sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval


Para mim carnaval é um delicioso feriadão prolongado feito para descansar a cabeça e desligar-se dos problemas bem longe de casa e do trabalho e naturalmente ao som de um sambinha por perto.

Na ala "Libera Geral" temos vagabundas que ficam completamente ouriçadas. Os caras “sem-vergonha” terminam o namoro de quatro anos para galinhar nas quatro noites. O diabo fica solto. A galera esquece da AIDS, da sífilis, da gonorréia, da herpes genital, da candidíase, do condiloma, do granuloma, do trichomonas, do HPV e principalmente da camisinha. Aliás, muitos filhos por aí foram feitos num carnaval. A galera “dá” adoidado, ô beleza! Atrás da cortina do clube, embaixo da escada, no banheiro, atrás da árvore, dentro do mar, no meio da multidão. Tem gente que enlouquece. Nunca entendi porque no carnaval pode e no resto do ano nada disso acontece. A sensação que dá é que no período carnavalesco as pessoas não raciocinam e permitem-se fazer e acontecer sem limites como se na quarta-feira de cinzas a vida não fosse continuar seu curso normalmente. Isso me assusta!

É vagaba dando em cima do marido das outras. É "fiadaputa" arrumando briga porque passou a mão na bunda da mulher do outro. É gente se agarrando e enfiando a mão em tudo que é buraco do corpo humano e no outro dia nem se cumprimentam. Uma chupa a língua do vivente que nunca viu na frente e dali cinco minutos ta chupando a língua de outro, ou dependendo da doideira de outra. Um festival de putaria.

Na ala dos doidão temos a galera que faz “diumtudo” porque é carnaval. Tem gente que emenda as quatro noites sem dormir cheirando pó e pirando o cabeção. Depois alguns se matam com uma depressãozinha básica, mas isso é um mero detalhe. Outros estragam a festa com uma overdose. Outros deixam escapar uma diarréia nas calças. Outros acabam dando alguns tiros e matam algumas pessoas na rua. Tudo muito simples assim, como se a vida não valesse nada.

O máximo de droga que fiz num carnaval foi cheirar lança-perfume quando tinha quatorze anos. Lembro bem da cena. Cheirei aquele lenço e um vídeo-game começou a zunir dentro da minha cabeça. Estava escutando Bob Marley e a música foi ficando longe, longe, muuuuuito longe e eu lembro que me babei toda. A baba caiu lá no pé. Que cena linda! Admirável vocês não acham? Tão admirável que nunca mais fiz. Paguei todo o dinheiro da minha mesada para escutar um barulinho diferente durante menos de 3 minutos e ficar com cara de abobada babando na frente dos meus amigos. Totalmente panaca! Além disso, o cheiro é enjoativo.

Pior que isso, eu havia comprado alguns tubos com as amigas do bloco que eu tinha e fiz de tudo para esconder dos meus pais. Então meu avô que é super sério e conservador chegou e perguntou na nossa concentração se alguém tinha lança. Todo mundo se olhou e obviamente disse que não. E ele disse:
- Que pena! Poderíamos colocar no congelador. Fica muito melhor! E assim eu experimentaria de novo!
Ficamos de queixo caído. Mas o que meu avô não sabe é que isso é proibido nos dias de hoje. No tempo dele era liberado e as pessoas tomavam com uísque. Dá para acreditar? (Minha mãe vai me matar porque eu contei isso).

Na ala da diversão, onde tudo é festa e bebedeira, se for embora de táxi tá tudo certo. No máximo uma vomitadinha num canto em meio a muitas gargalhadas. Mas sempre tem aquela criatura que não bebe nada e que fica com cara de bunda num canto achando tudo bobo. Fica com aquela cara séria enquanto todo mundo ri, criticando tudo que vê na frente e ao invés de ir para casa dormir fica ali, olhando com ar de superioridade como se estivesse fazendo uma análise de como as pessoas são idiotas e ridículas por estarem simplesmente sendo felizes. Dá vontade de mandar pra casa chupar um carpim. (Eu normalmente falo meia, mas meu avô falava muito essa frase: Vá chupar um carpim! Então eu acho mais legal carpim nesse momento. Melhor que falar o palavrão que havia pensado antes).

Na ala das crianças temos miniaturas de seres humanos que nos primeiros cinco minutos chegam fantasiados nos mínimos detalhes e então na medida em que o tempo passa a fantasia vai sendo desmanchada. A máscara do Batman é perdida, a capa acaba virando pano de chão para limpar o refrigerante que foi derrubado. Aquelas espumas em spray... Ah! Aquelas espuminhas “amigas”... Eu queria enfiar no você sabe onde de quem inventou aquilo. Espuma mais desnecessária! Só serve para melecar tudo e deixar o chão grudento. Você está lá dançando e um “diabinho” de 1 metro e 10 aperta aquilo na tua cara e sai correndo. Lá pelas tantas alguma criança simplesmente desaparece, a mãe se desespera. Então encontra o vivente embaixo da mesa bem tranqüilo tirando tatu (pólipos nasais). As menininhas com carinhas de cansadas, aliás, exaustas com os cabelos suados e a maquiagem toda borrada. Os menininhos correndo por todos os lados e com confete até dentro do ouvido. Certa hora começam a querer recolher todos os confetes que estão no chão e não deixam espaço para ninguém dançar porque eles estão na sua importante missão de “quem consegue juntar mais confetes do chão”.

E quando é em clube com conjunto musical? Vocês já repararam no figurino dos artistas no palco? Certa vez tinha uma mulher vestida de Xuxa com uma mini blusa e uma bolsa de banha caindo por cima de um micro short, usando uma meia calça bege para disfarçar a celulite, só que ficou muito pior porque ficou parecendo uma personagem maluca que saiu de dentro de um roupeiro cheio de coisas toscas. Usava uma botina zebu que não correspondia em nada com a Xuxa de verdade. E ela gesticulava como se os braços fosse de uma boneca de pano. Muito engraçado. Só de lembrar eu dou risada. Mas o que importa é que ela tinha uma voz melhor do que a Xuxa para cantar. O que não é difícil.

Na ala dos mal-humorados assumidos, temos aquelas pessoas que simplesmente odeiam qualquer barulho de tamborim. Vão dormir às oito da noite de cara fechada porque a vizinhança está fazendo barulho. Como não conseguem dormir ligam a TV e se indignam com o complô contra eles porque em todos os canais só o que dá é cobertura dos carnavais do Brasil. Então o vivente senta quieto na frente da TV e encara de braços cruzados o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro sem nem sequer bater o pezinho no chão.

Na ala dos "tô nem aí", temos gente como eu, que prefere sair para algum lugar legal se tiver afim, sair para um boteco para dar umas risadas com os amigos sem hora para voltar, passar o dia inteiro na praia totalmente zen... “Zen nada para fazer”... Só deixando o sol penetrar nos poros e na alma.

Na ala dos drags, homossexuais assumidos e transformistas, bem, esse não tem graça escrever. É o mais legal de todos. Todo mundo sabe. Impossível não se divertir.

