domingo, 10 de julho de 2011
Elevador com espelho é mais rápido
- Mas eu tô gorda credo! Tô precisando emagrecer uns quantos quilos. Tô com uma papada... Olha só! Credo! Essa lâmpada fluorescente me deixou com uma cara horrível... Parece que tô mal do fígado. Xiiiiii... Tem uma espinha saindo na ponta do meu na...
"PLIM"!
- Décimo segundo andar
- Mas já?
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Inverno
Sim o inverno chegou
e com ele aconchego na lareira,
pinhão na brasa, fogueira...
Abraço, conforto, beijo...
Casaco, vinho, um bom queijo...
Cobertor, calor, amor...
Dormir, sorrir, cozinhar...
Aproveitar o conforto do lar...
Ver a geada de manhã cedo
ou entre os galhos vazios do arvoredo
o pôr-do-sol a reinar.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Frases feitas
Dependendo do porre, podemos entrar num táxi chorando e dizer:
- Me leve pra casa agora! (Como se o taxista tivesse um radar com um GPS acoplado na mãe Dinah para adivinhar o endereço).
Eu tenho sonhos de ter um motorista particular sarado chamado Jarbas vestido de terno num calorão de 45 graus só pra dizer:
-Prepare meu carro que eu vou sair. (Quando digo isso para o flanelinha ele faz uma cara estranha de quem não está entendendo nada, mas na verdade é só para treinar mesmo... E a propósito, porque preparar o carro para sair? Afinal rico não costuma usar carro à alcool que tenha que esquentar)
-Dona Marilda, venha até meu gabinete! (Aizááááááá guria hein? Um chicume só!)
- Não é nada disso que você está pensando!
- Parem esse casamento! Você não perde por esperar!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Psicose
Em seguida, uma mulher estranha, vestida de punk e oito piercings só no rosto, passa meio que de olho nela. Seu nome é Tina. Um dia foi Cristina, mas quando resolveu ressuscitar na nova versão de sua vida, aboliu o Cris com todo o seu passado.
Tina acaba aproximando-se de Célia Maria, que de repente percebe a existência dela e mesmo desconfiada resolve disfarçar que não há nada de errado. Então, Tina puxa conversa:
- Que dia feio né? Essa garoa fina deixa qualquer um chateado.
- É. Euodeiochuva.com.br. Sou a pessoa que mais odeia chuva que eu conheço.
- Esse ventinho também não ajuda né? Mas você está elegante nesse 7/8 preto e essa manta xadrez no pescoço! Prazer, meu nome é Tina!
- Obrigada! Você fica muito bem com esse piercing no nariz. Gosto muito, só não sei como consegue comer com esse outro da língua. E o meu nome é Célia. (Então dá um sorriso simpático, mas retoma as tentativas com o celular)
- Você sabia que celulares podem causar câncer no cérebro?
- É... Já ouvi falar. Espero que o taxista que chamei esteja utilizando celular com mais frequência do que eu...
- Já esteve em Ponta Grossa?
- Quê?
- Já esteve em Ponta Grossa?
- Eu?
- Quem mais? Afinal, até onde sei é só com você que estou falando.
- Porque? Olha, me desculpa, mas eu estou muito atrasada e daqui a pouco vou perder meu avião. Estou nervosa com isso. (Mais tentativas no celular)
- É uma perguntinha de nada...Basta responder que sim ou que não.
- Sim, eu já estive em Ponta Grossa. Pronto!
- Hummmm... Eu sabia!
- Quê? Como assim?
- O seu último livro deveria ter o meu nome sabia?
- Do que você está falando?
- Que você roubou minhas idéias, minha vida e minha alma. Me escutou contando minha vida para uma amiga quando esteve em Ponta Grossa.
- Você é louca? Do que você está falando?
- Você escreveu sobre a vida de uma menina adolescente que se apaixona perdidamente e por mais que digam para ela não voltar com o garoto, ela volta mesmo assim e sempre descobre que está sendo traída. Depois você fala que ela sentia-se deprimida por não ser tão linda quanto à amiga Eduarda que tinha uns peitões e um cabelo lisérrimo e todos os meninos sonhavam em ficar com ela, enquanto eu tinha que conviver com meus cabelos pixaim e um laçarote de pano ridículo que me acompanhou durante anos. Contou até que morria de vergonha de sair com aquelas espinhas horrorosas e aquele aparelho nos dentes. Você contou minhas intimidades, quando disse que morria de medo de usar O.B. e ainda riu da minha cara porque sentia medo que ele se perdesse dentro de mim e por isso nunca tive coragem de enfiar aquele negócio. Falou com perfeição sobre a agressividade, tristeza, felicidade, agitação e preguiça que eu sentia nesse período. Das dúvidas que tinha sobre sexo, rindo da vez que estive em dúvida se poderia engravidar com sexo oral. Falou do medo que senti de estar grávida quando a camisinha arrebentou. Que olhava para os lados e era como se toda a população de bebês estivessem me olhando querendo me traumatizar com aquela culpa que sentia por ter transado dentro do opala do Leandro. Inclusive com detalhes do opala que só eu e ele saberíamos, quando caí sentada sem querer no freio de mão e acabei gostando. Você roubou a minha história de vida. A minha alma está naquele livro.
- Estou assustada Tina, acalme-se. Isso é basicamente coincidências que acontecem com a maioria das adolescentes. Não foi debochando de você.
- E como saberia que minha amiga gostosona era Eduarda e que meu namorado espinhento, punheteiro e narigudo era Robson?
- Eu nunca soube disso Tina. Sério? Os meus personagens existem?
- Não se faça de desentendida... Eu te odeio por isso.
- Mas, como assim? Xiiii... Olha só, o meu táxi está chegando... Bom te conhecer, até outro dia, hein?
- Nada disso, agora que eu resolvi me aproximar de você, você não pode sair assim. (Tina entra no táxi junto)
- Olha Tina, desculpa se eu te magoei, mas tente entender que não fiz por mal. Ponta Grossa foi apenas um acaso do destino na minha vida entende?
- Eu convivo há anos com essa agonia no meu peito Sra. Célia Maria. Desde Ponta Grossa que minha vida mudou. Quando li o que escreveu percebi o quanto minha vida está em tuas mãos.
Nisso o taxista começou a se interessar pela conversa achando que se tratava de duas lésbicas terminando um namoro por que uma delas havia escolhido ficar com Ponta Grossa. Ajustou o retrovisor e dedicou-se a observar enquanto dirigia.
- Vamos fazer assim Tina, eu vou te dar o meu e-mail e você pode me escrever quando quiser que iremos manter contato ok?
- Eu quero minha vida de volta e não o seu e-mail.
- Tina, você tomou algum medicamento, se drogou, bebeu? O que você está dizendo?
- Eu só tomo umas bolas de vez em quando. Outras vezes fumo um baseado, mas nada demais. Não chego a ser viciada em Óxi. Tenho que tomar alguns compostos antipsicóticos, mas agora só tomei de três tipos para conseguir criar coragem e vir tirar satisfações contigo.
- Você já pensou em procurar um psiquiatra?
- Já procurei.
- E o que ele disse?
- Me mandou parar.
- E você?
- Eu parei... De ir ao psiquiatra.
- Olha, só quero dizer que quanto ao meu livro...
- O nosso livro você quer dizer...
- O livro. Tudo bem se eu disser o livro? O livro foi um acaso do destino, por um acaso coincidiu com fatos reais da sua vida, mas nada além disso. Eu tenho as minhas próprias idéias.
- Se tivesse, não teria roubado a minha.
- Procure se acalmar ok?
- Eu não posso me acalmar quando finalmente estou cara a cara com a mulher que destruiu a minha vida!
- São R$35,00! (Diz o taxista estacionando em frente ao aeroporto)
Célia Maria fica tão nervosa com aquela maluca ao seu lado que entrega uma nota de R$ 100,00 e manda ele ficar com o troco. Desce correndo e diz:
- Tina, acredito que em outra oportunidade poderemos conversar melhor sobre isso. Mas olha, me escreva para o e-mail que está em meu cartão ok? Responderei as tuas dúvidas. Agora tenho que ir.
