei meu filho na igreja católica, mas confesso que nunca me confessei para o padre e acho totalmente desnecessário rezar 18 “Ave-Maria” e 89 “Pai- Nosso” para corrigir meus erros.

Arrisco-me a confessar algumas coisas para vocês. Confesso que quando fico ansiosa desconto na comida. Que detesto fazer exercícios estilo “puxar ferro” em academia embora eu saiba que é extremamente necessário. Confesso que adoro assistir Big Brother. Que adoraria me aposentar com 30 anos e ficar só escrevendo na varanda de uma casa à beira mar.

Confesso também que quando bebo uísque saio da casinha completamente e dou lugar para outra Renata com uma personalidade totalmente desavergonhada. Confesso que adoro substituir o “ou” por “e” em praticamente tudo na minha vida. (Com exceção do marido, é claro!) Confesso que quase desmaiei com uma cinta apertada em um baile que eu fui, onde queria disfarçar a barriga poucos meses depois de ganhar nenê.

Confesso que comecei várias dietas e nunca consegui cumprí-las. Mas agora que estamos no verão eu continuo fazendo a mesma coisa e não deveria ter usado o “mas” na frase.

Confesso que adoro quando o time do Inter perde e detesto colorados fanáticos perto de mim. Confesso que estou muito feliz só porque a minha cortina nova foi instalada. Confesso que detonei uma barra de chocolate de 200 gramas em minutos pela manhã. Confesso que vou colocar um pouquinho de silicone nos seios e fazer uma lipoaspiração assim que tiver meu segundo filho. Ah, vou!

Confesso que acho filme pornô uma comédia. Confesso que não sei mais em quem votar e que já tive vontade de dar uns tapas na cara de algumas pessoas. Confesso que tem dias que me sinto indecisa e totalmente confusa. Poderia dizer que no ano isso ocorre em aproximadamente 300 dias. Tem dias também que me sinto uma baleia. Confesso que quando gosto muito de um presente eu acabo pegando ele pra mim e comprando outra coisa para o vivente que seria presenteado.

Finalizando eu confesso que às vezes gostaria de usar o anonimato para confessar o resto. Era isso. Ufa! Sinto-me bem melhor agora.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carnaval


Para mim carnaval é um delicioso feriadão prolongado feito para descansar a cabeça e desligar-se dos problemas bem longe de casa e do trabalho e naturalmente ao som de um sambinha por perto.

Na ala "Libera Geral" temos vagabundas que ficam completamente ouriçadas. Os caras “sem-vergonha” terminam o namoro de quatro anos para galinhar nas quatro noites. O diabo fica solto. A galera esquece da AIDS, da sífilis, da gonorréia, da herpes genital, da candidíase, do condiloma, do granuloma, do trichomonas, do HPV e principalmente da camisinha. Aliás, muitos filhos por aí foram feitos num carnaval. A galera “dá” adoidado, ô beleza! Atrás da cortina do clube, embaixo da escada, no banheiro, atrás da árvore, dentro do mar, no meio da multidão. Tem gente que enlouquece. Nunca entendi porque no carnaval pode e no resto do ano nada disso acontece. A sensação que dá é que no período carnavalesco as pessoas não raciocinam e permitem-se fazer e acontecer sem limites como se na quarta-feira de cinzas a vida não fosse continuar seu curso normalmente. Isso me assusta!

É vagaba dando em cima do marido da gente. É "fiadaputa" arrumando briga porque passou a mão na bunda da mulher do outro. É gente se agarrando e enfiando a mão em tudo que é buraco do corpo humano e no outro dia nem se cumprimentam. Uma chupa a língua do vivente que nunca viu na frente e dali cinco minutos ta chupando a língua de outro, ou dependendo da doideira de outra. Um festival de putaria.

Na ala dos doidão temos a galera que faz “diumtudo” porque é carnaval. Tem gente que emenda as quatro noites sem dormir cheirando pó e pirando o cabeção. Depois alguns se matam com uma depressãozinha básica, mas isso é um mero detalhe. Outros estragam a festa com uma overdose. Outros deixam escapar uma diarréia nas calças. Outros acabam dando alguns tiros e matam algumas pessoas na rua. Tudo muito simples assim, como se a vida não valesse nada.

O máximo de droga que fiz num carnaval foi cheirar lança-perfume quando tinha quatorze anos. Lembro bem da cena. Cheirei aquele lenço e um vídeo-game começou a zunir dentro da minha cabeça. Estava escutando Bob Marley e a música foi ficando longe, longe, muuuuuito longe e eu lembro que me babei toda. A baba caiu lá no pé. Que cena linda! Admirável vocês não acham? Tão admirável que nunca mais fiz. Paguei todo o dinheiro da minha mesada para escutar um barulinho diferente durante menos de 3 minutos e ficar com cara de abobada babando na frente dos meus amigos. Totalmente panaca! Além disso, o cheiro é enjoativo.

