quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Empregadas Canalhas

Ola Renata, tudo bem? Sou leitora do seu blog e me divirto demais com todas as suas histórias... Como vc pediu perguntas, q tal falar sobre empregada doméstica? Vc tem? Como lida com ela?

Daniela Takemura


Olá Daniela... Empregada doméstica? Hummmmmm... Todo mundo tem uma boa história para contar de uma. Se eu tenho? Bem, na verdade eu tenho um anjo da guarda que é praticamente minha secretária particular. Ela lembra dos meus compromissos, dos compromissos do meu filho e ainda inventa sobremesas maneiríssimas. Faz cada salada mirabolante de dar água na boca. Cuida do meu filho como se fosse dela e administra a minha casa com perfeição. É o tipo de pessoa que a gente tem que levantar as mãos para o céu e agradecer virada pra Meca.

Mas nem sempre foi assim. Passei pela mão de poucas e boas. Tive empregada fofoqueira, ladra que afanou o anel que ganhei de formatura dos meus pais, vagabunda que recebia homem na minha casa e com certeza na minha cama, que batia no meu filho, que comia o iogurte junto com ele, que não aparecia para trabalhar, que mentia, etc... etc... etc...

Empregada canalha tem aos montes por aí. Tem aquela que queima com ferro a camisa carérrima de propósito, a que não tira a poeira direito, que espera as teias de aranha ficarem tão grandes a ponto de você pensar que o homem aranha realmente existe, a que quebra todos os copos, a que implica com o cachorro, a que não lava a louça direito, a que come seus produtos lights caríssimos e acha que é normal, a que mexe o suco com a mão, a que come tudo que enxerga na geladeira, a que sabe quanto você tem na carteira e onde está cada coisa perdida dentro da sua bolsa. Tem aquela que leva os pimpolhos dela pra sua casa e eles destroem em um dia tudo que seu filho nunca destruiu em dez anos.

E as psicopatas? Aquelas que não têm nenhum dente na boca e armam um plano secreto para destruir a patroa e se adonar do patrão. Então começam o plano colocando veneno de rato no açúcar, fazendo macumba com a cueca do patrão, porque leu naquelas revistinhas de rodoviária que babalorixá docô dutifudeu disse que fazia o amor da vida dela ser agarrado em uma semana e ela acreditou.

Muitas quebram o pé bem na época que você mais precisa da infeliz. Outras não aparecem e não tão nem aí se você está esperando para ir trabalhar e não tem com quem deixar as crianças. Mas eu desafio vocês a me dizerem que não tem uma única história para contar que envolva alvejante sanitário. Pode ser da famosa marca Q-boa. Q-bom encontrar aquela calça maravilhosa com aquela manchinha toda especial que só a Creusa pode nos proporcionar, não é mesmo?

Mas o prêmio vai para a categoria esconde-esconde. Elas são expert em esconder nossas coisas e utilizam as gavetas como se ali existissem um misterioso “arrumator desintegrator expressor tabajara”. Abrem a gaveta, enfiam tudo ali, fecham a gaveta e tudo estará organizado. Simples assim.

Aquela que liga o aspirador de pó sábado de manhã cedo quando você pode dormir até mais tarde e por mais que você peça para deixar essa tarefa para depois, ela sempre faz do jeito dela. Inclusive esse jeito é o mesmo que não sabe diferenciar as meias do seu filho de dois anos do seu marido de quarenta.

Bom mesmo é o café da manhã acompanhado das notícias quentinhas direto da laje, onde ficamos sabendo que o Robison esfaqueou a Ivonelde porque ela estava transando com dois caras da vila e o amante da Onilva descobriu. E ainda acrescentam um diálogo contando que estão cheias de hematomas porque se “pegaram no pau” no meio da rua com a mulher do ex-marido e que ta com um “raivedo” por todo o corpo. Para fechar com chave de ouro puxam aquele pigarro lá do dedo do pé e engolem enquanto você desiste do café e vai trabalhar em jejum.

Tem aquelas que adoram um velório mesmo se o defunto for desconhecido. Aquela que lamenta até hoje a morte do “Tranquedo” Neves. A que não consegue dizer pizza e sempre fala palavrão sem querer. Que adora uma fofoca e falar “ansim desse jeitu, com uns corte, aburrecida”.

Pior são as fumantes. PQP! As fumantes não dá para aturar. Você chega em casa e ela ta lá cozinhando e fumando um cigarrito véio com um dos olhos fechados mexendo a panela. Mazááááááá Cremilda hein? As que lavam as “cutrina” uma vez por ano. Que usam “alicatre”. E as que fazem lista de supermercado assim:

aseite de olívia
Sebola
Tumati
Beico

As que se apaixonam pelo novo “rome titi” que instalaram na sala. Aquelas que a mãe vive doente com trombose, istroprose, caruncho, berne, gonorréia, sífi, dor no figo, penicite, mas que sempre estão num médico dos bons que receita um antidioti daqueles que melhora até defunto.

Estou sendo maldosa? Talvez. Mas sem deixar de ser realista. Foi a Daniela Takemura que pediu. Eu apenas atendi. E você? Qual foi a coisa mais canalha que sua empregada já fez?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ser ou não ser...

Bom Dia Renata. Vc não acha que às vezes pega meio pesado no blog? Só acho que vc como escritora deveria evitar certas opiniões próprias, só se for o teu perfil e os leitores estiverem acostumados. Pense na cultura que a maioria das pessoas possuem e se vc bater de frente com elas, acontecerá que elas passarão a te evitar.
Luis

Prezado Luis... Assim... Eu não escrevo para agradar as pessoas nem para conseguir seguidores. Escrevo o que penso e expresso a minha opinião. Posso estar equivocada às vezes e estou aberta à críticas e lamentações. Inclusive aceito mudar de opinião caso alguém me prove que estou errada e que as coisas não são bem da maneira que imaginava. Até gosto disso. Gosto de descobrir que estou errada sobre coisas que anteriormente tinha má impressão.

Mas quem não gosta do que escrevo, aconselho a não voltar mesmo, pois podem se machucar com minhas palavras, embora essa não seja a minha intenção. O que não posso me permitir é deixar de expressar o que penso porque alguém em algum lugar poderá se ofender.

Normalmente é isso que acontece né? Nos jornais, revistas e por todos os lados as pessoas são censuradas e castradas mentalmente. Suas reais opiniões são podadas para contentar gregos e troianos e isso perde a graça. Não podem expressar seus sentimentos e indignação com fatos e acontecimentos do cotidiano para não ferir nem agredir ninguém. Em nome da moral e dos bons costumes. Não falar para não se incomodar não é mesmo? É bem mais fácil. Assim todos saberão que você pensa como eles ou até mesmo acharão que você não pensa, como as amebas que apenas se desenvolvem e morrem em algum momento de suas vidas.