Tina olha firmemente com o olhar parado para o taxista e diz:
- Siga aquele avião.
domingo, 15 de maio de 2011
Diário de uma dona de casa em surto
Segunda-feiraHoje comecei a fazer o que minha analista mandou. Escrever num diário tudo que acontece comigo para elaborar meus pensamentos e organizar a minha vida, pois me sinto muito cansada e deprimida. Estou tentando ter paciência com as pessoas da minha família, pois ultimamente tenho sonhado que estou matando eles com as minhas próprias mãos. Acordei, arrumei a casa meio por cima, juntei todos os brinquedos do chão e fiz o café para a família. Coloquei a roupa suja na máquina, liguei o botão enquanto chamava as crianças para se apressarem para a escola. Fui até o quarto deles para insistir em acordá-los. A chaleira começou a apitar. Voltei para a cozinha, no meio do caminho juntei os tênis do meu filho que estavam jogados no corredor. Troquei a água do feijão que estava de molho. Liguei a torradeira. Voltei no quarto das crianças para ameaçá-los de apanhar caso não levantassem. Meu marido acordou resmungando reclamando que eu não dou educação para nossos filhos, que no tempo dele as crianças tinham a responsabilidade de se levantarem sozinhos sem que os pais mandassem. Aquilo me irritou profundamente. Adentrei o quarto deles, abri a persiana com raiva e arranquei as cobertas de cima daquelas criaturas que saíram de dentro de mim não sei como. Mandei levantar imediatamente e ir tomar café quase num surto psicótico. Arrumei os cabelos com as mãos, respirei fundo e lembrei da torradeira ligada. Quando finalmente todos estavam na cozinha, terminaram o café com pressa e saíram em disparada como uma tropa de cavalos cujas bundas foram picadas por abelhas. Meu marido saiu reclamando que tem que resolver tudo e está sentindo-se sobrecarregado e o resto eu nem ouvi mais. Afinal ele reclama todo o dia e eu não faço mais questão de escutar. Olhei a cozinha com tristeza, parecia que a tropa de cavalos tinham deixado a cozinha como os cavalos deixam as ruas na Semana Farroupilha. Comecei a limpar tudo com certo desânimo, mas encarei com firmeza a minha tarefa de dona de casa. Após aproximadamente uma hora a cozinha estava um brinco, tudo brilhava. Poderia me enxergar no brilho da chaleira. Aliás, quando me olhei levei um susto! Eu estava um trapo! Fui dar um jeito na cara e tirar aquela camisola horrenda que ganhei quando tinha dezessete anos e já estava se desfiando toda, mas tinha uma malha tão gostosa que não tinha coragem de me desfazer dela. Me ajeitei e saí para a feira para comprar tudo fresquinho e saudável para a semana. Olhava para o relógio para não perder a hora de começar o almoço. Cheguei em casa e me bateu uma tristeza de ter que sujar a cozinha tão limpinha novamente. Mas encarei sem medo e com muita determinação. O difícil não é fazer a comida em si, mas descobrir o que fazer para o almoço sem que ninguém reclame de nada e com a grana curta. Fui estender as roupas e colocar as cortinas para lavar. Arredei os móveis e retirei os tapetes. Arrumei os quartos, desinfetei os banheiros. Varri a casa toda e passei aspirador em alguns lugares. Retirei o lixo dos banheiros e passei álcool nos espelhos. Passei lustra-móveis por tudo. O cheirinho estava bom. Peguei um tapete horrível de pesado e descarreguei toda a minha indignação por fazer aquilo todos os dias no bendito tapete. Dei uma surra de vassoura nele lá no pátio até parar de sair pó. Coloquei de volta no lugar e passei limpa carpete para ficar mais limpo e cheiroso. Reorganizei os móveis nos seus devidos lugares e corri para começar o almoço. Enfim, fiz uma comidinha variada e bem gostosa, arrumei a mesa bem bonita e meus filhos chegaram da escola. Atiraram a mochila em cima do sofá e meu radar anti-bagunça foi acionado. Mandei que guardassem a mochila no quarto, mas eles não me escutaram. Então eu mesma peguei com ódio aquela mochila e guardei com cuidado no cabide do quarto. Mandei que lavassem as mãos enquanto meu filho mais velho já estava com uma mandioca frita na boca. O mais novo já tinha atirado os tênis no meio da sala de novo e pior, dessa vez com as meias junto de brinde, depois de uma partida de futebol da aula de educação física. Ligou a TV e sentou-se com um prato de comida na mão. Eu o mandei voltar para a mesa e esperar o pai chegar para almoçarmos juntos e ele me chamou de mulher chata. Nisso meu marido chega do trabalho, lava as mãos reclamando e senta na mesa. Reclama que não gosta de ervilha e que eu já deveria saber, como se ninguém mais gostasse de ervilha por causa disso. Pergunto então ansiosa para saber como foi o dia deles e eles:
- Ah! A mesma chatice de sempre ué... Enquanto enchiam a boca de comida sem nem sequer saborear o que fiz com tanto carinho.
Meus filhos começam a brigar entre si e meu marido perde a paciência com eles, a briga está formada. Em certo momento saltou uma ervilha de dentro da boca do meu filho num momento de fúria. Mandei que todos se calassem, pois a hora do almoço é sagrada e um dos meus filhos disse que sagrado é o meu fiofó, só que não com essas palavras. Foi bem pior. Então meu marido levantou da mesa e disse que não dava para comer em nossa casa e foi para o quarto deitar-se um pouco para dar uma dormidinha antes de voltar ao trabalho. Meus filhos levantaram da mesa e enquanto um foi ver TV o outro foi para o computador. Eu fiquei ali comendo sozinha e resolvi retirar a mesa que tinha arrumado com tanto carinho e fiquei analisando que parecia que glutões da idade média tinham passado por ali. Tinha comida fora do prato e suco virado na toalha. Nossa, eles nem perceberam que fiz um suquinho natural e deu um trabalhão para espremer aquele saco de laranjas. Tudo bem! Pelo menos eles estão bem alimentados e com alguma vitamina C no corpo. Retirei a mesa e me deu uma tristeza. Olhei para a cozinha e tinha que começar a limpar tudo novamente. Comecei a limpar tudo com certo desânimo, mas encarei com firmeza a minha tarefa de dona de casa. Após aproximadamente uma hora a cozinha estava um brinco, tudo brilhava.
Meu marido levantou do soninho, escovou os dentes e saiu resmungando alguma coisa que não lembro bem o que é. Meu filho inventou que queria fazer brigadeiro e me fez a gentileza de sujar toda a cozinha por isso. Escutava os arrotos do maior lá no computador. Fui recolher a roupa que já estava seca e passar a montanha de roupas que me olhava com cara de monstro na medida em que ia aumentando. Passei as roupas com certo desânimo e pensando como pode aumentar com tamanha velocidade a quantidade de roupas para passar. Após três horas passando roupas e fazendo verdadeiros malabarismos para conseguir passar os lençóis, meus filhos começaram a gritar pelo café da tarde. Olhei para a cozinha tão limpinha e me deu dó de sujar tudo novamente. Mas eles estão em fase de crescimento então coloquei uma mesa linda e os chamei para tomar café. Eles vieram correndo como dois dinossauros famintos e montaram um sanduíche virado em maionese, pegaram um copão de leite com Nescau e voltaram para o computador. Então retirei a mesa tão linda que havia arrumado e reorganizei a cozinha novamente. Eles só atiraram os copos sujos em cima da pia e saíram correndo novamente dizendo que iam dar uma voltinha e já voltavam. Lavei a louça e fui dar uma organizada na casa para reorganizar o local que meus filhos estavam. Comecei então a arrumar umas coisas na garagem e fazer alguns consertos em casa. Olhei para o relógio, quase 18:00, fiz um chimarrão para esperar meu marido e fui tomar um banho. Estava exausta. Não agüentava a dor nos meus pés. Saí do banho sentindo-me bem melhor e meu marido já havia chegado do trabalho. Tomou um banho e sentou comigo para tomarmos um chimarrão. Conversamos sobre algumas coisas e fui assistir minha novela tão adorada enquanto descascava batatas para a sopa da noite. Mas estava meio gripada e meu corpo doía. Então pedi para meu marido pegar aquilo tudo e jogar numa panela para fazer o jantar porque eu ia me deitar um pouco. Foi então que meu marido disse:
- Pô tu não faz nada o dia inteiro e ainda quer que eu faça o jantar? Tô cansado. Tu nem imagina o que foi o meu dia hoje! O dia inteiro sentado na frente de um computador. Tenha dó!
Por isso, minha cara analista, eu acho que nossos encontros não serão suficientes. Preciso de algo mais forte, algo que somente um psiquiatra possa receitar.