Pior que isso, eu havia comprado alguns tubos com as amigas do bloco que eu tinha e fiz de tudo para esconder dos meus pais. Então meu avô que é super sério e conservador chegou e perguntou na nossa concentração se alguém tinha lança. Todo mundo se olhou e obviamente disse que não. E ele disse:
- Que pena! Poderíamos colocar no congelador. Fica muito melhor! E assim eu experimentaria de novo!
Ficamos de queixo caído. Mas o que meu avô não sabe é que isso é proibido nos dias de hoje. No tempo dele era liberado e as pessoas tomavam com uísque. Dá para acreditar? (Minha mãe vai me matar porque eu contei isso).

Na ala da diversão, onde tudo é festa e bebedeira, se for embora de táxi tá tudo certo. No máximo uma vomitadinha num canto em meio a muitas gargalhadas. Mas sempre tem aquela criatura que não bebe nada e que fica com cara de bunda num canto achando tudo bobo. Fica com aquela cara séria enquanto todo mundo ri, criticando tudo que vê na frente e ao invés de ir para casa dormir fica ali, olhando com ar de superioridade como se estivesse fazendo uma análise de como as pessoas são idiotas e ridículas por estarem simplesmente sendo felizes. Dá vontade de mandar pra casa chupar um carpim. (Eu normalmente falo meia, mas meu avô falava muito essa frase: Vá chupar um carpim! Então eu acho mais legal carpim nesse momento. Melhor que falar o palavrão que havia pensado antes).

Na ala das crianças temos miniaturas de seres humanos que nos primeiros cinco minutos chegam fantasiados nos mínimos detalhes e então na medida em que o tempo passa a fantasia vai sendo desmanchada. A máscara do Batman é perdida, a capa acaba virando pano de chão para limpar o refrigerante que foi derrubado. Aquelas espumas em spray... Ah! Aquelas espuminhas “amigas”... Eu queria enfiar no você sabe onde de quem inventou aquilo. Espuma mais desnecessária! Só serve para melecar tudo e deixar o chão grudento. Você está lá dançando e um “diabinho” de 1 metro e 10 aperta aquilo na tua cara e sai correndo. Lá pelas tantas alguma criança simplesmente desaparece, a mãe se desespera. Então encontra o vivente embaixo da mesa bem tranqüilo tirando tatu (pólipos nasais). As menininhas com carinhas de cansadas, aliás, exaustas com os cabelos suados e a maquiagem toda borrada. Os menininhos correndo por todos os lados e com confete até dentro do ouvido. Certa hora começam a querer recolher todos os confetes que estão no chão e não deixam espaço para ninguém dançar porque eles estão na sua importante missão de “quem consegue juntar mais confetes do chão”.

E quando é em clube com conjunto musical? Vocês já repararam no figurino dos artistas no palco? Certa vez tinha uma mulher vestida de Xuxa com uma mini blusa e uma bolsa de banha caindo por cima de um micro short, usando uma meia calça bege para disfarçar a celulite, só que ficou muito pior porque ficou parecendo uma personagem maluca que saiu de dentro de um roupeiro cheio de coisas toscas. Usava uma botina zebu que não correspondia em nada com a Xuxa de verdade. E ela gesticulava como se os braços fosse de uma boneca de pano. Muito engraçado. Só de lembrar eu dou risada. Mas o que importa é que ela tinha uma voz melhor do que a Xuxa para cantar. O que não é difícil.

Na ala dos mal-humorados assumidos, temos aquelas pessoas que simplesmente odeiam qualquer barulho de tamborim. Vão dormir às oito da noite de cara fechada porque a vizinhança está fazendo barulho. Como não conseguem dormir ligam a TV e se indignam com o complô contra eles porque em todos os canais só o que dá é cobertura dos carnavais do Brasil. Então o vivente senta quieto na frente da TV e encara de braços cruzados o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro sem nem sequer bater o pezinho no chão.

Na ala dos "tô nem aí", temos gente como eu, que prefere sair para algum lugar legal se tiver afim, sair para um boteco para dar umas risadas com os amigos sem hora para voltar, passar o dia inteiro na praia totalmente zen... “Zen nada para fazer”... Só deixando o sol penetrar nos poros e na alma.

Na ala dos drags, homossexuais assumidos e transformistas, bem, esse não tem graça escrever. É o mais legal de todos. Todo mundo sabe. Impossível não se divertir.