A graça está em nos depararmos com uma opinião diferente da nossa para nos fazer refletir sobre nossas opiniões. A questão não é se a opinião de fulano ou ciclano seja a correta, mas se for diferente da minha me fará refletir sobre minha forma de pensar e agir. Só então é possível haver um impacto que resulte em mudanças, senão seríamos todos apáticos e sem opinião própria, uns concordando com os outros como zumbis sem personalidade que não geram discussão e muito menos raciocínio lógico sobre as coisas da vida.

Desculpa Luis, mas eu sou assim quer você goste ou não. A opção é sua de digitar meu link em seu computador. Isso é o máximo que eu poderei fazer por ti, te aconselhar para que desista de entrar aqui. Não me conformo com pessoas que admitem baixar a cabeça abdicando de emitir sua opinião com medo do que os outros vão pensar. Mesmo assim, obrigada por me alertar que pessoas como eu e tu podem existir no mundo e agredir o mundo de alguém.

Ah! E sim, esse é o meu perfil e os leitores que por aqui passeiam e voltam é porque conseguem ter discernimento de que muito embora não concordem comigo, podem colher bons frutos dos meus devaneios. Nem que seja para rir da minha cara e se divertir com isso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vinhos

Prezada Blogueira Renata,
Estou em greve, decidi não beber mais água, somente bebo vinhos chilenos, argentinos, uruguaios e brasileiros, uns sulafricanos às vezes, um francês lá de vez em quando. Dica para a Srª escrever. Fale de vinhos, por favor.
Att. Tito Schipa


Bueno, vamos falar de vinhos. O problema é que você pediu isso para a pessoa errada. Não entendo nada sobre o tipo de uva que por sua potência e concentração vai determinar se combina mais com carnes grelhadas ou com peixes. Se me perguntar a diferença entre Chardonnay, Riesling e Gewürztraminer eu não vou saber te responder. Posso não saber o que quero da minha vida, mas sei que enóloga ou simplesmente uma sommelier eu jamais serei.

Estou reaprendendo a gostar de vinhos, meus prediletos são Concha Y Toro, Carta Vieja, Gato Negro e Santa Alvara. São encorpados, com um delicioso aroma. Esses vinhos são os que gosto de tomar atualmente, mas bem devagar, porque senão me vem a mente certas lembranças desagradáveis.

Quando tinha quatorze anos e era completamente fora da casinha (mais ainda) reunimos umas dez amigas na casa de uma delas. Estávamos prontas para ir num baile do dia dos namorados. Estava me achando linda maquiada, mesmo com aquele nariz que resolveu crescer primeiro que o resto do corpo. Era meu primeiro baile e estava pronta para entrar nele ao lado do meu namoradinho da época. Achava aquilo o máximo. Quando a bebida “de fundamento” terminou, fomos num boteco na esquina e compramos um vinho bagaceiro de garrafão de cinco litros.

Todas as meninas tomaram metade do garrafão e a outra metade eu tomei sozinha. Sério. Tomei metade sem nunca ter bebido vinho na vida. Conclusão: Vomitei a casa toda e depois desmaiei. Só lembro de acordar com a mãe e o pai da minha amiga colocando açúcar na minha boca e passando água no meu rosto enquanto meu namorado gritava que não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu abria os olhos e tudo que via eram várias colherinhas de açúcar e um vulto tentando enfiar glicose na minha boca. Ainda bem que eram colheirinhas... Mas que bah!

Então me levaram para casa e eu fui direto para o banheiro escovar os dentes e me limpar. Não acertava a pasta na escova e coloquei o pijama virado. Meus pais não me viram chegar, pois fiz um esforço enorme para que eles não vissem. Ao chegar no quarto lembro de ter um porta retrato que era um coração com braços e pernas e ele acenava sem parar para mim. Eu ria dele e fazia sinal de silêncio para não acordar meus pais. Quando deitei na cama o teto do quarto girava e aquilo me dava náuseas. Sentia minhas coxas tremerem. Foi horrível. Queria voltar ao normal e não conseguia. Acabei dormindo e acordei num estado deplorável no outro dia morrendo de vergonha e com uma dor de cabeça terrível. Perdi o namorado e a vontade de tomar vinho. Não podia com o cheiro nem de um simples sagu e isso se estendeu por vários anos da minha vida.

Por isso Tito, não me sinto com propriedade para falar do assunto, por que há poucos anos que aprendi a gostar de bons vinhos devido ao trauma do vinho bagaceiro que tomei na adolescência. Mas quem sabe falamos em whisky? Daí sim, o assunto pode se ampliar... Coff!!! Coff!!! Coff!!

Um brinde! Com vinho do Porto, doce e forte, como o abraço que te dou agradecendo a tua participação aqui no blog.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mentiras sinceras me interessam

Minha mãe costuma pegar pesado na sinceridade. Cresci ouvindo ela dizer que meu sorriso era idêntico ao da Zezé Mota. Eu, bem faceira sorrindo e pá! Lá vinha o comentário:
- Mas ela é a cara da Zezé Mota, olha só! Ri e fecha os olhinhos... Além de ter um bocão.

Vamos combinar que parecer com a Zezé Mota não é a melhor coisa do mundo, não é mesmo? Pra completar ela elogiava minha vizinha (Gabi) dizendo que ela era a cara da Brooke Shields. Daí sim, meu complexo piorou.

Cada vez que enxergava a Zezé Mota numa novela tentava ficar bem séria para não parecer com ela. Não gostava disso, ponto. Com o tempo minha mãe começou a dizer que eu estava ficando parecida com a Betty Boop. Comecei a gostar da idéia e virei fã da bonequinha. Sexy, delicada, sempre de salto alto...

Maldita a hora que perguntei porque ela me associava a Betty Boop... A resposta veio com a sutileza de um rinoceronte:
- Porque tu tem um cabeção e a perna fina.

Valeu mãe! Também te amo!

P.S.: Me aguardem, existe o livro o sorriso do lagarto. Eu vou lançar o sorriso da Zezé.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ahãm

A cada dia que passa não sou mais quem era antes. A Renata de alguns meses atrás é completamente diferente da Renata que acordou e olhou para mim no espelho hoje de manhã. Estou me reconstruindo, formando uma nova mãe, uma nova profissional, uma nova mulher...
Não sei explicar, ando sem paciência para gente sem educação. Gente que fura a fila na maior cara de pau, que atira papel no chão. Decidi que não vou mais permitir que pessoas que não me fazem bem permaneçam no meu círculo de convivência e não vou mais socializar com quem não to afim. Achei que isso não fosse possível, mas descobri que sim.
Percebo que muita gente frequenta lugares que não gosta, conversa com quem não suporta e muitas vezes demonstra ser o que não é, somente para contentar os outros e não a si próprio. Cansei daquelas jantinhas com gente falsa, daqueles olhares recheados de hipocrisia, daquelas críticas vazias feitas por pessoas medíocres e imensamente frustradas. Tão bom se sentir livre de gente chata. Viver a vida da maneira que achar melhor.