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Segunda-feira (1ª semana de tratamento)
Sinto-me cansada. Mas diferente. Acordei hoje com vontade de radicalizar. Decidi não me manifestar durante o dia todo. Tomei café tranqüilamente e não acordei ninguém. Me arrumei, me maquiei e saí para fazer a feira para comprar frutas. Simplesmente deixei um bilhete na geladeira:
- Meus amores, mamãe foi na feira. Não esqueçam de tomar café!
Voltei e notei que um furacão havia passado lá em casa, tinha uma escova de dente em cima da mesa do hall e pelo visto ninguém tomou café. Liguei o som e detonei uma música enquanto colocava as roupas para lavar. Peguei a vianda e fui num restaurante à quilo para escolher o almoço escutando um mp3. Quando voltei simplesmente coloquei em pratos diferentes. Atirei um jogo americano em cima da mesa e enchi uma jarra de água mesmo porque faz bem também. Fui assistir TV e dar umas gargalhadas sozinha.
Eles chegaram, mandei sentar à mesa e se me respondessem alguma coisa eu grudava um rolo de massa na cabeça deles. Mandei meu filho juntar os tênis e as meias da sala e enfiar na bunda. Meu marido chegou e começou a reclamar, eu o escutei e comecei a cantar cara caramba caracaraô enquanto tirava os pratos da mesa. Atirei na pia para lavar depois e fui dormir com meu marido. Ele me olhava espantado enquanto eu roncava. Meus filhos estavam no computador quando acordei e meu marido já havia ido trabalhar. Pedi para meus filhos fazerem o tal do Orkut para mim porque queria saber como era aquilo que eles tanto mexiam. Enquanto isso eu arrumei a cama deles, tirei o lixo e organizei a casa, incluindo a louça do almoço que eu já havia esquecido.
No meio da tarde fiz uma vitamina de banana, entreguei lá no computador mesmo para cada um e avisei que ia sair. Voltei no consultório da analista que me encaminhou para uma psiquiatra renomada. Comecei a tomar fluoxetina, mas não senti diferença alguma. Voltei para casa esperançosa, tomei um guaraná cerebral e fui tomar um banho. Esqueci do chimarrão do marido. Mas também não tava nem aí.
Detonei uma música na cozinha e fiz um jantarzinho esperto, mas deixei no fogão mesmo e avisei a galera que quem quisesse comer que comparecesse à cozinha, se servisse e deixasse tudo dentro da pia que no outro dia eu ia lavar. Fui assistir TV no quarto enquanto lia revistas de fofoca.
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Segunda-feira (terceira semana de tratamento)
A fluoxetina ainda não está fazendo diferença alguma, mas meus pensamentos estão diferentes. Continuo com meu ritual de acordar cedo e tomar o meu café solitária. A diferença é que eles não estão se atrasando mais e decidiram não tomar mais café da manhã e sim um copo de leite com Nescau de guti-guti. Eu achei ótimo. Menos louça para eu lavar.
Pedi dinheiro para meu marido para o conserto da máquina de lavar (que não estragou mas eu menti que estragou) e paguei para uma senhora passar aquela montanha de roupas enquanto fui na manicure. Marquei hora no cabeleireiro e organizei a casa rapidinho para dar tempo de chegar para o almoço. Estamos comendo de vianda e a comida está ótima. Só dou uma incrementadinha com meu toque pessoal. Eles já estão domesticados, comem sem reclamar e começamos a conversar sobre as coisas do dia-a-dia. Meu marido levou um susto quando me viu com o cabelo diferente e perguntou se tínhamos algum casamento para ir. Eu disse que havia me arrumado para ele e perguntei se ele tinha gostado. Ele fez uma cara de espanto e não me elogiou, mas pelo menos não me criticou também. Tudo bem. Levantei da mesa e fui convidar mais amigos no tal do Orkut. Me viciei naquilo. Encontrei muita gente que não via há séculos. Meus filhos já estão arrependidos de terem me ensinado a mexer. Estou subornando o filho menor para que ele suma de tarde indo para alguma lan house enquanto eu assumo o lugar dele no computador. O dia passou e eu nem percebi. Acabei não lavando, nem passando roupa hoje e a louça do almoço foi lavada na hora do jantar. Dei uma arrumada meio por cima e voltei correndo para o Orkut. Meu filho mais velho se rebelou e eu estou pensando em comprar um computador só para mim. Todos foram dormir e eu aproveitei para ficar na internet. Quando me dei conta eram cinco horas da manhã e eu resolvi ir dormir pois estava um caco.
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Segunda-feira (Quarta semana de tratamento)
A fluoxetina é a coisa mais legal de baita jóia que já inventaram. Estou feliz por estar viva, por ser saudável e poder ouvir os pássaros a cantar pela manhã. Se bem que ando me acordando meio tarde por causa da internet na madruga. Me viciei naquela porr... Só tá dando tempo de buscar o almoço e arrumar as camas meio por cima. Os lençóis eu só troco uma vez por semana agora que é para poupar sabão em pó e luz. Estou aproveitando o tempo sem os meninos em casa para ficar na internet por que as brigas pelo computador estavam demais. Eu quase bati no meu filho mais velho por que eu tinha que responder uns scraps muito importantes e ele não entendia o meu lado. Além disso, sou moderadora de 897 comunidades e não posso deixar de responder para as pessoas que aguardam por uma resposta.
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Segunda-feira (Quinta semana de tratamento)
Eu amo a fluoxetina. Eu idolatro a fluoxetina. Eu venero o farmacêutico que descobriu a fórmula da fluoxetina e poderia dar um beijo de língua de 45 minutos no vivente que inventou a fluoxetina. Eu amo a vida e o Planeta Terra. Bom dia sol! Bom dia flores! Bom dia natureza! Eu amo meus filhos. Eu amo minha casa. Eu amo minha vianda. Minha analista, meu cabeleireiro. Mas descobri que não amo mais meu marido e estou pensando melhor nesse assunto. Acho que ele não me enxerga mais na frente e eu não sinto a menor falta que enxergue. Aliás tenho sonhado que estou dando para todos os atores dos filmes que já assisti na vida. Uma loucura! Tenho a nítida sensação que gritei de verdade na orgia que fiz no meu sonho dessa noite. Me acordei relaxada e imensamente feliz. Meu marido continua reclamando de tudo e eu continuo cantando cara caramba caracaraô nessa hora. O Orkut agora não está tão interessante, embora todos os dias eu fique boa parte do meu dia nele. Resolvi pedir para o dono do restaurante que fornece viandas, que entregasse todos os dias lá em casa para que no tempo que eu levava para buscar o almoço eu possa ficar no computador antes que meus filhotinhos chulepentos cheguem da escola.
Nosso jantar está sendo torradas. E cada um faz o seu para ficar mais prático. Bem melhor!
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Segunda-feira (Vigésima semana de tratamento)
Resolvi fazer um currículo e enviei para várias empresas. Fui ao cabeleireiro e pedi uma transformação geral. Deixei um bilhete para os “homens” da casa que tinha um lasanha no forno e que eles não me esperassem para o almoço. Estou tendo fantasias sexuais com o aspirador de pó e estou preocupada com isso por isso marquei a analista para rever alguns pontos. Entrei na internet e comprei um kit de vibradores de 20 cm para pelo menos mudar o foco do aspirador. Foi fantástico! Acredito que agora o problema com meu marido esteja resolvido, pois ele só serve para pagar as contas mesmo. O problema é que agora não consigo ficar muito tempo longe do meu amiguinho eletrônico. Mas acredito que seja como o Orkut que com o tempo eu vá me acostumando e a novidade passe. Meus filhos estranharam ao me ver de pijama o dia inteiro e toda escabelada com cara de risonha enquanto cozinhava para eles um jantarzinho especial. Eles brigam ao fundo mas eu só consigo cantar, cantar e cantar. A vida é muito linda para ser desperdiçada.
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Segunda-feira (Trigésima semana de tratamento)
E aí psiquí? Aqui estou eu escrevendo nesse maldito diário que até me ajudou bastante no meu processo de interiorização. Nunca mais vou permitir que a senhora me tire algum remedinho esperto desses que eu estou tomando. Show de bola! Cansei do meu vibrador. Estou achando tudo muito morno, sem graça. Já troquei as pilhas, coloquei alcalinas até, mas não adiantou. Acho que nosso relacionamento está esfriando de vez. Pensei em arranjar um amante, mas acho que vai me dar muito trabalho, afinal preciso de tempo para arrumar a casa toda e ficar no Orkut enquanto meus filhos não chegam. Se bem que agora eu só arrumo a casa na hora que eles estão no computador, senão nem arrumo mais. Ah! Eles vão dormir mesmo e bagunçar a cama toda de novo! Pra que vou ficar arrumando toda hora?