Adoraria passar um carnaval na Bahia. Mas só de pensar eu canso. Fico me imaginando apertada no meio de uma galera suada e bêbada. Não que eu também não estivesse suada e bêbada, mas só de pensar eu desisto. Acho que sou muito acomodada. Prefiro ficar na beira da praia relaxando ao invés de ficar pulando como pipoca. Mas isso também depende do porre. Acho que preciso beber mais vocês não acham?

Bom Carnaval pra vocês! E se você for da ala Libera Geral encape o pinto e seja feliz!

Mamãe Monstro

Estava olhando os dvd´s do nascimento do meu filho e fiquei apavorada, horrorizada, escandalizada, chocada com a minha feiúra no nascimento do guri. É tudo muito lindo, muito maravilhoso. Para os outros que não estão na posição de mãe.

Eu lá, com a boca parecendo uma câmara de caminhão virada ao meio e o nariz do tamanho de uma jaca, tentando sorrir ao ir para o matadouro. Sim, porque essa é a sensação. Não sabemos o que nos espera na sala de parto e temos a nítida sensação de que estamos a caminho de um.
O medo que todas as grávidas têm da cesariana e tudo que a envolve, esse passa batido, porque na verdade não sentimos dor alguma ao “darmos a luz”. Lembro bem da cena. Pedi ao meu marido que conferisse com um beliscão se estava bem anestesiada antes de começarem a “me carnear” e quando ele foi dizer isso para o médico a barriga já estava na quinta camada de graxa a ser cortada. Percebi que ele ficou meio estranho, mas deu uma boa disfarçada.

Enfim, o nascer do filho acontece em meio a muita euforia e na maioria das vezes nos contam só a poesia. O novo papai, a nova mamãe e o filhinho. Mas a verdade nua e crua constatamos depois e isso ninguém nos conta antes.

Mudam a gente de posição como um saco de batatas pra tudo que é lado. Limpam a bunda da gente como se fosse um telefone. E tu lá. Inflada. Explodindo de gorda e de felicidade. A felicidade é tanta, que se esquece até da feiúra. Só se pensa no bebê.

Sabe aquelas fotos clássicas que todo mundo tem no hospital? O papai lindo, magrinho, com a aparência normal com seu filhinho no colo e a mamãe... Bem a mamãe fica virada num bofe, com a cara deformada, toda escabelada e por estar deitada a papada fica mais evidente ainda.

Como se não bastasse as enfermeiras enfiando as mãos em meus seios para fazer descer o leite, depois minha irmã tentava espremer mais um pouco. Não duvidaria de mais nada, nem se alguém começasse a chupar meu seio para ver se descia aquele leite teimoso. Eu já estava apavorada. Senti-me uma vaca leiteira deficiente ainda por cima, pois todo mundo tentava tirar leite e não conseguia. Ter filho é assim? Eu pensava que era como nas poesias.

Não importa. Divirto-me com a mamãe monstro que fui durante alguns meses, mas afirmo que valeu muito à pena e não me importaria de passar de novo por tudo isso e ficar horrorosa mais uma vez no pós-parto. Porque não existe nada nesse mundo que substitua a alegria e a explosão de amor que é gerar e parir um filho.

Mesmo que pra isso a gente tenha que assumir o papel de “um monstro que foi picado por diversas abelhas” para poder dar a chance de o filho atuar no palco da vida e enfim ter a chance de se sentir eterno através das diversas gerações que partirão dele.

Escrever

Descobri uma nova definição para a palavra escrever. Escrever é um ato de exorcismo. É colocar para fora todos os sentimentos bons e ruins. É compartilhar sentimentos. É confidenciar loucuras. É se expôr completamente como se estivesse pelada no meio da rua. E pior, gostando.
Escrever é descobrir-se. É inventar personagens. É viajar nas palavras ou seria dançar com elas?

É enxergar um novo horizonte. Um novo ângulo. Uma maneira diferente de encarar os problemas e as alegrias.

É adorar escrever cada vez mais. Como um adorável vício que não fazemos questão nenhuma de descobrir a cura. Realmente os dicionários estão incompletos.

Meu inegável vício

Tá. Admito. Não consigo ficar sem me esconder por aqui. Faz parte do meu ser. Só vou mudar um pouquinho as regras do jogo ok? Textos impessoais e genéricos. Baseados no que eu vejo por aí...

Recomeço com minhas publicações antigas onde consigo expôr minha opinião sem expôr a minha vida. Ok. Vocês venceram... Eu estou de volta de braços abertos pra vocês. ôôô Mulherzinha difícil!