Adoraria passar um carnaval na Bahia. Mas só de pensar eu canso. Fico me imaginando apertada no meio de uma galera suada e bêbada. Não que eu também não estivesse suada e bêbada, mas só de pensar eu desisto. Acho que sou muito acomodada. Prefiro ficar na beira da praia relaxando ao invés de ficar pulando como pipoca. Mas isso também depende do porre. Acho que preciso beber mais vocês não acham?

Bom Carnaval pra vocês! E se você for da ala Libera Geral encape o pinto e seja feliz!
* Atendendo à pedidos este texto foi postado novamente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A cor que a vida tem

Percebo que perdi tempo de vida. Na verdade perdi tempo parada numa vida que não era minha. Eu queria que o Mundo fosse o quintal da minha casa, queria aproveitar cada momento de uma maneira especial, sentir a brisa do mar no rosto não só nas férias de verão.

Percebo que com o tempo vamos guardando sonhos nas gavetas para realizar outras pessoas e não buscamos o que realmente nos faz feliz. De que adianta guardar dinheiro numa poupança inútil para um dia quem sabe poder viver o que se pode viver imediatamente? Quem me garante que estarei viva para isso enquanto posso me sentir viva ao tocar a neve, o rio, o mar?

Voltei diferente. Querendo mais. A mudança interna que ocorre conosco a cada avião, faz perceber que a vida só tem sentido quando temos não só bons motivos para voltar, mas principalmente bons motivos para ir. Para se abrir para o novo, para conhecer novos sabores, novas cores, para se permitir.

Permita-se! A vida coloca a disposição uma caixa de lápis de cor ao teu lado. Você pode até escolher o lápis cinza ou o preto. Escolha o lápis correto e o desenho da tua vida terá muito mais beleza e valor. Meus rascunhos joguei no lixo. Acostumei-me com arco-íris, mar azul, sol amarelo vibrante de fazer o olho doer, flores ao amanhecer... Uma linha no horizonte bem definida, uma estrada florida, me acostumei a saber viver.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ceremonia del sol

Punta Del Este, Casapueblo. O pôr-do-sol no entardecer mais lindo que presenciei em minha vida. De repente um poema em alto e bom tom.

“Hola Sol …! Otra vez sin anunciarte llegas a visitarnos. Otra vez en tu larga caminata desde el comienzo de la vida.

Un sol nítido y redondo, perfecto y delineado, puesto sobre el escenario de mi iniciación con la fuerza sagrada de un vitreaux de iglesia. Desde ese instante sentí que Dios habitaba en ti, que en tu fragua derretía la fe y que por medio de tus rayos la transmitía por todos los sitios donde transitabas. Los mismos brazos de oro que al desperezarte iluminan el cielo, al estirarse a los costados entibian las sierras, o apuntando hacia abajo laminan el mar.

Hola Sol…! Cómo me gustaría haber compartido tu largo trayecto regalando luz...

Gracias Sol…! Por regalarnos esta ceremonia amarilla. Gracias por dejar mis paredes blancas impregnadas de tu fosforescencia.

Chau Sol…! Cuando en un instante te vayas del todo, morirá la tarde. La nostalgia se apoderará de mí...

Chau Sol…! Gracias por provocarnos una lágrima, al pensar que iluminaste también la vida de nuestros abuelos, de nuestros padres y la de todos los seres queridos que ya no están junto a nosotros, pero que te siguen disfrutando desde otra altura.


Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez”.

Lindo, emocionante e inesquecível. Entardecer na Casapueblo é algo como o sol que invade nossa alma pelos poros, ilumina nosso ser e nos transforma em pessoas melhores do que quando ali entramos.

O final do poema se dá no último risco de sol que desaparece no horizonte, onde os uruguaios despedem-se do astro Rei com uma salva de palmas. In-des-cri-tí-vel. Saí de lá com uma sensação de que a vida vale à pena quando aprendemos a valorizar momentos simples como esse. Não é apenas um sol que nasce e morre todo o dia, mas uma luz dourada e sagrada que te olha de cima e te incentiva a recomeçar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Colonoscopia

Não é fácil. Mas também não é difícil. O fato é que depois dos trinta anos a preocupação com a saúde aumenta e o check-up anual vai mudando de nível. Como um jogo de vídeo game que a cada fase vai ficando mais difícil.

Quando temos histórico de câncer na família os cuidados devem ser redobrados. Mamografia, exames de sangue, citopatológico e até o cardiologista entram em ação. Trabalhando com prevenção fica mais fácil de tratar quando o diagnóstico apresentar um resultado negativo ou positivo dependendo do ângulo que se olha a questão.

Acontece que pela primeira vez resolvi enfrentar a tal da colonoscopia e aí queridos leitores, literalmente o buraco é mais embaixo. Não sei dizer o que é pior, o preparo do exame, ou o exame em si.

O tal do Dulcolax não é nada simpático, faz um estrago sem tamanho na barriga do indivíduo que sem poder contrariá-lo tem que engatar uma primeira nas pernas e se alinhar para o primeiro banheiro que enxergar pela frente, coisa muito horrível. Chega a dar um suador. Os pelinhos do braço levantam e ficamos parecendo um ouriço em situação de perigo. Sim, porque dentro desse remédio existe um gnomo que além de esmagar, enfia palitos na extensão do intestino. Tenho quase certeza disso.

Quando pensamos que tudo passou, após uma longa suspirada, percebemos que a barriga tem vida própria independente de qualquer coisa. A cólica é tão forte, que me pergunto se não seria melhor vomitar ao invés de... Bem, deixa pra lá. Ta, tudo bem, estou exagerando um pouquinho, mas é interessante dar um ar dramático ao texto.

Não é nada fácil. Que Deus proteja a todos quando chegar à hora de vocês realizarem esse exame. Espero que o anjo da guarda, juntamente com Nossa Senhora da Tripa Vazia ilumine vocês para que tenham uma boa hora.

Coisa braba mesmo é o tal do líquido que misturado com coca-cola funciona como um esterilizador que passa pelo intestino inteiro a milhão como se estivesse descendo um tobogã num parque aquático. Tem coisa pior que tomar líquidos sem ter vontade e ter que engolir um litro e meio desse negócio à goela abaixo? É... Pensando bem tem... Mas nessa semana isso foi o que de pior me aconteceu.

O exame em si causa mais medo antes de ser feito do que durante. Com anestesia a gente nem sente que está sendo estuprada até a parte debaixo do estômago. Quer dizer, sente, mas é suportável. Depois percebemos que vale a pena concluir que não há nada de errado por ali. Uma espécie de alívio. Alívio de verdade do tipo quando o aparelho sai do lugar que estava introduzido e saímos do consultório para nunca mais voltar.

Mas como tudo na vida tem um lado bom. Sexta-feira vou à praia praticamente sem barriga depois dos oito quilos que perdi com o pré-exame. Se não foi isso chegou bem perto. Coisa bem boa! Dá até pena de comer de novo e sujar um intestino tão limpinho e rosado como enxerguei no exame.