Recebi um telefonema de uma empresa querendo ver o meu currículo e fui a uma entrevista hoje. Fiquei toda animada mas morrendo de medo de ser chamada, eu não sei fazer praticamente nada, não saberia nem por onde começar. Mesmo assim, sinto que preciso ser independente para me livrar daquele marido múmia que eu tenho em casa e parar de mentir pra ele que a máquina de lavar estragou só para conseguir uma graninha extra para fazer a unha.
Agora decidi que quando me sinto meio cansada, pego meu personal vibrator Astolfo, nome que decidi carinhosamente de chamá-lo porque foi meu primeiro namorado, e vou tomar um banho com ele, depois vou dormir sorrindo antes mesmo do meu múmia chegar. Até minha pele está mais bonita.
Segunda-feira (quadragésima semana de tratamento)
Querida, amada, iluminada psiquí, acho que nem preciso mais vir aqui lhe entregar meu relatório de diários. Estou tri tranqüila e muito feliz. Fui chamada para trabalhar numa empresa que é tudibom! Um ambiente super agradável, um salário razoavelmente bom, colegas super simpáticos que estão me ajudando bastante na minha fase de adaptação. Sinto-me útil, ágil, cheia de energia, vitalidade e até contratei uma faxineira. Bolei um cartaz com as tarefas lá de casa para cada um fazer para manter a casa em ordem, porque agora não existe mais a escrava Isaura para limpar todos os minutos. Chego à tardinha e faço um gostoso chimarrão e sento com meus filhos para conversarmos abobrinhas e dar uma revisada nas tarefas da escola. A múmia do meu marido não está mais brigando e até me elogiou hoje pela manhã, disse que eu estava um pouco mais magra. Eu quase gozei com esse elogio, afinal, não sei o que é isso há anos. Me animei com a idéia e resolvi testar a múmia. A múmia se desvencilhou dos pedaços de múmia e virou um homem viril. Me fez gemer sem sentir dor e quase disse que eu o amava num lapso de loucura. Acordamos como dois estranhos, um olhando meio desconfiado para o outro, mas fingimos que não havia acontecido nada demais. Tomamos café e ele até me ofereceu uma carona até o trabalho. Senti até um certo medo, mas aceitei. Na descida do carro ele me puxou e me deu um beijo no rosto. Eu não entendi nada mas desci sorrindo, meio desconfiada. Trabalhei feliz e minha semana foi toda assim: Estranha.
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Segunda-feira (última semana de tratamento)
Minha família está relativamente normal. Me arrisco a dizer que parecemos um comercial de margarina em certos momentos. Meu marido foi promovido de múmia para Rei Leão e eu estou até achando ele mais acessível e menos barrigudo. Já não sinto mais vontade de me separar e meus filhos estão indo muito bem na escola. O mais velho até recebeu um elogio da professora. Resolvemos viajar todos juntos e foi muito divertido. Entrei numa feirinha que sempre tem em cidades turísticas e comprei lençóis novos, lingeries novas e frufruzinhos para dentro de casa. A casa ganhou um certo charme. Comprei abajures e à noite eu acendo todos pela casa para criar um clima agradável. Doei o vibrador Astolfo para minha vizinha viúva há cinqüenta anos e tenho notado que ela está mais sorridente pela rua. Comprei um computador só para mim, mas só utilizo nos finais de semana quando estou sozinha porque os meninos foram jogar com os amigos ou quando meu Rei Leão foi jogar sinuca na esquina. Estamos todos muito bem. Cada um na sua, fazendo aquilo que gosta e quando todos estão em casa tentamos aproveitar ao máximo bons momentos juntos. Só tem uma pequena coisinha que ainda está me incomodando e não consigo resolver. Uma pelanca de graxa que me acompanha na pança e não deixa aparecer o detalhe da lingerie vermelha que eu comprei na viagem. Acho que vou ter que rever minha análise. Mesmo assim, obrigada por me acompanhar nesse tratamento. Ler tudo isso até aqui é sinal de muita coragem e determinação. Se você quiser uma fluoxetina para se recuperar fala comigo tá? Porque o Astolfo eu já doei, agora é tarde demais.
ATENÇÃO: ISSO É UMA OBRA DE FICÇÃO, até porquê se eu tivesse um vibrador ele nunca se chamaria Astolfo. Fala sério!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Nossos filhos
sexta-feira, 4 de março de 2011
Carnaval
Na ala "Libera Geral" temos vagabundas que ficam completamente ouriçadas. Os caras “sem-vergonha” terminam o namoro de quatro anos para galinhar nas quatro noites. O diabo fica solto. A galera esquece da AIDS, da sífilis, da gonorréia, da herpes genital, da candidíase, do condiloma, do granuloma, do trichomonas, do HPV e principalmente da camisinha. Aliás, muitos filhos por aí foram feitos num carnaval. A galera “dá” adoidado, ô beleza! Atrás da cortina do clube, embaixo da escada, no banheiro, atrás da árvore, dentro do mar, no meio da multidão. Tem gente que enlouquece. Nunca entendi porque no carnaval pode e no resto do ano nada disso acontece. A sensação que dá é que no período carnavalesco as pessoas não raciocinam e permitem-se fazer e acontecer sem limites como se na quarta-feira de cinzas a vida não fosse continuar seu curso normalmente. Isso me assusta!
É vagaba dando em cima do marido das outras. É "fiadaputa" arrumando briga porque passou a mão na bunda da mulher do outro. É gente se agarrando e enfiando a mão em tudo que é buraco do corpo humano e no outro dia nem se cumprimentam. Uma chupa a língua do vivente que nunca viu na frente e dali cinco minutos ta chupando a língua de outro, ou dependendo da doideira de outra. Um festival de putaria.
Na ala dos doidão temos a galera que faz “diumtudo” porque é carnaval. Tem gente que emenda as quatro noites sem dormir cheirando pó e pirando o cabeção. Depois alguns se matam com uma depressãozinha básica, mas isso é um mero detalhe. Outros estragam a festa com uma overdose. Outros deixam escapar uma diarréia nas calças. Outros acabam dando alguns tiros e matam algumas pessoas na rua. Tudo muito simples assim, como se a vida não valesse nada.
O máximo de droga que fiz num carnaval foi cheirar lança-perfume quando tinha quatorze anos. Lembro bem da cena. Cheirei aquele lenço e um vídeo-game começou a zunir dentro da minha cabeça. Estava escutando Bob Marley e a música foi ficando longe, longe, muuuuuito longe e eu lembro que me babei toda. A baba caiu lá no pé. Que cena linda! Admirável vocês não acham? Tão admirável que nunca mais fiz. Paguei todo o dinheiro da minha mesada para escutar um barulinho diferente durante menos de 3 minutos e ficar com cara de abobada babando na frente dos meus amigos. Totalmente panaca! Além disso, o cheiro é enjoativo.
Pior que isso, eu havia comprado alguns tubos com as amigas do bloco que eu tinha e fiz de tudo para esconder dos meus pais. Então meu avô que é super sério e conservador chegou e perguntou na nossa concentração se alguém tinha lança. Todo mundo se olhou e obviamente disse que não. E ele disse:
- Que pena! Poderíamos colocar no congelador. Fica muito melhor! E assim eu experimentaria de novo!
Ficamos de queixo caído. Mas o que meu avô não sabe é que isso é proibido nos dias de hoje. No tempo dele era liberado e as pessoas tomavam com uísque. Dá para acreditar? (Minha mãe vai me matar porque eu contei isso).
Na ala da diversão, onde tudo é festa e bebedeira, se for embora de táxi tá tudo certo. No máximo uma vomitadinha num canto em meio a muitas gargalhadas. Mas sempre tem aquela criatura que não bebe nada e que fica com cara de bunda num canto achando tudo bobo. Fica com aquela cara séria enquanto todo mundo ri, criticando tudo que vê na frente e ao invés de ir para casa dormir fica ali, olhando com ar de superioridade como se estivesse fazendo uma análise de como as pessoas são idiotas e ridículas por estarem simplesmente sendo felizes. Dá vontade de mandar pra casa chupar um carpim. (Eu normalmente falo meia, mas meu avô falava muito essa frase: Vá chupar um carpim! Então eu acho mais legal carpim nesse momento. Melhor que falar o palavrão que havia pensado antes).