Alguém se importa com o que se passa dentro de mim? Não. Somente eu. E portanto não preciso fazer cena no palco da vida muito distante do que existe nas coxias. Posso ser protagonista e atuar a cada dia com o roteiro da minha própria biografia. Quem não gostar que não assista.

* P.S.: Adoro esse macaco.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

No horizonte do meu lar







No horizonte do meu lar
O pôr-do-sol mais bonito
Luz que vem do infinito
Fico encantada a admirar
Meu cantinho, meu sossego
Ali está meu aconchego
Pra onde gosto de voltar



Renata Miranda

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

E o dente de leite caiu

Meu filhotinho acaba de perder seu primeiro dentinho de leite. Pode parecer algo banal que acontece corriqueiramente na boca de milhares de crianças por aí. Mas não pra mim que encaro isso como uma transição de uma etapa da vida.

Estar com ele nesse momento foi muito importante pra mim, pois tinha medo de como ele reagiria diante do sangue que sai em grande quantidade embora sem dor. Queria estar com ele para tornar aquele momento especial como um ritual de passagem. E consegui. Percebia que as risadas que ele dava era de nervosismo e a maneira como agi no momento fez com que ele percebesse que aquilo era importante acontecer.


Tiramos fotos, mandamos mensagens avisando o acontecido. Brindamos com guaraná. Guardei o dentinho com carinho na minha caixa de jóias para banhar sua base com ouro e colocar na minha gargantilha onde levo um bonequinho que simboliza meu filho. Mãe boba que sou, na agenda anotei: Primeiro dentinho do Gui caiu com seis aninhos no dia seis.


Combinei com ele que o primeiro dentinho seria meu, pedindo desculpas a fada do dente que no próximo irá trocar por um lindo presente, comemorando o momento em que ele amadurece e deixa de ser “aquela criança” que antes não tomava banho sozinha e ainda usava a mamadeira.


Quando olho para os olhinhos dele, sorrindo para o espelho conferindo a “porteirinha” que ficou entre os dentes, percebo que tudo passa muito rápido e sei que daqui uns dias o meu gurizinho estará pedindo a chave do carro.

Assim é a vida. Foi assim com meus pais e agora está sendo comigo. Os ciclos se repetem. A vida segue. O mundo gira. Que bom poder ver poesia nessas pequenas coisas. Que bom poder olhar o cotidiano com olhos de quem sabe amar.
E o dente de leite caiu Mesmo assim o Guilherme sorriu Em meio ao sangue que escorria Um momento, uma alegria Temos que comemorar Registrando o terminar Acaba uma etapa de vida Pra iniciar outra mais colorida Aos olhos de quem sabe amar

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eu & as estátuas

Não sei você, mas eu adoro interagir com as estátuas. Estão sempre dispostas a serem fotografadas ao nosso lado sem nenhum comentário chato, como daqueles que seu amigo mal-humorado que odeia posar para fotos faz. Quando enxergo uma estátua, pá... Tô eu lá do ladinho pronta para tirar uma foto.

Drummond. Sempre tão calado. Um bom ouvinte.

Queriiiidos. Um casal simpático.

Eu e Juscelino saindo da Cachaçaria em Búzios. Ele até tirou os sapatos e sentou depois do porre.

Verificando se não existe bichinho da cárie.
Praticamente amiga íntima.

Patrícia e eu no Projeto Tamar na Bahia.

Nos concentramos juntos.

Dá bejim na Natim.

Mamãe canguru.

Me mostrou um batom óteeeeemo que uso até hoje.

Ele sempre me cumprimenta quando vou ao Rio de Janeiro.


Sempre conversamos nas minhas idas à Brasília.

Sarah e Juscelino em Brasília. Extremamente simpáticos.

Nos reencontramos em Búzios e fui verificar se o sapato dele ainda estava quente.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O ato de cumprimentar

Vivemos numa sociedade e por mais que dê vontade de baixar a cabeça e não olhar para a cara de ninguém num dia de TPM, cumprimentar as pessoas é algo que deve ser feito independente de querer ou não.

Cumprimentamos automaticamente sem nem pensar muito. Outras vezes falamos um simples oi com um pensamento crítico em relação a pessoa que nos cumprimentou. Se cumprimentarmos e ela fingir que não viu, daí sim os pensamentos pioram no grau da crítica.

As pessoas normalmente estão com pressa e muitas vezes respondem um “oi tudo bem” apenas como uma forma de cumprimentar mesmo. Na verdade elas pensam:
- Oi. (estou com muita pressa...)
- Oi. (não tá nada bem, mas tudo bem...)
- Oi. (quero que você se exploda, nunca me cumprimenta e agora fica aí com um sorrizinho amarelo...)
- Oiê! Tudo bem! E contigo tudo bem? (Pergunta se eu quero sair pra jantar! Pergunta! Diz que eu tô linda! Fala alguma coisa seu idiota!)
- Oi. (mas tu tá gorda hein? Credo!)
- Oi. (mas o que ela tá fazendo que tá tão magra? Deve estar se entupindo de boleta!)
- Oi. (esse aí deve estar mexendo com tóxico, de carrão novo!)
- Oi. (O babaca bem faceiro com as guampas lá no teto)
- Oi. (PQP vai ser lindo assim lá em casa!)
- Oi. (Melhor agora que tu chegou. Ai Meus Deus que boca linda!)
- Oi. (Imagina essa criatura limpando o nariz, pelado, sentado no vaso. Não deve ser tão lindo assim. Pensando bem, deve sim.)

Pois bem, existe diferença entre o "oi" e o "ó". O “ó” é desprezível. Você despreza alguém, mas larga um “ó” ao invés de “oi”. Nesse caso o pensamento é bem sutil tipo:
- Ó. (Babaca).
- Ó. (Imbecil).
- Ó. (Ridículo).

Normalmente eu respondo tudo bem e contigo? A pessoa responde tudo bem e saímos bem faceiros pela rua. Na maioria das vezes respondo como se estivesse no piloto automático. Nem penso na resposta, cumprimento e sigo pensando no que eu tenho para fazer naquele momento. Tipo:
- Oi tudo bem? (pensando: Acho que uns 500 gramas de guizado dá para fazer uns quantos pastéis. Vou comprar essa quantidade mesmo!)