Uma coisa é certa. É melhor enfrentar nossos medos com prevenção do que sofrer ainda mais remediando depois. Com saúde não se brinca. Pelo menos é o que eu acho. Mas sabe como é, opinião é como bunda. Todo mundo tem uma. Dá quem quer.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Humor

Vamos falar de humor. Passo pela rua e vejo pessoas com um semblante fechado e uma ruga enorme na testa. Pessoas que caminham corcundas como se fossem pobres coitados sem uma postura diante da vida. Isso é muito comum de se ver. Parece que a face desandou, amoleceu e caiu, como o rosto de um bulldog.

Bom humor pode ser adquirido. Você pode optar por encarar tudo pelo lado bom e dar risada das perdidas ou fechar a cara para o mundo e chutar o cachorro por que teu dia não foi legal. Lembre-se que problemas sempre existirão.

Alegria de viver. Porque é tão difícil para algumas pessoas sentir entusiasmo no seu dia-a-dia? Por que para elas tudo é cinza e sem graça ou pequenos atos de felicidade são muito bobos para merecer um simples sorriso? Porque é tão difícil sorrir?

Quando estamos bem-humorados, rompemos uma barreira invisível que nos separa das outras pessoas que se aproximam de nós. Criamos situações favoráveis aos nossos planos. Quebramos o gelo. Abrimos portas e não só isso, deixamos portas abertas para que contatos futuros venham à nós.

Segundo Freud, “ocasiona o riso, que é um relaxamento da tensão que envolve uma parte do nosso inconsciente de maneira imperceptível. Ele eleva as pessoas, tendo relação profunda com "ser alegre de verdade", ou seja, o desejo de ter uma felicidade incondicional. O mundo não pode oferecer o bom-humor, mas esse sentimento tem o poder de transformar o mundo, vindo de uma fonte chamada “emoção-coração-amor”.

As pessoas bem-humoradas são lembradas com carinho, agem como ímã de coisas boas, nunca são esquecidas. Ela entusiasma, enche nossos poros de energia com seu humor e contagia todos à sua volta. Faz bem para alma. Optar por levar a vida de modo que ela seja colorida aos nossos olhos.

O sorriso é uma luz que deixa fluir o brilho que emite. Funciona como escudo, não permitindo que nada de ruim nos influencie. Sei que naturalmente meu sorriso sai que ninguém me peça, mas acredito que qualquer pessoa poderá fazer isso se prestar atenção nos seus atos corriqueiros.
Quantas vezes você sorri por dia? Isso é um caso sério ou seria engraçado?


"Quem vive de bom humor, passeia pela vida.
Quem vive de mau humor, passa pela vida".

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Noite de Natal

Todo ano é a mesma coisa. A dona da casa em que ocorre a festa, fica parecendo uma barata tonta recebendo a família.

- Aqui tem mais bebida, alguém quer?
Então aquela tia levemente “fortinha” já está pegando com a mão um punhadinho de farofa e diz:
-Essa farofa ficou uma delícia!
- Fiz essa torta mas desandou e aquele peru ali tá parecendo uma galinha de despacho com aquele monte de pêssego e farofa que coloquei na volta.
- Meu filho desce daí, tu vai se quebrar, guri! Não deveria ter dado o presente agora, só amanhã de manhã. Hã? Telefone pra mim? Tá, já to indo... Alô? Oiiiiiiiiiiii! E aí guria? Feliz Natal pra ti também! Tudo de bom! Ai, cuidado! Não passa com essa moto em cima do meu pé meu filho! Desculpa, onde estávamos? Ah! Um excelente Natal pra vocês! Etevaaaaaaaaaaaaaldo! Cuida o teu filho por favor, ele está puxando a toalha da mesa... Ah! Desculpe, onde estávamos?

Nisso, alguém grita:
- Acabou a cerveeeeeeeja!!!
- Já estou indo! Meu filho, o homem-aranha da TV pode se atirar do telhado, tu não. Tu vai se quebrar todinho se pular daí de cima, vai sair muito sangue e vai doer insuportavelmente. DESCE daí já, guri! A cerveja já ta iiiiiiiiiindooooo.

Todos conversam animadamente na sala e parece que está tudo sob controle. O caos é apenas nos bastidores. A música está agradável, a mesa da ceia está linda e a árvore inteira. A cerveja gelada, e para quem está tranquilo conversando a festa está até animada. Então Etevaldo adentra a sala no meio da festa com chinelo de dedos perguntando:
- Que roupa eu visto?
- Mas o que tu tava fazendo que não tá pronto ainda vivente?

A escrava Isaura vai até o roupeiro e escolhe uma camisa bonita e constata que está amassada. Ela passa a camisa enquanto grita para o sobrinho:
- Não solta o cachorro! Ele fica nervoso quando tem muita gente.

E o cachorro se "mija" todo diante da cunhada da vizinha que ele ama de paixão, além de latir irritantemente e ininterruptamente por alguns minutos. Os convidados se entreolham com um ar de: "Mas por que ela solta esse cachorro pela casa? Será que ela tá achando que alguém gosta desses latidos?"

Lá está ela tentando pegar o cachorro no meio de pernas e mais pernas sentadas no sofá da sala. O cachorro se esconde. Acha que estão brincando com ele. A vontade que dá é de grudar uma vassoura na cabeça dele, mas o autocontrole tem que fazer parte de nossas vidas numa hora dessas. Eis que surge uma idéia:
- A primeira criança que conseguir colocar o cachorro no terraço ganha um panetone.

Ninguém se manifesta. Muda o discurso:
- A primeira criança que colocar o cachorro no terraço ganha R$50,00.

As crianças saem correndo atrás do cachorro desesperadas e gritando.

Quando tudo está solucionado a promessa dos R$ 50,00 fica para uma outra oportunidade. Então vem a hora da ceia. Crianças serão servidas primeiro e ficarão comendo numa mesinha num canto da sala. Num outro canto todos estão se servindo animadamente. Será que tem fios de ovos para todo mundo? Ai... Será que sobra para a coitada da dona da casa que se endividou para comprar as frescuras da ceia e espera o ano inteiro para comer fios de ovos?

Então enquanto vai de um lado para outro o que se constata? As crianças fizeram guerrinha de farofa na amada cozinha. Pior que isso, soltaram o cachorro novamente e ele está se deliciando com a farofada. A dona da casa vai em direção ao armário a procura de um comprimidinho "tarja preta" para enfrentar a noite de Natal e tudo fica mais legal.

Nisso, alguém grita:
- Acabou a cerveeeeeeeja!!!
E ela responde:
- Vem pegaaaaaaaaaar!!!!

Resolve tirar os sapatos, pois o salto está acabando com o seu pé. O Homem aranha trocou de roupa e agora está de Flecha da Família Incrível pela casa, quebrando tudo. Ela coloca o dedo na cara dele e diz:
- Se tu não parar, o flecha vai ser enjaulado com os leões da floresta e vai ficar lá dentro até um deles não existir mais, que tal?