Na ala das crianças temos miniaturas de seres humanos que nos primeiros cinco minutos chegam fantasiados nos mínimos detalhes e então na medida em que o tempo passa a fantasia vai sendo desmanchada. A máscara do Batman é perdida, a capa acaba virando pano de chão para limpar o refrigerante que foi derrubado. Aquelas espumas em spray... Ah! Aquelas espuminhas “amigas”... Eu queria enfiar no você sabe onde de quem inventou aquilo. Espuma mais desnecessária! Só serve para melecar tudo e deixar o chão grudento. Você está lá dançando e um “diabinho” de 1 metro e 10 aperta aquilo na tua cara e sai correndo. Lá pelas tantas alguma criança simplesmente desaparece, a mãe se desespera. Então encontra o vivente embaixo da mesa bem tranqüilo tirando tatu (pólipos nasais). As menininhas com carinhas de cansadas, aliás, exaustas com os cabelos suados e a maquiagem toda borrada. Os menininhos correndo por todos os lados e com confete até dentro do ouvido. Certa hora começam a querer recolher todos os confetes que estão no chão e não deixam espaço para ninguém dançar porque eles estão na sua importante missão de “quem consegue juntar mais confetes do chão”.
E quando é em clube com conjunto musical? Vocês já repararam no figurino dos artistas no palco? Certa vez tinha uma mulher vestida de Xuxa com uma mini blusa e uma bolsa de banha caindo por cima de um micro short, usando uma meia calça bege para disfarçar a celulite, só que ficou muito pior porque ficou parecendo uma personagem maluca que saiu de dentro de um roupeiro cheio de coisas toscas. Usava uma botina zebu que não correspondia em nada com a Xuxa de verdade. E ela gesticulava como se os braços fosse de uma boneca de pano. Muito engraçado. Só de lembrar eu dou risada. Mas o que importa é que ela tinha uma voz melhor do que a Xuxa para cantar. O que não é difícil.
Na ala dos mal-humorados assumidos, temos aquelas pessoas que simplesmente odeiam qualquer barulho de tamborim. Vão dormir às oito da noite de cara fechada porque a vizinhança está fazendo barulho. Como não conseguem dormir ligam a TV e se indignam com o complô contra eles porque em todos os canais só o que dá é cobertura dos carnavais do Brasil. Então o vivente senta quieto na frente da TV e encara de braços cruzados o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro sem nem sequer bater o pezinho no chão.
Na ala dos "tô nem aí", temos gente como eu, que prefere sair para algum lugar legal se tiver afim, sair para um boteco para dar umas risadas com os amigos sem hora para voltar, passar o dia inteiro na praia totalmente zen... “Zen nada para fazer”... Só deixando o sol penetrar nos poros e na alma.
Na ala dos drags, homossexuais assumidos e transformistas, bem, esse não tem graça escrever. É o mais legal de todos. Todo mundo sabe. Impossível não se divertir.
Adoraria passar um carnaval na Bahia. Mas só de pensar eu canso. Fico me imaginando apertada no meio de uma galera suada e bêbada. Não que eu também não estivesse suada e bêbada, mas só de pensar eu desisto. Acho que sou muito acomodada. Prefiro ficar na beira da praia relaxando ao invés de ficar pulando como pipoca. Mas isso também depende do porre. Acho que preciso beber mais vocês não acham?
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
A cor que a vida tem
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Ceremonia del sol
“Hola Sol …! Otra vez sin anunciarte llegas a visitarnos. Otra vez en tu larga caminata desde el comienzo de la vida.
Un sol nítido y redondo, perfecto y delineado, puesto sobre el escenario de mi iniciación con la fuerza sagrada de un vitreaux de iglesia. Desde ese instante sentí que Dios habitaba en ti, que en tu fragua derretía la fe y que por medio de tus rayos la transmitía por todos los sitios donde transitabas. Los mismos brazos de oro que al desperezarte iluminan el cielo, al estirarse a los costados entibian las sierras, o apuntando hacia abajo laminan el mar.
Gracias Sol…! Por regalarnos esta ceremonia amarilla. Gracias por dejar mis paredes blancas impregnadas de tu fosforescencia.
Chau Sol…! Cuando en un instante te vayas del todo, morirá la tarde. La nostalgia se apoderará de mí...
Chau Sol…! Gracias por provocarnos una lágrima, al pensar que iluminaste también la vida de nuestros abuelos, de nuestros padres y la de todos los seres queridos que ya no están junto a nosotros, pero que te siguen disfrutando desde otra altura.
Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez”.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Colonoscopia
Não é fácil. Mas também não é difícil. O fato é que depois dos trinta anos a preocupação com a saúde aumenta e o check-up anual vai mudando de nível. Como um jogo de vídeo game que a cada fase vai ficando mais difícil.Quando temos histórico de câncer na família os cuidados devem ser redobrados. Mamografia, exames de sangue, citopatológico e até o cardiologista entram em ação. Trabalhando com prevenção fica mais fácil de tratar quando o diagnóstico apresentar um resultado negativo ou positivo dependendo do ângulo que se olha a questão.
Acontece que pela primeira vez resolvi enfrentar a tal da colonoscopia e aí queridos leitores, literalmente o buraco é mais embaixo. Não sei dizer o que é pior, o preparo do exame, ou o exame em si.
O tal do Dulcolax não é nada simpático, faz um estrago sem tamanho na barriga do indivíduo que sem poder contrariá-lo tem que engatar uma primeira nas pernas e se alinhar para o primeiro banheiro que enxergar pela frente, coisa muito horrível. Chega a dar um suador. Os pelinhos do braço levantam e ficamos parecendo um ouriço em situação de perigo. Sim, porque dentro desse remédio existe um gnomo que além de esmagar, enfia palitos na extensão do intestino. Tenho quase certeza disso.
Quando pensamos que tudo passou, após uma longa suspirada, percebemos que a barriga tem vida própria independente de qualquer coisa. A cólica é tão forte, que me pergunto se não seria melhor vomitar ao invés de... Bem, deixa pra lá. Ta, tudo bem, estou exagerando um pouquinho, mas é interessante dar um ar dramático ao texto.
Não é nada fácil. Que Deus proteja a todos quando chegar à hora de vocês realizarem esse exame. Espero que o anjo da guarda, juntamente com Nossa Senhora da Tripa Vazia ilumine vocês para que tenham uma boa hora.
Coisa braba mesmo é o tal do líquido que misturado com coca-cola funciona como um esterilizador que passa pelo intestino inteiro a milhão como se estivesse descendo um tobogã num parque aquático. Tem coisa pior que tomar líquidos sem ter vontade e ter que engolir um litro e meio desse negócio à goela abaixo? É... Pensando bem tem... Mas nessa semana isso foi o que de pior me aconteceu.
O exame em si causa mais medo antes de ser feito do que durante. Com anestesia a gente nem sente que está sendo estuprada até a parte debaixo do estômago. Quer dizer, sente, mas é suportável. Depois percebemos que vale a pena concluir que não há nada de errado por ali. Uma espécie de alívio. Alívio de verdade do tipo quando o aparelho sai do lugar que estava introduzido e saímos do consultório para nunca mais voltar.
Mas como tudo na vida tem um lado bom. Sexta-feira vou à praia praticamente sem barriga depois dos oito quilos que perdi com o pré-exame. Se não foi isso chegou bem perto. Coisa bem boa! Dá até pena de comer de novo e sujar um intestino tão limpinho e rosado como enxerguei no exame.
Uma coisa é certa. É melhor enfrentar nossos medos com prevenção do que sofrer ainda mais remediando depois. Com saúde não se brinca. Pelo menos é o que eu acho. Mas sabe como é, opinião é como bunda. Todo mundo tem uma. Dá quem quer.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Humor
Bom humor pode ser adquirido. Você pode optar por encarar tudo pelo lado bom e dar risada das perdidas ou fechar a cara para o mundo e chutar o cachorro por que teu dia não foi legal. Lembre-se que problemas sempre existirão.
Alegria de viver. Porque é tão difícil para algumas pessoas sentir entusiasmo no seu dia-a-dia? Por que para elas tudo é cinza e sem graça ou pequenos atos de felicidade são muito bobos para merecer um simples sorriso? Porque é tão difícil sorrir?