Mas nem sempre é assim. Em alguns momentos digo: Oi tudo bem? E a pessoa me pega pelo braço e começa:

Bem...Não tão bem, a Vó Tertuliana morreu faz 1 ano, simplesmente dormiu e não acordou até hoje. A Vó Marculina morreu faz bem pouquinho tempo, essa sofreu como uma condenada coitada! Teve AVC e depois pegou pneumonia. Pra completar ficou com umas feridas na perna de tanto ficar deitada que era a visão do inferno. Foi um horror! Eu to bem agora, mas me separei há três anos atrás menina e foi um horror, chorava todos os dias, quase me desidratei, sabecumé né, a gente nunca espera que vai levar um chifre e quando vê pá o chifre tá lá bem grande no meio da nossa testa. Sabe que já que tu perguntou eu lembrei de te contar que o pai está bem, mas casou com uma bisca que não sei nem de onde ele tirou, tá morando atrás da casa do Leôncio, mas tá feliz é o que importa. A mãe já é mais complicado porque tá com artrite, artrose, labirintite, lordose e gastrite. Affff....Resumidamente é isso... Tirando que passei a noite toda com dor na bexiga com uma cistite horrível. Já falei com o Dr. Astério, mas ele me disse que já me deu todos os remédios possíveis para infecção urinária e não sabe mais o que vai fazer comigo. Eu acho que deve ser um tumor maligno de repente, que tu acha? Me diz, afinal tu já trabalhou na Unimed, tu é praticamente médica, de repente tu até sabe o que eu posso tomar para a dor na coluna. Tu acredita que ontem eu não conseguia me levantar da cama de tanta dor? Mas assim, só dói quando eu respiro sabe?

Daí eu respondo:
- Credo! Já pensou em fazer Yoga? Yoga é ótimo! (Já me distanciando).
- Mas criatura eu não consigo ter tempo pra nada! Só fico limpando a casa e cozinhando para a família inteira. Já te falei que o meu filho se formou? Pois é... Vai casar. E tu acredita que vai morar bem longe de mim? Eu não acredito nisso, vou tentar fazer alguma coisa, mas sabe como é minha nora.
- Bueno, eu preciso ir, outro dia a gente se fala, manda um abraço para a família!
- Peraí, volta aqui guria, deixa eu te contar...
- Desculpe, to com uma pressa danada. (Engata uma “primeira” nas pernas e te arranca de perto da criatura!)

Concluindo: Mesmo que você esteja muito mal e o mundo esteja caindo com um tsunami vindo em tua direção, simplesmente responda: - Oi, tudo bem! E siga caminhando em direção ao seu destino. Só isso. FUI CLARA?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ponto de vista

Aprendemos muito com a vida. Errando e acertando. Encontramos em nosso caminho pessoas dignas de serem admiradas, outras vezes nos enganamos feio. As cascas externas não demonstram a podridão da árvore e só descobrimos isso quando ela é retirada. Portanto não vale a pena perder tempo com árvores podres e vazias por dentro.

Dirija teu olhar para novos horizontes, onde germinam sementes boas. Nessa vida, dinheiro, carrões, cifras... Nada disso tem valor algum quando não se tem dignidade e vergonha na cara. Essência e não aparência. Amar a si próprio antes de amar os outros, sendo digno de respeito e consideração. Não ser motivo de piadas para ninguém. Poder andar na rua de cabeça erguida, dando exemplo aos filhos durante a vida.

Errar não é feio, podemos corrigir sempre em tempo hábil, mudando o cenário completamente em busca da felicidade, desde que isso não estrague nossa essência e nem sequer arranhe a nossa dignidade.

Somos responsáveis por aquilo que cativamos. Quando estamos no meio de pessoas de bem, positivas e felizes, ficamos como elas e irradiamos luz, alegria, energia boa e com isso recebemos em troca aquilo que emitimos. Mas se estivermos perto de pessoas negativas, invejosas, infelizes, recalcadas, falsas, só conseguiremos nos envolver nesse tipo de energia e seremos um deles sem perceber. Afastaremos de nós quem não se sente bem com isso e viveremos num mundo de intrigas, mesquinharias e energia negativa.

É como se emaranhar numa trama nojenta e gosmenta e não conseguir mais sair dela. Às vezes acreditamos nas pessoas por não conhecê-las, e quando conhecemos percebemos que nada tem a ver com a gente. São pessoas muito diferentes, que não nos acrescentam em nada, pelo contrário, só nos desgastam e nos trazem tristezas.

Nós podemos escolher: luz ou escuridão? A resposta nós sabemos, o que falta é atitude.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A inércia do amor

É preciso uma atitude interna. Parar, refletir, respirar, escutar o que o coração diz. Dificilmente conseguimos prestar atenção no que ele diz, porque o cérebro não deixa. Fica gritando mais alto. E nessa guerra de quem grita mais alto ficamos nós, no meio da confusão sem saber se escuta o coração ou a razão.

O som do silêncio proporciona um processo de transformação e autoconhecimento. As mudanças têm que ser feitas com muita sinceridade para que a alma fique realmente tranquila. Não adianta sair por aí enganando a si próprio sobre questões que surgem no decorrer do tempo. É difícil conviver em paz com nós mesmos e com a realidade que nos cerca.

Somos vaidade, mesmo sabendo que isso não tem valor algum. Somos imagem, mesmo sabendo que o que importa é a essência de cada um. Somos aquilo que queremos ser, diante do que construímos, do que almejamos, do que alcançamos. Somos o que nossas atitudes nos transformam. Somos um pouco de tudo aquilo que um dia pensamos em ser e até mesmo aquilo que não gostaríamos de ser.

Podemos nos encontrar sozinhos no meio da multidão e não saber para onde ir mesmo tendo uma casa para voltar. Podemos sentir que algo se perdeu em meio a tantas alegrias e realizações que aos poucos foram sufocadas pelo descaso, indiferença, carência afetiva, ganância e solidão.

Bens materiais, grandes planos, dinheiro, posição social, carros do ano. De repente você se dá conta que nada disso tem valor quando o coração está vazio de sentimentos que te façam vibrar. De repente você se dá conta que nada mais faz sentido dentro de você se o coração não estiver batendo a ponto de você escutar. A ponto de te fazer flutuar e suspirar sentindo o amor no ar.

A chave pra tudo está no amor. Negligenciamos os cuidados com ele quando ficamos cegos por questões que se afastam da nossa essência. Quando estamos amando conduzimos o trabalho sem excessos porque não vemos a hora de estar perto do ser amado, conseguimos manter aquela dieta equilibrada porque muito provavelmente estamos ocupados fazendo algo que nos dê prazer com nosso amor, conseguimos fazer planos, querer melhorar, crescer para poder ser sempre admirado por quem se ama e manter isso aceso por muito tempo. Somos melhores quando amamos e ficamos mal quando o coração está machucado. Nada funciona direito quando apenas essa questão está em jogo. Você consegue superar tudo quando está bem no quesito relacionamento, mas não consegue se concentrar em nada quando o coração está ferido.