Nisso, ela decide se servir e constata uns míseros fios de ovos sobre o peru. Vai até à despensa, abre uma lata de figo e coloca praticamente a lata inteira sobre o prato para compensar a falta dos lindos fiozinhos de ovos.

O sono começa a bater. Fica tentando bolar uma forma de se atirar no sofá e fazer de conta que está participando da conversa enquanto dorme de olhos abertos. Congela um sorriso, se ajeita numa almofada e pede para Etevaldo massagear seus pés enquanto todos estão bebendo animadamente. Percebe que suas piscadas estão ficando compriiiiiiiidas e que alguém nota e levanta.
- Vamos amor! A dona da casa está cansada.

Ela acorda imediatamente e responde:
- Que isso! Fiquem mais um pouco. Só estou com um pouquinho de sono. Tomei um Dramin sei lá, fiquei meio zonza. (Não iria dizer que foi um tarja preta né? Convenhamos!)

Eles decidem ficar por mais umas duas horas e trinta e oito minutos aproximadamente. Já é madrugada alta e sua árvore de natal está se mexendo. Na verdade é só ela que enxerga a árvore mexer. Parece que está meio torta, com algumas bolinhas no chão. Parecem quebradas. Deixa pra lá. Mas o que é aquilo no tapete? Um figo pisoteado? Que nojo!

Decide então tomar um ar para se manter acordada, se não der certo terá que apelar para a opção palito nos olhos para mantê-los abertos. Abre a porta e o cachorro vai correndo para a sala. Que se dane! Ao olhar para a casa do cachorro fala para si mesma:
- Será que se eu deitar só um pouquinho dentro da casinha dele alguém vai notar?

Ai...ai... Nada como a noite de Natal. Na casa dos outros.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ano Novo, Blusa Velha

Na virada do ano todas as pessoas resolvem tomar alguma atitude diferente com promessas dos mais variados tipos. Emagrecer, deixar de fumar, fazer exercícios, economizar, limpar as gavetas e os armários.

- Toma
- O que é isso?
- Minha blusa favorita que tenho há 10 anos no roupeiro, mas toda vez que eu vou dar para alguém desisto porque pode servir um dia.
- Ah! Obrigada! Eu acho essa blusa linda!
- Pois é... Eu também, por isso nunca me animei a dar para ninguém
- Se você quiser ficar com ela tudo bem...
- Não! Foi difícil a nossa separação, mas decidi que em 2011 serei uma pessoa desapegada a coisas materiais
- Mas se faz 10 anos que vocês convivem eu não me importaria se...
- Não! Pegue! É sua! Você tem um corpo perfeito e ficará linda em você...
- Tudo bem então, obrigada! Vou usar hoje à noite na festa.
- Que festa?
- Ué. A festa da Paulinha. Esqueceu?
- É verdade! Havia me esquecido.
- Pois é... Estava sem roupa para ir, mas essa blusa é perfeita!
- Estava pensando, você poderia me emprestar a blusa para eu ir na festa? Afinal, se eu colocar uma cinta bem apertada ela fica perfeita em mim.

Festas de final de ano

As festas de final de ano estão se aproximando e com elas o perigo das piores consequências. Fiascos na festa da firma, juras de amor para criaturas que nunca mais se quer enxergar na frente e que acabam ligando no outro dia e no outro e no outro e no outro e no outro.

- Seu Antonio eu poderia lhe pedir...
- Lilinha!
- Lívia. Meu nome é Lívia.
- Hããããã? Entendi. É para disfarçar. Quanta diferença hein? Você quase me enganou!
- Bem... Eu gostaria de lhe pedir para que desconsiderasse algumas coisas que...
- Desconsiderar? Aquilo foi inesquecível Lilinha! Você é perfeita!
- Lívia. Eu não posso beber demais que saio um pouco de mim e...
- Lilinha, por mim você pode sair de si todas as noites que eu vou adorar.
- Por favor, Lívia. E eu não tenho ideia do que fizemos ontem à noite e acho que não quero ter.
- Tudo bem Lilinha. Eu prometo que não vou pedir para você repetir a cena da oncinha de quatro em cima da mesa, mas aquela dança do orangotango só mais uma vezinha ok?

É... Muitas vezes "chutamos o balde" e pegamos “qualquer coisa” que aparece em nossa frente num momento de carência, esquecendo que no outro dia vamos ter que voltar a “vida normal” e de repente o “cão chupando manga” poderá ter gostado de nossos malabarismos sexuais que não mostraríamos nem para um marido com 210 anos de casada dependendo do porre que se tomou.
Se pelo menos ele lembrou de usar camisinha, já que você era uma onça bêbada e não lembrava nem como tirava o sutiã, já é um grande alívio, mas e se não lembrou?

Das três uma: Você pega uma Aids ou qualquer outra doença venérea por aí por ter transado com o vivente sem preservativo, você entra em crise por não saber se ele tem alguma doença e até o resultado dar negativo você já perdeu várias noites de sono ou simplesmente você engravida da criatura e aí sim, merece colocar o nome da filhinha de Lilinha. Calma, vamos colocar mais uma alternativa nessa história, você simplesmente acorda e percebe que nada passou de um terrível pesadelo. Lembre-se disso na hora de tomar seu porre nas festas de final de ano. A vítima pode ser você.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Presente de Natal

Fui entrevistada pelo jornalista João Áquila que mora em Aracaju/Sergipe. Acho "coisamaisquerida" a maneira como ele me aborda, sempre com muito carinho nas palavras.
O João me acompanha a algum tempo e estou sempre passeando pelos blogs que ele tem que é recheado de informações interessantes. A última notícia que li foi sobre uma mulher de 61 anos que produz excesso de colágeno e tem cara de 40. Adorei essa doença! Se pudéssemos escolher alguma enfermidade em nossa velhice eu escolheria essa. Se bem que não precisa ser na velhice. Agora já caía bem um excesso de colágeno nesse corpo, pois a coisa tá ficando feia.
A propósito, virei isca do jornalista. Minha entrevista tá aí ó: http://iscadojornalista.blogspot.com/2010/12/entrevista-entrando-no-esconderijo-da.html

Obrigada João!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu hein?!


Ola Renatita! Aqui es un Boliviano que gusta mucho ler los posts. Perdon por el "portunol". Me gustaria mucho saber si hay interes en discos voladores y ETs en tu tierra, si ellos aparecen mucho como aqui y cual tu opinion sobre el tema? Yo creo que el ultimo anonimo que te hablo unas tonterias sobre " cuspir en el plato y tal" deba ser un ET muy feo. Gracias y continue escribindo.

Guillermo Chabupy

Si, si, como no. Estimado Chabupy, creo firmemente que el anónimo podría por lo menos han puesto su nombre en el final, pero eso está bien porque en el fondo me gustan las preguntas agresivas para hacer mi blog más vivo. Las personas reprimidas sorprenderme la manera de enfocar su ira y lanzar todas sus frustraciones sobre los demás. Es divertido. Me río cada vez que vuelva a leer la pregunta de anónimo. Mas no importa, yo soy inoxidável e y casi nada me choca. Perdon, mi español es fueda.