Quando estamos bem-humorados, rompemos uma barreira invisível que nos separa das outras pessoas que se aproximam de nós. Criamos situações favoráveis aos nossos planos. Quebramos o gelo. Abrimos portas e não só isso, deixamos portas abertas para que contatos futuros venham à nós.
Segundo Freud, “ocasiona o riso, que é um relaxamento da tensão que envolve uma parte do nosso inconsciente de maneira imperceptível. Ele eleva as pessoas, tendo relação profunda com "ser alegre de verdade", ou seja, o desejo de ter uma felicidade incondicional. O mundo não pode oferecer o bom-humor, mas esse sentimento tem o poder de transformar o mundo, vindo de uma fonte chamada “emoção-coração-amor”.
As pessoas bem-humoradas são lembradas com carinho, agem como ímã de coisas boas, nunca são esquecidas. Ela entusiasma, enche nossos poros de energia com seu humor e contagia todos à sua volta. Faz bem para alma. Optar por levar a vida de modo que ela seja colorida aos nossos olhos.
O sorriso é uma luz que deixa fluir o brilho que emite. Funciona como escudo, não permitindo que nada de ruim nos influencie. Sei que naturalmente meu sorriso sai que ninguém me peça, mas acredito que qualquer pessoa poderá fazer isso se prestar atenção nos seus atos corriqueiros.
"Quem vive de bom humor, passeia pela vida.
Quem vive de mau humor, passa pela vida".
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Noite de Natal
- Aqui tem mais bebida, alguém quer?
Então aquela tia levemente “fortinha” já está pegando com a mão um punhadinho de farofa e diz:
-Essa farofa ficou uma delícia!
- Fiz essa torta mas desandou e aquele peru ali tá parecendo uma galinha de despacho com aquele monte de pêssego e farofa que coloquei na volta.
- Meu filho desce daí, tu vai se quebrar, guri! Não deveria ter dado o presente agora, só amanhã de manhã. Hã? Telefone pra mim? Tá, já to indo... Alô? Oiiiiiiiiiiii! E aí guria? Feliz Natal pra ti também! Tudo de bom! Ai, cuidado! Não passa com essa moto em cima do meu pé meu filho! Desculpa, onde estávamos? Ah! Um excelente Natal pra vocês! Etevaaaaaaaaaaaaaldo! Cuida o teu filho por favor, ele está puxando a toalha da mesa... Ah! Desculpe, onde estávamos?
Nisso, alguém grita:
- Acabou a cerveeeeeeeja!!!
- Já estou indo! Meu filho, o homem-aranha da TV pode se atirar do telhado, tu não. Tu vai se quebrar todinho se pular daí de cima, vai sair muito sangue e vai doer insuportavelmente. DESCE daí já, guri! A cerveja já ta iiiiiiiiiindooooo.
Todos conversam animadamente na sala e parece que está tudo sob controle. O caos é apenas nos bastidores. A música está agradável, a mesa da ceia está linda e a árvore inteira. A cerveja gelada, e para quem está tranquilo conversando a festa está até animada. Então Etevaldo adentra a sala no meio da festa com chinelo de dedos perguntando:
- Que roupa eu visto?
- Mas o que tu tava fazendo que não tá pronto ainda vivente?
A escrava Isaura vai até o roupeiro e escolhe uma camisa bonita e constata que está amassada. Ela passa a camisa enquanto grita para o sobrinho:
- Não solta o cachorro! Ele fica nervoso quando tem muita gente.
E o cachorro se "mija" todo diante da cunhada da vizinha que ele ama de paixão, além de latir irritantemente e ininterruptamente por alguns minutos. Os convidados se entreolham com um ar de: "Mas por que ela solta esse cachorro pela casa? Será que ela tá achando que alguém gosta desses latidos?"
Lá está ela tentando pegar o cachorro no meio de pernas e mais pernas sentadas no sofá da sala. O cachorro se esconde. Acha que estão brincando com ele. A vontade que dá é de grudar uma vassoura na cabeça dele, mas o autocontrole tem que fazer parte de nossas vidas numa hora dessas. Eis que surge uma idéia:
- A primeira criança que conseguir colocar o cachorro no terraço ganha um panetone.
Ninguém se manifesta. Muda o discurso:
- A primeira criança que colocar o cachorro no terraço ganha R$50,00.
As crianças saem correndo atrás do cachorro desesperadas e gritando.
Quando tudo está solucionado a promessa dos R$ 50,00 fica para uma outra oportunidade. Então vem a hora da ceia. Crianças serão servidas primeiro e ficarão comendo numa mesinha num canto da sala. Num outro canto todos estão se servindo animadamente. Será que tem fios de ovos para todo mundo? Ai... Será que sobra para a coitada da dona da casa que se endividou para comprar as frescuras da ceia e espera o ano inteiro para comer fios de ovos?
Então enquanto vai de um lado para outro o que se constata? As crianças fizeram guerrinha de farofa na amada cozinha. Pior que isso, soltaram o cachorro novamente e ele está se deliciando com a farofada. A dona da casa vai em direção ao armário a procura de um comprimidinho "tarja preta" para enfrentar a noite de Natal e tudo fica mais legal.
Nisso, alguém grita:
- Acabou a cerveeeeeeeja!!!
E ela responde:
- Vem pegaaaaaaaaaar!!!!
Resolve tirar os sapatos, pois o salto está acabando com o seu pé. O Homem aranha trocou de roupa e agora está de Flecha da Família Incrível pela casa, quebrando tudo. Ela coloca o dedo na cara dele e diz:
- Se tu não parar, o flecha vai ser enjaulado com os leões da floresta e vai ficar lá dentro até um deles não existir mais, que tal?
Nisso, ela decide se servir e constata uns míseros fios de ovos sobre o peru. Vai até à despensa, abre uma lata de figo e coloca praticamente a lata inteira sobre o prato para compensar a falta dos lindos fiozinhos de ovos.
O sono começa a bater. Fica tentando bolar uma forma de se atirar no sofá e fazer de conta que está participando da conversa enquanto dorme de olhos abertos. Congela um sorriso, se ajeita numa almofada e pede para Etevaldo massagear seus pés enquanto todos estão bebendo animadamente. Percebe que suas piscadas estão ficando compriiiiiiiidas e que alguém nota e levanta.
- Vamos amor! A dona da casa está cansada.
Ela acorda imediatamente e responde:
- Que isso! Fiquem mais um pouco. Só estou com um pouquinho de sono. Tomei um Dramin sei lá, fiquei meio zonza. (Não iria dizer que foi um tarja preta né? Convenhamos!)
Eles decidem ficar por mais umas duas horas e trinta e oito minutos aproximadamente. Já é madrugada alta e sua árvore de natal está se mexendo. Na verdade é só ela que enxerga a árvore mexer. Parece que está meio torta, com algumas bolinhas no chão. Parecem quebradas. Deixa pra lá. Mas o que é aquilo no tapete? Um figo pisoteado? Que nojo! 
Decide então tomar um ar para se manter acordada, se não der certo terá que apelar para a opção palito nos olhos para mantê-los abertos. Abre a porta e o cachorro vai correndo para a sala. Que se dane! Ao olhar para a casa do cachorro fala para si mesma:
- Será que se eu deitar só um pouquinho dentro da casinha dele alguém vai notar?
Ai...ai... Nada como a noite de Natal. Na casa dos outros.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Ano Novo, Blusa Velha
- Toma
- O que é isso?
- Minha blusa favorita que tenho há 10 anos no roupeiro, mas toda vez que eu vou dar para alguém desisto porque pode servir um dia.
- Ah! Obrigada! Eu acho essa blusa linda!
- Pois é... Eu também, por isso nunca me animei a dar para ninguém
- Se você quiser ficar com ela tudo bem...
- Não! Foi difícil a nossa separação, mas decidi que em 2011 serei uma pessoa desapegada a coisas materiais
- Mas se faz 10 anos que vocês convivem eu não me importaria se...
- Não! Pegue! É sua! Você tem um corpo perfeito e ficará linda em você...
- Tudo bem então, obrigada! Vou usar hoje à noite na festa.
- Que festa?
- Ué. A festa da Paulinha. Esqueceu?
- É verdade! Havia me esquecido.
- Pois é... Estava sem roupa para ir, mas essa blusa é perfeita!