Acabe com todos os parasitas a tua volta, tudo que sugue tua energia. Elimine tudo que te causa sofrimento. Procure sentir paz. Reordene seus pensamentos. Defina seu foco. Perdoe o que passou e não se culpe por nada. Você precisa reagir e se abrir para o amor. E através dele encontrar tuas respostas. Enquanto a tristeza estiver ocupando teu coração, não haverá espaço para os sentimentos bons. É hora de reagir e decidir se você quer ou não transformar sua realidade. Pergunte a si mesma se está bom do jeito que está e se não estiver, o que deve mudar. Mas não depende de ninguém além de você mesma. Os nossos resultados dependem das nossas ações.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje acordei meio Nelson Rodrigues

Não sei você, mas eu tenho verdadeira adoração por Nelson Rodrigues. Aquele sarcasmo com humor inteligente. Aquela maneira de escrever a vida exatamente do jeito que ela é, recheada de verdades que chocam muitas vezes.

Sinto que tem um pouco dele dentro de mim. Sim, eu admito. Quando leio suas frases do tipo:
“Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém” ou então “Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas”, fico pensando que existe uma genialidade nessa forma de escrita.

Escrever o que realmente é. A verdade jogada na cara das pessoas que mesmo não concordando com isso, acabam refletindo no silêncio do seu raciocínio que aquilo tem lógica. Como se dissesse o óbvio, mas que para muita gente não pode ser dito. As pessoas beijam, fazem amor, sentem tesão, masturbam-se e sentem milhares de coisas que todos nós sentimos. Mas ao falar de qualquer dessas questões o mundo acaba. As pessoas gelam, envergonham-se. Não, nada disso pode ser dito. Não podemos tocar em assuntos do gênero, pois isso não condiz com o que seria apropriado e correto dentro dos padrões da moral e dos bons costumes. Mas todo mundo faz.

Quando o autor faz referência a uma adúltera por exemplo, dizendo que ela é a mulher mais pura porque está livre do desejo que apodrecia nela, ele consegue não só causar indignação como uma reflexão por parte das mulheres que um dia sonham em buscar outras alternativas, não como adúlteras, mas como mulheres livres. Ele traz reflexão em meio ao que seria uma agressão para quem lê. Ele choca, gera polêmica. Mas ele diz verdades. E por serem verdades, podem irritar muita gente.

Hoje é meu lado Nelson Rodrigues que escreve. Vocês repararam como nosso foco muda completamente conforme nossa vida vai passando? Quando estamos fazendo vestibular, tudo que falar em resumo das matérias para as provas parece ter um neon vermelho nos chamando. Como se o mundo todo estivesse fazendo vestibular.

Depois dependendo do curso que escolhemos, achamos que todos deveriam fazer nosso curso, pois é incrível como ele se aplica em diversas situações e é de fundamental importância na vida das pessoas.

Então resolvemos casar. Perceberam que revistas de noivas parecem brotar nas bancas, na fila do supermercado, na internet? Uma simples passeada no shopping faz você enlouquecer quando percebe que o universo está conspirando a teu favor colocando aos teus pés uma feirinha de noivas.

O tempo passa mais um pouco e você engravida. Pronto! Mas como é que nunca reparamos antes que existiam bebês por todos os lados? Verdadeiros gremlins que se multiplicam sem controle algum e a sensação que se tem é que tudo que você enxerga são artigos de bebê.

Então por acaso do destino você se separa, e começa a perceber que metade da população também se separou e faz tempo. Começa a gostar de conversar com pessoas que tiveram a mesma experiência. Simpatiza mais com aquela pessoa que tem uma história parecida com a tua. Nota que até a propaganda da margarina mudou de família feliz com um casal de filhos para o menininho comendo pão com margarina e perguntando para o namorado da mãe quais as intenções dele.

Mas e o lado Nelson Rodrigues onde está? Está em dizer que quando não estamos passando por determinadas coisas que não coincidem com nosso momento de vida, não nos importamos com o que está fora do foco. Não percebo os bebês na rua quando estou focada no trabalho. Talvez uma bela pasta de couro me chame mais atenção do que um bebê lindo de olhos azuis passando do outro lado da rua. Sarcástico dizer isso? Não, verdadeiro.

Na real cada um se preocupa com o próprio umbigo e quando algo não está dentro do seu foco e da sua forma de ver a vida, então é imediatamente ignorado e muitas vezes criticado. Viramos seres compreensivos quando vivemos na pele determinadas situações em comum com a situação compreendida.

O que é correto para você? Qual seu ideal de vida? O que realmente vale a pena para chegar na morte com a sensação de dever cumprido? Não sei, mas o que você pensa pode ser totalmente errado e sem graça para mim e vice-versa. E daí? Que se dane! Quer saber, a verdade nua e crua é que todo mundo faz cocô e aniversário igual a todo mundo e ninguém é mais ou menos que ninguém porque teve determinados focos diferentes durante a vida.

Viva, simplesmente viva da maneira que lhe convém, com os teus conceitos de felicidade e livre-se da camada asfixiante e podre da opinião alheia. Afinal, todos nós vamos morrer, isso é fato. Mas o que importa é se ao morrermos conseguimos ter a vida preenchida com nossos atos voltados para o nosso foco e não para o foco de outras pessoas que nos utilizaram como fantoches humanos para satisfazer seus ideais de vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

GAROTA TPM

Uma mulher-bomba. Pavio curto. Explosiva. Podendo causar explosões terríveis e devastadoras. Nitroglicerina pura. Detonando tudo que está em frente no mínimo há 2.000 metros por segundo. Uma reação química onde o amor é o elemento que impulsiona e a vontade de ser feliz é o combustível. Em outras horas o ódio é o elemento que substitui o amor e o combustível é formado pela intolerância.

Explosivos podem ser usados para desmontar, escavar e mover rochas na mineração. Mas uma mulher na TPM é capaz de muito mais do que isso. É capaz de bombardear com um simples olhar, destruir com um simples gesto hostil ou desmoronar um coração com um ato de sensibilidade extrema.

A mais primitiva técnica de desmonte de rocha consistia, além da quebra com instrumentos como martelos e marretas, no aquecimento por fogueira e resfriamento rápido da rocha com água fria, causando pequenas rachaduras. Mas uma mulher pode desmontar um homem com um simples “não”.

Nitroglicerina com diatomito = Dinamite = Mulher na TPM. Mulher espoleta, sempre deixando um rastro de pólvora por onde quer que passe.

Eu posso me considerar uma Garota TPM. Uma faísca altamente inflamável. Pelo menos não sou ANFO que não possui resistência ao ataque da água, de modo que quando em contato com esta, não detona. Eu detono aonde quer que esteja. Vamos combinar!

Nobel deve estar se revirando no túmulo quando em espírito estava ao meu lado lendo essa "coisa" que acabo de escrever.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A nossa velha infância

Amigos de infância. É estranho. É como se eles ainda existissem lá, no nosso passado, do mesmo tamanho, com as mesmas roupas, com os mesmos brinquedos e só nós que acabamos crescendo. Parece que ao lembrá-los me transporto para um lugar gostoso onde adorava ficar. Era tão bom. Tinha tantas coisas agradáveis para fazer.