Mas focando na tua questão, chego a conclusão que esse blog é fantástico pela diversidade das perguntas que me fazem. Saio da questão amor para disco voador, passando por assuntos como pedolatria, tipos de vinhos e empregadas domésticas numa questão de segundos. É uma loucura!

Se tivesse um slogan na testa, com certeza diria "Renata, mil e uma utilidades". É o que eu chamo de polivalência nesse mundo corporativo. A multitarefas que está sempre com você na telinha do seu computador. Posso interagir com as mais variadas perguntas sem fugir da raia. Bem que isso podia me ajudar a emagrecer, uma pena movimentar apenas os dedos na hora de digitar um texto.

Mas toda essa enrolação é para me ajudar a angariar idéias para discutir sobre extraterrestres. Obrigada pela sugestão. Acredito ser um tema de extrema relevância no mundo globalizado de hoje, repleto de teorias sobre as mais diversas e inexplicáveis aparições que vão desde clarões estranhos no céu e marcas estranhíssimas em lavouras, até sósias do Elvis Presley com a cabeça pontuda e olhos enormes dizendo “Leve-me ao seu líder” (versão confirmada por usuários de LSD e êxtase, eu não tenho nada com isso). Claro que eu não poderia deixar de lado o ET Bilu pedindo que busquem conhecimento (Procure no youtube).
Hoje mesmo foi divulgado pela NASA o fato de ter sido encontrado uma bactéria baseada no elemento químico arsênio, muito diferente do que existe na Terra que é baseado em fósforo. Isso faz pensar que existe a possibilidade de haver diversas formas de vida além do que imaginamos.

Seria muita arrogância de nossa parte acreditarmos que somente no Planeta Terra existe vida. Nosso planeta é um grãozinho de areia no universo e podemos nos considerar seres infinitamente minúsculos que habitam esse espaço.

Em minha cidade fala-se em turismo ufológico, onde um grupo de pessoas afirma ter visto objetos voadores não identificados. Quem sou eu para duvidar? Vou mais além do que isso, imagino que em algum lugar devem estar nos observando do alto, como se fôssemos cobaias com um cronômetro gigante determinando o tempo de vida numa bola cheia de habitantes, que aos poucos estão detonando o próprio planeta em que moram, com poluição, desmatamentos e lixo.

Caro Chabupy, a prova de que existe vida inteligente fora da Terra, é que eles ainda não entraram em contato conosco. Portanto, é melhor deixar pra lá.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Meu pé de laranja lima


Oi Renata, leio seguidamente tuas crônicas. Gostaria que vc falasse sobre PÉS, sou fissurado em pés femininos. Inclusive copiei e colei os teus que aparecem numa crônica, são lindos !!!!!

Carlos Silva
Quer saber? Eu detesto pés. Acho pé e órgão genital a parte mais feia do corpo humano. Dependendo alguns narizes e algumas vezes certas orelhas. Não gosto, ponto. Sei lá, é o designer que me incomoda.
Meu pé é bonito é? Muito obrigada mas nunca tinha reparado. Sempre achei meu dedão semelhante a um microfone e acho que meus dedos tem olheiras. Nunca imaginei que alguém um dia fosse copiar meu pé da internet. Só o que falta tu me dizer que ele está de papel de parede no teu monitor.
Tive um namorado que se apaixonou pelos meus pés, acho que ele nem gostava de mim, só ficava olhando para baixo suspirando para os meus dedos. A primeira vez que ficou comigo não segurou minha mão, mas o meu pé. Eu jantando com ele e pá, o guri se abaixava na mesa para fazer carinho nos meus pés. Demorei para me dar conta que aquilo não era normal. Tá bem, desculpa. Pra você deve ser.
Eu até pensei em me vestir com uma fantasia de pé gigante uma vez no carnaval para agradá-lo, mas tava tão quente que desisti. Já tinha até imaginado o modelito onde meu rosto encaixaria no lugar da unha do dedão e caminharia como o boneco de marshmallow dos caça-fantasmas. Será que foi porque não fiz isso que nosso namoro acabou? Putz! Não tinha me tocado, mas ainda bem que não deu certo, porque o pé dele era um horror. Ah! Lembrei! Foi por isso que eu quis terminar. Bem, não foi exatamente por isso, mas isso contribuiu bastante.
Os pés são a base do nosso corpo, que sustentam o nosso peso e que sem eles não se pode realizar a maravilha que é andar. É extremamente prazeiroso massageá-los e podemos sentir alívio inclusive de uma dor de cabeça numa simples sessão de shiatzu nos pés. (Se meu metatarso falasse me xingaria horrores porque ando de salto alto de segunda à sexta e muitas vezes nos finais de semana). Mas mesmo sendo importantes, nem sempre são bonitos. Alguns são bizarros como o pé da Daniela Cicarelli que tem seis dedos. Imagino que não deve ser nada fácil depois de uma noite tórrida de amor, perceber que a criatura que está na sua cama tem um dedo por cima do outro e que o esmalte vermelho da unha está pela metade, por exemplo.
Gosto de mãos, boca, peitos, coxa, bunda. Pé não vejo graça nenhuma. Mas isso sou eu. Você por exemplo já olha com outros olhos para um cartão postal cuja pessoa está deitada na beira de uma praia linda e tudo que você consegue ver são os pés da modelo em questão. Quer saber? Cada um com suas preferências. Gosta de pé? Se joga! É só tomar cuidado para algum ignorante não te chamar de pedófilo ao invés de pedólatra que tá tudo certo.
Um abraço e obrigada por escrever elogiando meus pés. Rico bicho!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Violência contra a mulher

Hola Renata,tenho 31 anos, sou casada e casei por amor e realmente acredito em alma gêmea rsrs sempre que posso leio seu blog, adoro sua maneira de escrever, sempre falo de seu blog e ja indiquei a muitas amigas, moro na Espanha a 4 anos tenho um filho de 3 anos,te digo isso pq me encanta qdo vc fala de maternidade, gostaria q falasse mais sobre esse tema e também sobre a violência contra a mulher aproveitando que dia 25 de novembro é o dia internacional sobre esse tema ( deixo claro q ñ sofro nenhuma agressão ao contrário rsrs).
Obrigada e siga assim... parabéns por esse dom!
Dani


Prezada Dani,

Obrigada por tuas palavras carinhosas. Saiba que sou uma incentivadora de casamentos felizes. Também acredito no amor e acho que só por isso vale a pena manter um casamento. Quanto a acreditar em alma gêmea, acredito que o que importa é que nossa alma seja preenchida com amor para complementar a alma de outra pessoa, pois quem hoje é o que tu considera a tua outra metade, amanhã pode ser substituída por outra pessoa se a alma dela estiver em sintonia com a tua. Portanto, o que existe é o amor entre duas pessoas que estão na mesma sintonia. Isso cria uma barreira onde nada de ruim entra e ficamos com a sensação de que somente aquele casal pode existir no mundo. É maravilhoso quando isso acontece. Saber que se quer envelhecer ao lado de um grande amor. Saber que aquela pessoa vale à pena e que é com ela que se quer dividir boas décadas da tua vida. O amor não tem prazo de validade. Ele pode ser pra sempre, ele pode ser efêmero. Mas ele existe, isso é fato. A melhor parte é que ele é infinito ao mesmo tempo em que se renova.