- Estava pensando, você poderia me emprestar a blusa para eu ir na festa? Afinal, se eu colocar uma cinta bem apertada ela fica perfeita em mim.
Festas de final de ano
- Seu Antonio eu poderia lhe pedir...
- Lilinha!
- Lívia. Meu nome é Lívia.
- Hããããã? Entendi. É para disfarçar. Quanta diferença hein? Você quase me enganou!
- Bem... Eu gostaria de lhe pedir para que desconsiderasse algumas coisas que...
- Desconsiderar? Aquilo foi inesquecível Lilinha! Você é perfeita!
- Lívia. Eu não posso beber demais que saio um pouco de mim e...
- Lilinha, por mim você pode sair de si todas as noites que eu vou adorar.
- Por favor, Lívia. E eu não tenho ideia do que fizemos ontem à noite e acho que não quero ter.
- Tudo bem Lilinha. Eu prometo que não vou pedir para você repetir a cena da oncinha de quatro em cima da mesa, mas aquela dança do orangotango só mais uma vezinha ok?
É... Muitas vezes "chutamos o balde" e pegamos “qualquer coisa” que aparece em nossa frente num momento de carência, esquecendo que no outro dia vamos ter que voltar a “vida normal” e de repente o “cão chupando manga” poderá ter gostado de nossos malabarismos sexuais que não mostraríamos nem para um marido com 210 anos de casada dependendo do porre que se tomou. Se pelo menos ele lembrou de usar camisinha, já que você era uma onça bêbada e não lembrava nem como tirava o sutiã, já é um grande alívio, mas e se não lembrou?
Das três uma: Você pega uma Aids ou qualquer outra doença venérea por aí por ter transado com o vivente sem preservativo, você entra em crise por não saber se ele tem alguma doença e até o resultado dar negativo você já perdeu várias noites de sono ou simplesmente você engravida da criatura e aí sim, merece colocar o nome da filhinha de Lilinha. Calma, vamos colocar mais uma alternativa nessa história, você simplesmente acorda e percebe que nada passou de um terrível pesadelo. Lembre-se disso na hora de tomar seu porre nas festas de final de ano. A vítima pode ser você.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Presente de Natal
Obrigada João!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Eu hein?!

Si, si, como no. Estimado Chabupy, creo firmemente que el anónimo podría por lo menos han puesto su nombre en el final, pero eso está bien porque en el fondo me gustan las preguntas agresivas para hacer mi blog más vivo. Las personas reprimidas sorprenderme la manera de enfocar su ira y lanzar todas sus frustraciones sobre los demás. Es divertido. Me río cada vez que vuelva a leer la pregunta de anónimo. Mas no importa, yo soy inoxidável e y casi nada me choca. Perdon, mi español es fueda.
Caro Chabupy, a prova de que existe vida inteligente fora da Terra, é que eles ainda não entraram em contato conosco. Portanto, é melhor deixar pra lá.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Meu pé de laranja lima

Tive um namorado que se apaixonou pelos meus pés, acho que ele nem gostava de mim, só ficava olhando para baixo suspirando para os meus dedos. A primeira vez que ficou comigo não segurou minha mão, mas o meu pé. Eu jantando com ele e pá, o guri se abaixava na mesa para fazer carinho nos meus pés. Demorei para me dar conta que aquilo não era normal. Tá bem, desculpa. Pra você deve ser.
Eu até pensei em me vestir com uma fantasia de pé gigante uma vez no carnaval para agradá-lo, mas tava tão quente que desisti. Já tinha até imaginado o modelito onde meu rosto encaixaria no lugar da unha do dedão e caminharia como o boneco de marshmallow dos caça-fantasmas. Será que foi porque não fiz isso que nosso namoro acabou? Putz! Não tinha me tocado, mas ainda bem que não deu certo, porque o pé dele era um horror. Ah! Lembrei! Foi por isso que eu quis terminar. Bem, não foi exatamente por isso, mas isso contribuiu bastante.
Os pés são a base do nosso corpo, que sustentam o nosso peso e que sem eles não se pode realizar a maravilha que é andar. É extremamente prazeiroso massageá-los e podemos sentir alívio inclusive de uma dor de cabeça numa simples sessão de shiatzu nos pés. (Se meu metatarso falasse me xingaria horrores porque ando de salto alto de segunda à sexta e muitas vezes nos finais de semana). Mas mesmo sendo importantes, nem sempre são bonitos. Alguns são bizarros como o pé da Daniela Cicarelli que tem seis dedos. Imagino que não deve ser nada fácil depois de uma noite tórrida de amor, perceber que a criatura que está na sua cama tem um dedo por cima do outro e que o esmalte vermelho da unha está pela metade, por exemplo.
Gosto de mãos, boca, peitos, coxa, bunda. Pé não vejo graça nenhuma. Mas isso sou eu. Você por exemplo já olha com outros olhos para um cartão postal cuja pessoa está deitada na beira de uma praia linda e tudo que você consegue ver são os pés da modelo em questão. Quer saber? Cada um com suas preferências. Gosta de pé? Se joga! É só tomar cuidado para algum ignorante não te chamar de pedófilo ao invés de pedólatra que tá tudo certo.
Um abraço e obrigada por escrever elogiando meus pés. Rico bicho!
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Violência contra a mulher
Obrigada e siga assim... parabéns por esse dom!
Prezada Dani,
Obrigada por tuas palavras carinhosas. Saiba que sou uma incentivadora de casamentos felizes. Também acredito no amor e acho que só por isso vale a pena manter um casamento. Quanto a acreditar em alma gêmea, acredito que o que importa é que nossa alma seja preenchida com amor para complementar a alma de outra pessoa, pois quem hoje é o que tu considera a tua outra metade, amanhã pode ser substituída por outra pessoa se a alma dela estiver em sintonia com a tua. Portanto, o que existe é o amor entre duas pessoas que estão na mesma sintonia. Isso cria uma barreira onde nada de ruim entra e ficamos com a sensação de que somente aquele casal pode existir no mundo. É maravilhoso quando isso acontece. Saber que se quer envelhecer ao lado de um grande amor. Saber que aquela pessoa vale à pena e que é com ela que se quer dividir boas décadas da tua vida. O amor não tem prazo de validade. Ele pode ser pra sempre, ele pode ser efêmero. Mas ele existe, isso é fato. A melhor parte é que ele é infinito ao mesmo tempo em que se renova.
Quanto a maternidade, me considero completa pelo fato de ser mãe. Como se isso me deixasse forte, me tornasse melhor, mais humana, mais compreensiva, mais tolerante com as pessoas que me cercam. Sinto que posso morrer deixando uma continuidade. Um pedaço de mim que se tornará muito do que eu sou e através dele serei eterna.
Quanto a violência contra a mulher, sou uma defensora ferrenha das mulheres e sempre que posso escrevo para todas elas independente da idade, insisto para que sejam independentes acima de qualquer coisa. Que jamais dependam de seus maridos e que se casem considerando como base o amor, desde que sejam livres financeiramente.
Infelizmente, muitos homens por sustentarem suas esposas, acreditam que são proprietários delas. Mesmo sabendo que o trabalho da dona de casa é infinitamente mais desgastante que o trabalho fora de casa. As mulheres assumem diversos papéis para fazer um casamento funcionar, onde os filhos são bem cuidados e os maridos podem assumir com mais liberdade seu trabalho porque podem contar com o apoio das esposas para cuidarem desses filhos, enfim... A mulher só é valorizada quando é independente. Quando precisa do marido para qualquer situação que envolva dinheiro, faz com que esse marido tenha uma sensação de poder sobre ela e com certeza isso facilita muito uma situação de violência doméstica.
A partir do momento que a mulher é independente, ela se fortalece perante o marido e isso impõe respeito dentro de casa. Faz o marido perceber que eles estão juntos por que se amam, e que se uma das partes não contribuir para a felicidade do casal, esse casamento pode acabar e ele vai ficar sem a mulher que casou.