Nossos amigos crescem, seguem caminhos diferentes e muitas vezes nunca mais avistamos até mesmo aqueles mais queridos que sentimos um carinho profundo. Pode ser que estejam casados, com filhos. Ah! Não, não consigo imaginar a Deysi Cioccary mãe. Ela é muito maluca. Uma maluca adorável, mas totalmente maluca. É capaz de colocar o filho no microondas e nanar a mamadeira. Pelo menos era há dezesseis anos atrás. Se bem que ela deve pensar a mesma coisa a meu respeito. Aliás, as minhas melhores gargalhadas dei com ela em nossos quartos.

A Mel nem sei por onde anda. Sinto uma saudade muito apertada do tempo que saíamos juntas. A Carine que era a rainha do miojo com maionese às três horas da tarde, hoje mora na Europa bem feliz com seu Matheus e o filhote Luca que é uma coisa de lindo. Lembro que o Matheus era um gurizinho que só sabia jogar bola ao lado da casa dele e não cumprimentava a gente quando tinha uns sete anos. Bem, pelo menos hoje ele cumprimenta e é bem querido. Guardo o sorriso de aparelho da Carô na memória e lembro que ela "voava" de carro conosco quando tínhamos uns quatorze anos. O nosso anjo da guarda teve trabalho.

O Marcelo Barcellos tentou me beijar a força quando tínhamos uns cinco anos e hoje ele nem lembra disso.Pior é o Adriano Medeiros que era pai das minhas bonecas e nem sonha que isso um dia aconteceu.

Lembro do galho de mamona que eu e meus primos atiramos no carro do pai da Jô e no outro dia ela me massacrou no colégio. Ela era filha única cujo pai ensinou a dirigir com nove anos e a gente achava o máximo passear com ela. Não acreditei quando ela me levou em casa de carro na saída da escola. Ela mal alcançava os pedais. Cheguei em casa pedindo para o meu pai me ensinar a dirigir e ele achou que eu estava louca.

A Clarissa odiava o uniforme do colégio na terceira série. Era a única que não usava. E boa parte da galera resolveu colocar um botão colorido no uniforme para diferenciar a turma. Era botão rosa choque, outro verde-limão e assim estava formado a rebeldia contra o uniforme azul marinho horrível do Januária Leal.

A Fernanda Mayora tinha a “casa de vó” mais divertida, pois além daquele porão bem mais legal que o da minha vó, o tio dela tinha um supermercado ao lado que tornava tudo muito mais legal.

A Raquel Monks me apresentou pipoca com fondor e desde então nunca mais comi pipoca com sal. A Gabi, que morava ao lado da casa da minha mãe, era a guria mais linda que conheci. Lembro que queria ser a Gabi quando fosse maior. Reencontrei ela no Orkut e ela continua linda. E eu cresci e não consegui ser a Gabi. Droga! Ela tinha dois irmãos e eles tinham um autorama gigante na garagem que era o acontecimento da rua.

A Cláudia Torres jogava sapata comigo depois da escola. A mãe dela ia buscá-la na minha casa e a gente sempre negociava uma prorrogação. Sem-pre. A Dani Amado era minha companheira de Garelli, a gente passeava por toda cidade e nossos cabelos fediam a gasolina. Aliás, do meu tempo de Garelli, muitas histórias para contar, mas a melhor delas ainda foi com a Carol Abascal, a Vania Cavalheiro e a Roberta Casanova quando andamos no camburão da polícia de carona, já que eles pegaram nossas motos. Na hora de chamar nossos pais, mentimos que éramos órfãs. Não colou. As motos ficaram presas e nós com um problemão na mão. Naquele dia todos os pais estavam fora da cidade por coincidência do destino e foi brabo quando eles chegaram em casa.

O bolo de banana na casa da Renata Severo. Hummmmmmmm. Assistindo Super Xuxa contra o Baixo Astral. A primeira vez que vi um vídeo-cassete na minha frente. Sério! A festa-surpresa que fizemos para a Biscoito e usei toda a tinta da impressora da minha mãe com cartazes para a festa. Nos juntamos e torramos a mesada porque resolvemos dar um som pra ela de presente.

As festinhas à meia-luz e música lenta, aquele monte de adolescentes com um narigão horrível e um pé do tamanho de uma lancha. As “funções” da tarde quando tínhamos tempo livre, todo mundo se juntava numa casa para ver filme e comer sem parar o que tivesse na despensa. Tudo era um evento. Tardes na casa da Melissa, tardes na casa da Carine, tardes na casa do Max. Tudo tinha um motivo para virar acontecimento.

Quando começamos a sair à noite, éramos conhecidas nas boates, se é que hoje chamam de boates, ai... Tô ficando velha. Hoje é balada Renata! Saíamos quando o DJ anunciava a última música e bebíamos até cair. Um fiasco! Era fiasquento, mas era tão bom! Aliás, meu primeiro porre foi na casa da Mel e eu vomitei todo o carpete do corredor e do quarto do irmão dela. A irmã mais nova dela me olhava e vomitava também. A casa virou uma "coisa". Obviamente que os pais dela não estavam em casa. Tinha um porta-retrato com uma mãozinha pra cima que não parava de girar e me abanar. Porre de vinho tinto.

Depois, cada uma de nós começou a namorar e aí foi o ponto X da questão. Ou seria o ponto G da questão? Se é que vocês me entendem... Aliás, parecia um rodízio de irmãos de amigas, eu namorei o irmão da Mel e da Renata. Depois todas as minhas amigas namoraram o irmão da Mel enquanto eu namorava o irmão da Renata. Um horror! Até que um dia a gente foi morar em outra cidade e descobrimos que existia outros homens que não eram os irmãos de nossas amigas. Cada um foi para um lado diferente e depois do vestibular então, piorou. Separou pra sempre “até agora” entenderam? Nada que o Orkut não resolva.

Mas a saudade ficou. As lembranças ficaram e quando relembro, dou um sorriso de canto de boca e posso dizer para o meu filho que aproveite bem os amigos de infância dele, pois eles irão acompanhá-lo para onde quer que vá no futuro, dentro de sua memória e do seu coração.

domingo, 15 de agosto de 2010

Eu, o vinho e o limão




"Mi Buenos Aires querido, cuando yo te vuelva a ver, no habra más penas ni olvido"

sábado, 17 de julho de 2010

Trem da vida

Antes de embarcar vamos falar de sentimento, que vem do verbo sentir, perceber por meio de qualquer um dos sentidos, experimentar uma sensação física, perceber algo que se passa em seu próprio corpo, ser sensível, em outras palavras seguir o coração, eliminar a sensação de agonia que invade o peito e toma conta da alma. Quando sofremos, podemos escolher onde estará o ponto de quebra desse sentimento ruim. Até onde eu deixo ir uma determinada situação que não está sendo boa para mim.