Quanto a maternidade, me considero completa pelo fato de ser mãe. Como se isso me deixasse forte, me tornasse melhor, mais humana, mais compreensiva, mais tolerante com as pessoas que me cercam. Sinto que posso morrer deixando uma continuidade. Um pedaço de mim que se tornará muito do que eu sou e através dele serei eterna.

Quanto a violência contra a mulher, sou uma defensora ferrenha das mulheres e sempre que posso escrevo para todas elas independente da idade, insisto para que sejam independentes acima de qualquer coisa. Que jamais dependam de seus maridos e que se casem considerando como base o amor, desde que sejam livres financeiramente.

Infelizmente, muitos homens por sustentarem suas esposas, acreditam que são proprietários delas. Mesmo sabendo que o trabalho da dona de casa é infinitamente mais desgastante que o trabalho fora de casa. As mulheres assumem diversos papéis para fazer um casamento funcionar, onde os filhos são bem cuidados e os maridos podem assumir com mais liberdade seu trabalho porque podem contar com o apoio das esposas para cuidarem desses filhos, enfim... A mulher só é valorizada quando é independente. Quando precisa do marido para qualquer situação que envolva dinheiro, faz com que esse marido tenha uma sensação de poder sobre ela e com certeza isso facilita muito uma situação de violência doméstica.

A partir do momento que a mulher é independente, ela se fortalece perante o marido e isso impõe respeito dentro de casa. Faz o marido perceber que eles estão juntos por que se amam, e que se uma das partes não contribuir para a felicidade do casal, esse casamento pode acabar e ele vai ficar sem a mulher que casou.

O posicionamento da mulher em relação ao marido é fundamental num caso de violência doméstica. Hoje em dia não há mais espaço para aceitar calada um marido violento dentro de casa. Existe delegacia da mulher, existe lei Maria da Penha que protege as mulheres de maridos agressivos que se chegarem num raio de 50 metros poderão ser presos, existe denúncia anônima, existe meios de se proteger de monstros que se acham no direito de bater numa mulher só porque um dia teve uma relação com ela.
Cabe a nós mulheres não permitirmos sob nenhuma hipótese que qualquer pessoa agrida fisicamente nosso corpo, por mais que se goste dela. Antes de gostar dos outros, temos que gostar de nós mesmas e só seremos respeitadas quando nos fizermos respeitar. Seja com atitudes, seja com a ajuda de outras pessoas. O que não se pode admitir é ficar calada por medo de denunciar quem não merece um pingo de consideração.
Vejo meninas adolescentes sonhando com um casamento antes mesmo de sonharem com um diploma. Vejo o desejo da maternidade aflorando, querendo viver a vida de um novo ser, antes mesmo de viverem suas próprias vidas, estudando, tendo uma profissão, adquirindo coisas através de si mesma. Talvez pela falta de noção do que a espera lá na frente, talvez pela falta de informação. Mas se de alguma forma, minha escrita ajudar uma só mulher a mudar o rumo da sua vida de maneira positiva, já terá valido a pena ter feito esse blog.

Obrigada por escrever e continue se escondendo aqui comigo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Empregadas Canalhas

Ola Renata, tudo bem? Sou leitora do seu blog e me divirto demais com todas as suas histórias... Como vc pediu perguntas, q tal falar sobre empregada doméstica? Vc tem? Como lida com ela?

Daniela Takemura


Olá Daniela... Empregada doméstica? Hummmmmm... Todo mundo tem uma boa história para contar de uma. Se eu tenho? Bem, na verdade eu tenho um anjo da guarda que é praticamente minha secretária particular. Ela lembra dos meus compromissos, dos compromissos do meu filho e ainda inventa sobremesas maneiríssimas. Faz cada salada mirabolante de dar água na boca. Cuida do meu filho como se fosse dela e administra a minha casa com perfeição. É o tipo de pessoa que a gente tem que levantar as mãos para o céu e agradecer virada pra Meca.

Mas nem sempre foi assim. Passei pela mão de poucas e boas. Tive empregada fofoqueira, ladra que afanou o anel que ganhei de formatura dos meus pais, vagabunda que recebia homem na minha casa e com certeza na minha cama, que batia no meu filho, que comia o iogurte junto com ele, que não aparecia para trabalhar, que mentia, etc... etc... etc...

Empregada canalha tem aos montes por aí. Tem aquela que queima com ferro a camisa carérrima de propósito, a que não tira a poeira direito, que espera as teias de aranha ficarem tão grandes a ponto de você pensar que o homem aranha realmente existe, a que quebra todos os copos, a que implica com o cachorro, a que não lava a louça direito, a que come seus produtos lights caríssimos e acha que é normal, a que mexe o suco com a mão, a que come tudo que enxerga na geladeira, a que sabe quanto você tem na carteira e onde está cada coisa perdida dentro da sua bolsa. Tem aquela que leva os pimpolhos dela pra sua casa e eles destroem em um dia tudo que seu filho nunca destruiu em dez anos.

E as psicopatas? Aquelas que não têm nenhum dente na boca e armam um plano secreto para destruir a patroa e se adonar do patrão. Então começam o plano colocando veneno de rato no açúcar, fazendo macumba com a cueca do patrão, porque leu naquelas revistinhas de rodoviária que babalorixá docô dutifudeu disse que fazia o amor da vida dela ser agarrado em uma semana e ela acreditou.

Muitas quebram o pé bem na época que você mais precisa da infeliz. Outras não aparecem e não tão nem aí se você está esperando para ir trabalhar e não tem com quem deixar as crianças. Mas eu desafio vocês a me dizerem que não tem uma única história para contar que envolva alvejante sanitário. Pode ser da famosa marca Q-boa. Q-bom encontrar aquela calça maravilhosa com aquela manchinha toda especial que só a Creusa pode nos proporcionar, não é mesmo?

Mas o prêmio vai para a categoria esconde-esconde. Elas são expert em esconder nossas coisas e utilizam as gavetas como se ali existissem um misterioso “arrumator desintegrator expressor tabajara”. Abrem a gaveta, enfiam tudo ali, fecham a gaveta e tudo estará organizado. Simples assim.

Aquela que liga o aspirador de pó sábado de manhã cedo quando você pode dormir até mais tarde e por mais que você peça para deixar essa tarefa para depois, ela sempre faz do jeito dela. Inclusive esse jeito é o mesmo que não sabe diferenciar as meias do seu filho de dois anos do seu marido de quarenta.