O posicionamento da mulher em relação ao marido é fundamental num caso de violência doméstica. Hoje em dia não há mais espaço para aceitar calada um marido violento dentro de casa. Existe delegacia da mulher, existe lei Maria da Penha que protege as mulheres de maridos agressivos que se chegarem num raio de 50 metros poderão ser presos, existe denúncia anônima, existe meios de se proteger de monstros que se acham no direito de bater numa mulher só porque um dia teve uma relação com ela. Cabe a nós mulheres não permitirmos sob nenhuma hipótese que qualquer pessoa agrida fisicamente nosso corpo, por mais que se goste dela. Antes de gostar dos outros, temos que gostar de nós mesmas e só seremos respeitadas quando nos fizermos respeitar. Seja com atitudes, seja com a ajuda de outras pessoas. O que não se pode admitir é ficar calada por medo de denunciar quem não merece um pingo de consideração. Vejo meninas adolescentes sonhando com um casamento antes mesmo de sonharem com um diploma. Vejo o desejo da maternidade aflorando, querendo viver a vida de um novo ser, antes mesmo de viverem suas próprias vidas, estudando, tendo uma profissão, adquirindo coisas através de si mesma. Talvez pela falta de noção do que a espera lá na frente, talvez pela falta de informação. Mas se de alguma forma, minha escrita ajudar uma só mulher a mudar o rumo da sua vida de maneira positiva, já terá valido a pena ter feito esse blog.
Obrigada por escrever e continue se escondendo aqui comigo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Empregadas Canalhas
Daniela Takemura
Olá Daniela... Empregada doméstica? Hummmmmm... Todo mundo tem uma boa história para contar de uma. Se eu tenho? Bem, na verdade eu tenho um anjo da guarda que é praticamente minha secretária particular. Ela lembra dos meus compromissos, dos compromissos do meu filho e ainda inventa sobremesas maneiríssimas. Faz cada salada mirabolante de dar água na boca. Cuida do meu filho como se fosse dela e administra a minha casa com perfeição. É o tipo de pessoa que a gente tem que levantar as mãos para o céu e agradecer virada pra Meca.
Mas nem sempre foi assim. Passei pela mão de poucas e boas. Tive empregada fofoqueira, ladra que afanou o anel que ganhei de formatura dos meus pais, vagabunda que recebia homem na minha casa e com certeza na minha cama, que batia no meu filho, que comia o iogurte junto com ele, que não aparecia para trabalhar, que mentia, etc... etc... etc...
Empregada canalha tem aos montes por aí. Tem aquela que queima com ferro a camisa carérrima de propósito, a que não tira a poeira direito, que espera as teias de aranha ficarem tão grandes a ponto de você pensar que o homem aranha realmente existe, a que quebra todos os copos, a que implica com o cachorro, a que não lava a louça direito, a que come seus produtos lights caríssimos e acha que é normal, a que mexe o suco com a mão, a que come tudo que enxerga na geladeira, a que sabe quanto você tem na carteira e onde está cada coisa perdida dentro da sua bolsa. Tem aquela que leva os pimpolhos dela pra sua casa e eles destroem em um dia tudo que seu filho nunca destruiu em dez anos.
E as psicopatas? Aquelas que não têm nenhum dente na boca e armam um plano secreto para destruir a patroa e se adonar do patrão. Então começam o plano colocando veneno de rato no açúcar, fazendo macumba com a cueca do patrão, porque leu naquelas revistinhas de rodoviária que babalorixá docô dutifudeu disse que fazia o amor da vida dela ser agarrado em uma semana e ela acreditou.
Muitas quebram o pé bem na época que você mais precisa da infeliz. Outras não aparecem e não tão nem aí se você está esperando para ir trabalhar e não tem com quem deixar as crianças. Mas eu desafio vocês a me dizerem que não tem uma única história para contar que envolva alvejante sanitário. Pode ser da famosa marca Q-boa. Q-bom encontrar aquela calça maravilhosa com aquela manchinha toda especial que só a Creusa pode nos proporcionar, não é mesmo?
Mas o prêmio vai para a categoria esconde-esconde. Elas são expert em esconder nossas coisas e utilizam as gavetas como se ali existissem um misterioso “arrumator desintegrator expressor tabajara”. Abrem a gaveta, enfiam tudo ali, fecham a gaveta e tudo estará organizado. Simples assim.
Aquela que liga o aspirador de pó sábado de manhã cedo quando você pode dormir até mais tarde e por mais que você peça para deixar essa tarefa para depois, ela sempre faz do jeito dela. Inclusive esse jeito é o mesmo que não sabe diferenciar as meias do seu filho de dois anos do seu marido de quarenta.
Bom mesmo é o café da manhã acompanhado das notícias quentinhas direto da laje, onde ficamos sabendo que o Robison esfaqueou a Ivonelde porque ela estava transando com dois caras da vila e o amante da Onilva descobriu. E ainda acrescentam um diálogo contando que estão cheias de hematomas porque se “pegaram no pau” no meio da rua com a mulher do ex-marido e que ta com um “raivedo” por todo o corpo. Para fechar com chave de ouro puxam aquele pigarro lá do dedo do pé e engolem enquanto você desiste do café e vai trabalhar em jejum.
Tem aquelas que adoram um velório mesmo se o defunto for desconhecido. Aquela que lamenta até hoje a morte do “Tranquedo” Neves. A que não consegue dizer pizza e sempre fala palavrão sem querer. Que adora uma fofoca e falar “ansim desse jeitu, com uns corte, aburrecida”.
Pior são as fumantes. PQP! As fumantes não dá para aturar. Você chega em casa e ela ta lá cozinhando e fumando um cigarrito véio com um dos olhos fechados mexendo a panela. Mazááááááá Cremilda hein? As que lavam as “cutrina” uma vez por ano. Que usam “alicatre”. E as que fazem lista de supermercado assim:
aseite de olívia
Sebola
Tumati
Beico
As que se apaixonam pelo novo “rome titi” que instalaram na sala. Aquelas que a mãe vive doente com trombose, istroprose, caruncho, berne, gonorréia, sífi, dor no figo, penicite, mas que sempre estão num médico dos bons que receita um antidioti daqueles que melhora até defunto.
Estou sendo maldosa? Talvez. Mas sem deixar de ser realista. Foi a Daniela Takemura que pediu. Eu apenas atendi. E você? Qual foi a coisa mais canalha que sua empregada já fez?
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Ser ou não ser...
Prezado Luis... Assim... Eu não escrevo para agradar as pessoas nem para conseguir seguidores. Escrevo o que penso e expresso a minha opinião. Posso estar equivocada às vezes e estou aberta à críticas e lamentações. Inclusive aceito mudar de opinião caso alguém me prove que estou errada e que as coisas não são bem da maneira que imaginava. Até gosto disso. Gosto de descobrir que estou errada sobre coisas que anteriormente tinha má impressão.
Mas quem não gosta do que escrevo, aconselho a não voltar mesmo, pois podem se machucar com minhas palavras, embora essa não seja a minha intenção. O que não posso me permitir é deixar de expressar o que penso porque alguém em algum lugar poderá se ofender.
Normalmente é isso que acontece né? Nos jornais, revistas e por todos os lados as pessoas são censuradas e castradas mentalmente. Suas reais opiniões são podadas para contentar gregos e troianos e isso perde a graça. Não podem expressar seus sentimentos e indignação com fatos e acontecimentos do cotidiano para não ferir nem agredir ninguém. Em nome da moral e dos bons costumes. Não falar para não se incomodar não é mesmo? É bem mais fácil. Assim todos saberão que você pensa como eles ou até mesmo acharão que você não pensa, como as amebas que apenas se desenvolvem e morrem em algum momento de suas vidas.
A graça está em nos depararmos com uma opinião diferente da nossa para nos fazer refletir sobre nossas opiniões. A questão não é se a opinião de fulano ou ciclano seja a correta, mas se for diferente da minha me fará refletir sobre minha forma de pensar e agir. Só então é possível haver um impacto que resulte em mudanças, senão seríamos todos apáticos e sem opinião própria, uns concordando com os outros como zumbis sem personalidade que não geram discussão e muito menos raciocínio lógico sobre as coisas da vida.
Desculpa Luis, mas eu sou assim quer você goste ou não. A opção é sua de digitar meu link em seu computador. Isso é o máximo que eu poderei fazer por ti, te aconselhar para que desista de entrar aqui. Não me conformo com pessoas que admitem baixar a cabeça abdicando de emitir sua opinião com medo do que os outros vão pensar. Mesmo assim, obrigada por me alertar que pessoas como eu e tu podem existir no mundo e agredir o mundo de alguém.
Ah! E sim, esse é o meu perfil e os leitores que por aqui passeiam e voltam é porque conseguem ter discernimento de que muito embora não concordem comigo, podem colher bons frutos dos meus devaneios. Nem que seja para rir da minha cara e se divertir com isso.