Vamos falar de julgamento, decidir, fulminar por palpites, apreciar, avaliar, formar juízo a respeito de algo ou de alguém, formar juízo crítico, formar conceito sobre alguém ou alguma coisa, imaginar, supor. Como é fácil apontar o dedo para frente e esquecer que três estão apontados para si próprio. Como é fácil chegar num determinado lugar e elaborar um relatório geral do ambiente e no entanto como é difícil chegar em casa no silêncio do quarto e se autoanalisar.

Vamos falar do tempo, esse carrasco que pode terminar com nossa vida em segundos. Einstein já dizia através da Teoria da Relatividade que o tempo é relativo, experimente colocar o dedo no fogo e verás que um minuto é uma eternidade e ao falar com seu amor no telefone esse mesmo minuto passa voando. O tempo que passa independente de nossa vontade. O tempo que cura e que pode arrancar pessoas de nós. Ele passa, não adianta. Passa e muito rápido. Será que vale a pena desperdicá-lo? Será que ao fazer isso não estamos desperdiçando vida? Gastando inutilmente o nosso tempo com algo que não tem valor algum?

Quando menos esperamos o tempo acaba. É hora de partir. Podemos aproveitar cada minuto, descobrindo novos caminhos, buscando equilíbrio dos sentimentos e aproveitar esse tempo de modo que a vida seja preenchida com vida. Todos temos passado e todos vivemos o presente. Porém nem todos terão futuro. E isso deve sim ser levado em consideração. Posso morrer nesse instante ao terminar de postar esse texto. Não sei quanto tenho de tempo.

Vamos falar de amor. Como é bom sentir o amor transbordando pelos poros e poder viver isso sem a preocupação do julgamento alheio, mas observando o sentimento de felicidade que toma conta de todas as nossas células e move a vida para frente. Com paisagens coloridas, com risadas, sem feridas, mas sentindo paixão pela vida.

Vamos falar de vida. Essa maravilhosa e complexa viagem, onde embarcamos em meio a alegrias e tristezas e aos poucos vamos descobrindo maneiras de aproveitar melhor o percurso. Se estivéssemos num trem, poderíamos fazer uma analogia com o comportamento humano, onde algumas pessoas aproveitam cada minuto, observando a paisagem e experimentando novas sensações no decorrer da viagem. Se uma poltrona não está boa, experimenta-se outra, se estivermos na área de fumantes, levantamos simplesmente e trocamos de cabine, se sobrou uma vaga na janela bem na hora da paisagem mais bela, corremos para conseguir o melhor lugar e por ali sentar.

Algumas pessoas não conseguem fazer isso, pois ficam paralisadas no meio onde estão inseridas mesmo sem gostar. Elas não quebram paradigmas, elas não buscam sentimentos de alegria, de felicidade, de paz. Elas vivem presas na mesma cabine de sempre, numa ala de fumantes mesmo detestando o cheiro de cigarro, se contentam com a pior poltrona do trem por medo de mudar de lugar. Afinal, o que os outros vão pensar?

E assim chegam ao final do percurso e ao olhar para trás e ver que a vida passou e que a viagem foi uma verdadeira mesmice o tempo todo, mal conseguem perceber a alegria de alguns que adoraram tudo que viram, tudo que presenciaram, tudo que experimentaram durante a viagem. O percurso e o tempo pode ser o mesmo para todos nós, o que muda é o sentimento, o julgamento, o amor e como escolhemos viver a nossa vida no decorrer da viagem. É poder chegar ao fim da linha satisfeito pela vida bem vivida e poder sorrir sabendo que tudo valeu a pena.
Cafonérrimo esse texto, mas verdadeiro. Garçom, aumenta o som do Reginaldo Rossi por favor?!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Síndrome de Peter Pan

Pessoas bobas como eu não poderiam ter filhos. Pode ser perigoso para a educação da criança. Além de insuportável para quem convive diariamente com isso. Tenho pena dos meus colegas de trabalho e da minha família. Vou explicar por que: Eu tenho síndrome de Peter Pan. Eu não quero crescer. Prefiro ficar no meio de um monte de crianças do que num lugar conversando com adultos sobre a crise na bolsa de valores e as flutuações do dólar.

Tem dias que eu olho para o lado e fico procurando um adulto para me salvar. Então em alguns segundos cai a ficha e percebo que a adulta sou eu e tenho que demonstrar coragem diante do meu filho. Mas confesso, que adoraria sair gritando e pedindo socorro para minha mãe quando ele se arrebenta e vem com um corte sangrando para o meu lado.

Quando vejo um grupinho de crianças sinto como se um imã me puxasse ao encontro delas, gosto de entrevistá-las enquanto bolamos esculturas excêntricas de massinha de modelar e adoro as respostas.Quando chego à escola do meu filho adoro me sentir um pote de milho na volta das galinhas, que no caso são pintinhos. Adoro aquele monte de crianças na minha volta querendo beijar a mãe do Gui. Se estou dirigindo e vejo uma criança olhando pelo vidro traseiro no carro da frente não resisto, começo a abanar, sorrir e se ela for legal brincamos de fazer caretas durante o trajeto.

O problema é que com isso a minha bobice é alimentada com doses diárias de bobagens. Percebi quando ofereci um chimarrão para meus colegas de sala (até parece que estou num presídio, mas daí seria cela, deixa pra lá) e complementei a frase dizendo:
- Quem quer um chimarrão põe o dedo aqui, senão vai fechar o abacaxi!

Putz! É de doer, eu sei. Mas quando vi já tinha feito. “Bobo é tu cara de tatu” é direto. “Chouriço pra comer na hora do serviço” também, mas só quando quero me livrar da pergunta “Mãe, o que é isso?” e eu não sei a resposta. O “enganei o bobo na casca do ovo” eu ainda não usei, mas é só uma questão de tempo.

E quando dirijo numa estrada extremamente movimentada com meu filho dentro do carro sendo a adulta e responsável que não sou, não preciso dizer que quando chego ao destino meus músculos estão tão tensos que para quem olha imagina logo de cara que estou imitando um pingüim caminhando.

É diferente ser responsável por outras pessoas. É diferente assumir riscos e ter que monitorar cada segundo de uma ultrapassagem para que ninguém que amamos corra riscos por nossa culpa. É diferente ter que assumir um papel onde tudo fica nas nossas costas e qualquer deslize pode ser fatal.

Não importa a idade que temos, há sempre um momento em que sentimos vontade de chamar um adulto para que nos diga o que fazer ou nos mostre como agir, como se assumíssemos a total falta de maturidade em enfrentar algo que nos meta medo e que no fundo sabemos que temos que enfrentar sem que ninguém perceba nosso pânico.