Bom mesmo é o café da manhã acompanhado das notícias quentinhas direto da laje, onde ficamos sabendo que o Robison esfaqueou a Ivonelde porque ela estava transando com dois caras da vila e o amante da Onilva descobriu. E ainda acrescentam um diálogo contando que estão cheias de hematomas porque se “pegaram no pau” no meio da rua com a mulher do ex-marido e que ta com um “raivedo” por todo o corpo. Para fechar com chave de ouro puxam aquele pigarro lá do dedo do pé e engolem enquanto você desiste do café e vai trabalhar em jejum.

Tem aquelas que adoram um velório mesmo se o defunto for desconhecido. Aquela que lamenta até hoje a morte do “Tranquedo” Neves. A que não consegue dizer pizza e sempre fala palavrão sem querer. Que adora uma fofoca e falar “ansim desse jeitu, com uns corte, aburrecida”.

Pior são as fumantes. PQP! As fumantes não dá para aturar. Você chega em casa e ela ta lá cozinhando e fumando um cigarrito véio com um dos olhos fechados mexendo a panela. Mazááááááá Cremilda hein? As que lavam as “cutrina” uma vez por ano. Que usam “alicatre”. E as que fazem lista de supermercado assim:

aseite de olívia
Sebola
Tumati
Beico

As que se apaixonam pelo novo “rome titi” que instalaram na sala. Aquelas que a mãe vive doente com trombose, istroprose, caruncho, berne, gonorréia, sífi, dor no figo, penicite, mas que sempre estão num médico dos bons que receita um antidioti daqueles que melhora até defunto.

Estou sendo maldosa? Talvez. Mas sem deixar de ser realista. Foi a Daniela Takemura que pediu. Eu apenas atendi. E você? Qual foi a coisa mais canalha que sua empregada já fez?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ser ou não ser...

Bom Dia Renata. Vc não acha que às vezes pega meio pesado no blog? Só acho que vc como escritora deveria evitar certas opiniões próprias, só se for o teu perfil e os leitores estiverem acostumados. Pense na cultura que a maioria das pessoas possuem e se vc bater de frente com elas, acontecerá que elas passarão a te evitar.
Luis

Prezado Luis... Assim... Eu não escrevo para agradar as pessoas nem para conseguir seguidores. Escrevo o que penso e expresso a minha opinião. Posso estar equivocada às vezes e estou aberta à críticas e lamentações. Inclusive aceito mudar de opinião caso alguém me prove que estou errada e que as coisas não são bem da maneira que imaginava. Até gosto disso. Gosto de descobrir que estou errada sobre coisas que anteriormente tinha má impressão.

Mas quem não gosta do que escrevo, aconselho a não voltar mesmo, pois podem se machucar com minhas palavras, embora essa não seja a minha intenção. O que não posso me permitir é deixar de expressar o que penso porque alguém em algum lugar poderá se ofender.

Normalmente é isso que acontece né? Nos jornais, revistas e por todos os lados as pessoas são censuradas e castradas mentalmente. Suas reais opiniões são podadas para contentar gregos e troianos e isso perde a graça. Não podem expressar seus sentimentos e indignação com fatos e acontecimentos do cotidiano para não ferir nem agredir ninguém. Em nome da moral e dos bons costumes. Não falar para não se incomodar não é mesmo? É bem mais fácil. Assim todos saberão que você pensa como eles ou até mesmo acharão que você não pensa, como as amebas que apenas se desenvolvem e morrem em algum momento de suas vidas.

A graça está em nos depararmos com uma opinião diferente da nossa para nos fazer refletir sobre nossas opiniões. A questão não é se a opinião de fulano ou ciclano seja a correta, mas se for diferente da minha me fará refletir sobre minha forma de pensar e agir. Só então é possível haver um impacto que resulte em mudanças, senão seríamos todos apáticos e sem opinião própria, uns concordando com os outros como zumbis sem personalidade que não geram discussão e muito menos raciocínio lógico sobre as coisas da vida.

Desculpa Luis, mas eu sou assim quer você goste ou não. A opção é sua de digitar meu link em seu computador. Isso é o máximo que eu poderei fazer por ti, te aconselhar para que desista de entrar aqui. Não me conformo com pessoas que admitem baixar a cabeça abdicando de emitir sua opinião com medo do que os outros vão pensar. Mesmo assim, obrigada por me alertar que pessoas como eu e tu podem existir no mundo e agredir o mundo de alguém.

Ah! E sim, esse é o meu perfil e os leitores que por aqui passeiam e voltam é porque conseguem ter discernimento de que muito embora não concordem comigo, podem colher bons frutos dos meus devaneios. Nem que seja para rir da minha cara e se divertir com isso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vinhos

Prezada Blogueira Renata,
Estou em greve, decidi não beber mais água, somente bebo vinhos chilenos, argentinos, uruguaios e brasileiros, uns sulafricanos às vezes, um francês lá de vez em quando. Dica para a Srª escrever. Fale de vinhos, por favor.
Att. Tito Schipa


Bueno, vamos falar de vinhos. O problema é que você pediu isso para a pessoa errada. Não entendo nada sobre o tipo de uva que por sua potência e concentração vai determinar se combina mais com carnes grelhadas ou com peixes. Se me perguntar a diferença entre Chardonnay, Riesling e Gewürztraminer eu não vou saber te responder. Posso não saber o que quero da minha vida, mas sei que enóloga ou simplesmente uma sommelier eu jamais serei.

Estou reaprendendo a gostar de vinhos, meus prediletos são Concha Y Toro, Carta Vieja, Gato Negro e Santa Alvara. São encorpados, com um delicioso aroma. Esses vinhos são os que gosto de tomar atualmente, mas bem devagar, porque senão me vem a mente certas lembranças desagradáveis.

Quando tinha quatorze anos e era completamente fora da casinha (mais ainda) reunimos umas dez amigas na casa de uma delas. Estávamos prontas para ir num baile do dia dos namorados. Estava me achando linda maquiada, mesmo com aquele nariz que resolveu crescer primeiro que o resto do corpo. Era meu primeiro baile e estava pronta para entrar nele ao lado do meu namoradinho da época. Achava aquilo o máximo. Quando a bebida “de fundamento” terminou, fomos num boteco na esquina e compramos um vinho bagaceiro de garrafão de cinco litros.

Todas as meninas tomaram metade do garrafão e a outra metade eu tomei sozinha. Sério. Tomei metade sem nunca ter bebido vinho na vida. Conclusão: Vomitei a casa toda e depois desmaiei. Só lembro de acordar com a mãe e o pai da minha amiga colocando açúcar na minha boca e passando água no meu rosto enquanto meu namorado gritava que não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu abria os olhos e tudo que via eram várias colherinhas de açúcar e um vulto tentando enfiar glicose na minha boca. Ainda bem que eram colheirinhas... Mas que bah!