Tudo começa lá, na adolescência quando estamos ensaiando para entrar na vida adulta e conquistamos a tão sonhada chave de casa, depois do carro e depois do apartamento em outra cidade quando decidimos estudar longe. Começamos a pisar em terreno desconhecido brincando de ser adulto sem ser e quando menos percebemos os adultos que estão assumindo o posto de adultos são ninguém menos que nós mesmos. Isso assusta.

Lá pelas tantas, gostamos de saber que as pessoas confiam em nossa aparente maturidade e que conduzimos as coisas com perfeição. Tudo acaba bem por que fazemos com que elas acabem bem. Acabamos sentindo um alívio por termos vencido o medo. No fundo, bem no fundinho, esse misto de prazer e insegurança nos transporta para um lugar estranho onde só nós sabemos que nossas certezas não são assim tão sólidas como nossos filhos acham que são e que não somos tão incapazes como achávamos que seríamos.

Mas vamos parar por aqui, porque acho que não quero que meu filho saiba que morro de medo de ser adulta às vezes e quase sempre preciso de um adulto por perto para me salvar das enrascadas. Coisa de adulta criança, sabe como é. Coisa de quem sofre de Síndrome de Peter Pan definitivamente.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Momento Amy Wynehouse

Renata, Boa Tarde! Ai vai uma idéia para um assunto no mínimo curioso chamado "Fã" afinal você também já possui os seus... Até porque me enquadro assim, sou sua assídua leitora, não perco nenhuma de suas postagens... Divirto-me horrores lendo tudo que escreve. Então... fala ai pra gente! Bjs
Roberta Almeida



Oi Roberta, sabe que eu adoro esse teu nome? É o nome da minha irmã e convivo até hoje com pessoas que insistem em me chamar assim. Eu até atendo por Roberta de tão acostumada que estou. Acho que é a maldição de todas as irmãs Roberta e Renata que conheço na vida. Ainda bem que não é Pafúncia o nome da minha mana. Obrigada pela dica de texto. Isso é sempre recebido com muito carinho por mim.

Falar de fã? Hummmm... Me vem a cabeça pessoas que admiram algo em alguém e isso pode ser expressado em diferentes níveis. Existe aquele fã discreto que admira a distância e acompanha todos os passos do objeto da sua admiração. Existe também os fãs que se vestem como o seu “ídolo” e procuram fazer as mesmas coisas que ele faz. Tem os fãs psicopatas do estilo do “bem certinho da cabeça” que matou John Lenon. Os fãs que choram, se escabelam e tem verdadeiros orgasmos múltiplos ao tocar na mão do ídolo. Tem aquele fã simpático que faz uma carinha de feliz quando te enxerga e vem correndo em tua direção com um sorrisão no rosto te abraçar e expressar o quanto te admira. Tem aquele que pede para tirar foto e depois coloca no orkut bem orgulhoso.

Seja qual for o tipo de fanatismo, o que importa é saber receber esse carinho das pessoas sem esquecer que ser objeto de admiração significa também ser alvo de observação e portanto devemos prestar atenção em nossos atos. Vocês já viram que sempre tem um paparazzi para fotografar aquela atriz famosérrima bem na hora que ela saiu horrenda na rua para comprar um absorvente na esquina?

E a famosa Amy Winehouse que quanto mais apronta mais fãs consegue? Ela não está nem aí pra nada e se você digitar o nome dela no google vai se deliciar com cenas toscas da cara da vivente. Mas ela é admirada independente disso pelo vozeirão que tem e tal.

Acho que deve haver um equilíbrio entre fãs e ídolos. Nenhuma das partes pode pirar o cabeção. Ambos devem saber que todos são seres humanos que fazem cocô e aniversário. Não há nada de sobrenatural em ninguém. É claro que o grau de loucura do fanatismo tem muito a ver com a dificuldade de encostar no ídolo. Quanto mais difícil for, maior é o escândalo na hora orgásmica da aparição. Acho que se o George Clooney aparecer na minha frente eu tenho um piripaque, começo a chorar, gritar, me escabelar e implorar que ele case comigo hoje. Tá bem vai, confesso que prefiro o Enrique. Mas se ver por exemplo o Alcy Cheuiche que é um escritor Caçapavano que sou fã e vejo toda hora não sinto a menor vontade de fazer isso. Nem dou bola quando o vejo comprando pão na mesma padaria que eu. Eu hein?

Não sei não, só sei que eu sou muuuuuuiiito fã de todos vocês que se escondem aqui comigo e por mais que vocês aprontem como a Amy eu vou amar vocês igual. Finalizo com um exemplo do que pode acontecer com os fãs que arranjamos por aí. Abaixo uma foto de uma festa a fantasia onde acompanhei os alunos da universidade em que trabalho num congresso no Rio de Janeiro. O tempo passou e uma das alunas me mostrou o orkut do vivente com uma foto minha com uma frase escrota na legenda.

É... Pois é...

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Eu tenho medo da bruxa do 71

Sim, ela existe. Tem cara de bruxa, jeito de bruxa e mau-humor de bruxa. Ela é vampira. Ela suga a energia de todos a sua volta e contamina o ambiente. Ela te olha com cara de nojo e tem cara de quem não suporta ver o próprio reflexo no espelho, aliás, com razão.

Ela manipula quem ama e isola do resto da população com medo que alguém consiga estragar seu campo de manipulação. Ela é negativa. Ela é cinza, sem cor, sem entusiasmo, sem amor no coração. Ela pensa que tem amor pelas pessoas, mas ela não tem amor nem por si mesma.

Ela pensa que alguém se importa com o que ela pensa, quando na verdade todos se apavoram com seu pessimismo e amargura. Como boa vampira que é, ela repele as pessoas com energia boa porque não suporta ver os outros brilharem.

Tudo é feio, tudo é pequeno, tudo é infinitamente hostil ao seu redor. Se fosse desenho animado sairiam aquelas cobrinhas e caverinhas de sua boca na historinha toda. Ela pra sempre será lembrada como aquela pessoa negativa e infeliz que só o que soube fazer na vida foi plantar sementes podres e deixar na lembrança dos outros sua cara de bruxa malvada que saiu direto das histórias da Branca de Neve para entregar maçãs envenenadas por aí. Diga-se de passagem, com o veneno do próprio dente.

Você conhece gente assim? Eu conheço uma. Uma pessoa que é exatamente assim e o que mais me chama atenção é ver que ela não tem remédio. Está no DNA. Faz parte da sua natureza e o que podemos fazer é simplesmente nos afastarmos com olhar cheio de pena por saber que ela não tem o prazer de dar uma boa gargalhada da vida e por não lembrar de quando foi a última vez que conseguiu dormir sorrindo com paz e amor no coração, além de sair cantando rua afora algo mais ou menos assim: “E-e... Ela não é de nada... Oiá... Essa cara amarrada é só um jeito de viver na pioooooooor... E-e... Ela não é de nada oiá... Essa cara amarrada é só, um jeito de viver nesse mundo de mágoas”