Então me levaram para casa e eu fui direto para o banheiro escovar os dentes e me limpar. Não acertava a pasta na escova e coloquei o pijama virado. Meus pais não me viram chegar, pois fiz um esforço enorme para que eles não vissem. Ao chegar no quarto lembro de ter um porta retrato que era um coração com braços e pernas e ele acenava sem parar para mim. Eu ria dele e fazia sinal de silêncio para não acordar meus pais. Quando deitei na cama o teto do quarto girava e aquilo me dava náuseas. Sentia minhas coxas tremerem. Foi horrível. Queria voltar ao normal e não conseguia. Acabei dormindo e acordei num estado deplorável no outro dia morrendo de vergonha e com uma dor de cabeça terrível. Perdi o namorado e a vontade de tomar vinho. Não podia com o cheiro nem de um simples sagu e isso se estendeu por vários anos da minha vida.

Por isso Tito, não me sinto com propriedade para falar do assunto, por que há poucos anos que aprendi a gostar de bons vinhos devido ao trauma do vinho bagaceiro que tomei na adolescência. Mas quem sabe falamos em whisky? Daí sim, o assunto pode se ampliar... Coff!!! Coff!!! Coff!!

Um brinde! Com vinho do Porto, doce e forte, como o abraço que te dou agradecendo a tua participação aqui no blog.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mentiras sinceras me interessam

Minha mãe costuma pegar pesado na sinceridade. Cresci ouvindo ela dizer que meu sorriso era idêntico ao da Zezé Mota. Eu, bem faceira sorrindo e pá! Lá vinha o comentário:
- Mas ela é a cara da Zezé Mota, olha só! Ri e fecha os olhinhos... Além de ter um bocão.

Vamos combinar que parecer com a Zezé Mota não é a melhor coisa do mundo, não é mesmo? Pra completar ela elogiava minha vizinha (Gabi) dizendo que ela era a cara da Brooke Shields. Daí sim, meu complexo piorou.

Cada vez que enxergava a Zezé Mota numa novela tentava ficar bem séria para não parecer com ela. Não gostava disso, ponto. Com o tempo minha mãe começou a dizer que eu estava ficando parecida com a Betty Boop. Comecei a gostar da idéia e virei fã da bonequinha. Sexy, delicada, sempre de salto alto...

Maldita a hora que perguntei porque ela me associava a Betty Boop... A resposta veio com a sutileza de um rinoceronte:
- Porque tu tem um cabeção e a perna fina.

Valeu mãe! Também te amo!

P.S.: Me aguardem, existe o livro o sorriso do lagarto. Eu vou lançar o sorriso da Zezé.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ahãm

A cada dia que passa não sou mais quem era antes. A Renata de alguns meses atrás é completamente diferente da Renata que acordou e olhou para mim no espelho hoje de manhã. Estou me reconstruindo, formando uma nova mãe, uma nova profissional, uma nova mulher...
Não sei explicar, ando sem paciência para gente sem educação. Gente que fura a fila na maior cara de pau, que atira papel no chão. Decidi que não vou mais permitir que pessoas que não me fazem bem permaneçam no meu círculo de convivência e não vou mais socializar com quem não to afim. Achei que isso não fosse possível, mas descobri que sim.
Percebo que muita gente frequenta lugares que não gosta, conversa com quem não suporta e muitas vezes demonstra ser o que não é, somente para contentar os outros e não a si próprio. Cansei daquelas jantinhas com gente falsa, daqueles olhares recheados de hipocrisia, daquelas críticas vazias feitas por pessoas medíocres e imensamente frustradas. Tão bom se sentir livre de gente chata. Viver a vida da maneira que achar melhor.

Alguém se importa com o que se passa dentro de mim? Não. Somente eu. E portanto não preciso fazer cena no palco da vida muito distante do que existe nas coxias. Posso ser protagonista e atuar a cada dia com o roteiro da minha própria biografia. Quem não gostar que não assista.

* P.S.: Adoro esse macaco.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

No horizonte do meu lar







No horizonte do meu lar
O pôr-do-sol mais bonito
Luz que vem do infinito
Fico encantada a admirar
Meu cantinho, meu sossego
Ali está meu aconchego
Pra onde gosto de voltar



Renata Miranda

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

E o dente de leite caiu

Meu filhotinho acaba de perder seu primeiro dentinho de leite. Pode parecer algo banal que acontece corriqueiramente na boca de milhares de crianças por aí. Mas não pra mim que encaro isso como uma transição de uma etapa da vida.

Estar com ele nesse momento foi muito importante pra mim, pois tinha medo de como ele reagiria diante do sangue que sai em grande quantidade embora sem dor. Queria estar com ele para tornar aquele momento especial como um ritual de passagem. E consegui. Percebia que as risadas que ele dava era de nervosismo e a maneira como agi no momento fez com que ele percebesse que aquilo era importante acontecer.


Tiramos fotos, mandamos mensagens avisando o acontecido. Brindamos com guaraná. Guardei o dentinho com carinho na minha caixa de jóias para banhar sua base com ouro e colocar na minha gargantilha onde levo um bonequinho que simboliza meu filho. Mãe boba que sou, na agenda anotei: Primeiro dentinho do Gui caiu com seis aninhos no dia seis.


Combinei com ele que o primeiro dentinho seria meu, pedindo desculpas a fada do dente que no próximo irá trocar por um lindo presente, comemorando o momento em que ele amadurece e deixa de ser “aquela criança” que antes não tomava banho sozinha e ainda usava a mamadeira.


Quando olho para os olhinhos dele, sorrindo para o espelho conferindo a “porteirinha” que ficou entre os dentes, percebo que tudo passa muito rápido e sei que daqui uns dias o meu gurizinho estará pedindo a chave do carro.

Assim é a vida. Foi assim com meus pais e agora está sendo comigo. Os ciclos se repetem. A vida segue. O mundo gira. Que bom poder ver poesia nessas pequenas coisas. Que bom poder olhar o cotidiano com olhos de quem sabe amar.
E o dente de leite caiu Mesmo assim o Guilherme sorriu Em meio ao sangue que escorria Um momento, uma alegria Temos que comemorar Registrando o terminar Acaba uma etapa de vida Pra iniciar outra mais colorida Aos olhos de quem sabe amar

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eu & as estátuas

Não sei você, mas eu adoro interagir com as estátuas. Estão sempre dispostas a serem fotografadas ao nosso lado sem nenhum comentário chato, como daqueles que seu amigo mal-humorado que odeia posar para fotos faz. Quando enxergo uma estátua, pá... Tô eu lá do ladinho pronta para tirar uma foto.

Drummond. Sempre tão calado. Um bom ouvinte.

Queriiiidos. Um casal simpático.

Eu e Juscelino saindo da Cachaçaria em Búzios. Ele até tirou os sapatos e sentou depois do porre.

Verificando se não existe bichinho da cárie.
Praticamente amiga íntima.

Patrícia e eu no Projeto Tamar na Bahia.

Nos concentramos juntos.

Dá bejim na Natim.

Mamãe canguru.

Me mostrou um batom óteeeeemo que uso até hoje.

Ele sempre me cumprimenta quando vou ao Rio de Janeiro.


Sempre conversamos nas minhas idas à Brasília.

Sarah e Juscelino em Brasília. Extremamente simpáticos.

Nos reencontramos em Búzios e fui verificar se o sapato dele ainda estava quente.