quinta-feira, 7 de maio de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A beleza da vida está na capacidade de

 correr atrás do que nos faz feliz... 

Marina e meu primeiro livro solo - Dois grandes sonhos realizados

sexta-feira, 17 de abril de 2015

De dentro de mim

Considerando que os dois saíram de dentro de mim, todos os pés da foto são meus...


Mudando de fase

É como um jogo de vídeo game em que vamos mudando de fase. Vai ficando cada vez mais difícil. Quando nasceu quase não se mexia e tudo era muito tranquilo de se fazer. Hoje, para limpar um simples nariz corcoveia mais que um cavalo bagual daqueles utilizados em ginetiadas, "sabequalé"?
Na hora do banho ficar deitadinha me olhando e sorrindo é coisa do passado. Pega impulso com os pés e se atira pra trás com uma força tamanha que não sei se aparto a cabeça pra não bater em nada ou se passo o shampoo. Já estou avaliando a possibilidade de usar biquíni e pé de pato para desempenhar tal tarefa.
O que me fez escrever esse texto foi meu olhar de desânimo que em segundos foi substituído por uma gargalhada depois de um belo tapa na colher na hora de tomar as vitaminas... Já faço isso antes do banho depois de descobrir que mancha para todo o sempre se encostar na roupa.
A cada fase vai ficando mais e mais difícil... Papinha atirada por todos os lados. Tomadas com tampa. Coisinhas pequenas representando um grande perigo se estiverem pelo chão. Cada fase cumprida passamos para outra pior. Saímos vitoriosos a cada conquista como se cada dentinho novo fosse uma nova pontuação. Sei que vou sentir saudades... E Talvez essa saudade seja a pior etapa do jogo do "video game" da minha vida.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Recomeço...

Julho de 2014 foi minha última postagem por aqui. De lá pra cá muitas coisas aconteceram, ganhei uma filha, perdi um sobrinho. Aprendi a utilizar a alegria como meio de reagir para seguir vivendo.

Vovô Buca e Gui babando muito
Marina
Aprendi que um bebê pode ser muito mais poderoso do que se imagina. Ele é capaz de levantar uma família inteira num momento de luto. Acho que por mais que saibamos que um dia vamos morrer, nunca estaremos preparados, ainda mais assim, de uma hora pra outra num acidente estúpido.


Marquinhos
A saudade é do tamanho do mundo e a dor inexplicável. Junto a isso vem o medo enorme de perder as pessoas que ficaram. As cenas dos momentos felizes se misturam com os momentos tristes.  Em meio a tudo isso, ficou uma sementinha que descobrimos na missa de sétimo dia. João Marcos nasceu em fevereiro desse ano resgatando um pouquinho da presença do nosso inesquecível  Marquinhos.  


João Marcos
No balanço da vida, posso dizer que tudo que nos acontece vai nos lapidando, vamos sendo temperados com o melhor aço, vai melhorando a nossa maneira de ser e agir, nos fortalecendo. A cada ano que passa vamos sofrendo metamorfose, onde o sofrimento nos melhora como seres humanos.

Perdemos muito tempo preocupados com bobagens, com mágoas inúteis guardadas no peito. Perdemos tempo com inimizades, com antipatias, coisas que não agregam em nada nossa existência. De qualquer forma, o melhor a fazer é manter-se neutra, viajar para o mundo da reciprocidade, ficar perto das pessoas que sabem retribuir o carinho que lhes é dado e distante das que não sabem.  

O que realmente importa? Os momentos felizes com quem amamos. Que saibamos reconhecê-los e valorizá-los em nosso cotidiano.  A frase clichê “A felicidade está nas pequenas coisas” é extremamente verdadeira, mas pra isso é preciso saber enxergar o que realmente tem valor nessa vida. Algumas pessoas só descobrem quando perdem.  Perdem saúde, amores, pessoas.  Se atirarmos nossos problemas numa mesa junto aos problemas dos outros, com certeza acabaremos juntando de volta nossos próprios problemas. Só sei que por mais que algo muito forte se modifique dentro de mim, minha maneira alegre de ser não muda. Sei reagir, sei levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima sempre. Afinal, o que não tem remédio, remediado está. É pra frente que se anda não é mesmo?  Vida que segue!

terça-feira, 15 de julho de 2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O lado B da Gravidez

E hoje foi dia de falar sobre o lado sem poesia da vida de uma grávida.

http://www.cacapavaonline.net/?lk=coluna_exibe&id=38

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tepatia

Daí você está na fila do pão no supermercado e olha pra pessoa toda animada, sorri e dá um oi mais faceira que lambari de sanga quando ela simplesmente não responde e te retribui com a cara mais fechada que perna de freira, com um semblante mais pesado que pastel de batata e mais feio que cair de mão no bolso. Então você olha para o lado e enxerga um monte de cucas. Sua vontade é de conversar com elas e dizer:
- Oi cucas! E aí? Tudo bem com vocês ou vão me ignorar também?

“Má” vem cá hein? “Ma” porque que me adicionou “nos facesbrook” então? Para fuxicar a minha vida, criticar minhas bobagens, colocar defeito nas minhas fotos e alimentar tua inveja, hein “tepatia”? Se não é capaz de sorrir e muito menos de cumprimentar, vai te “afumentar” pra lá. No teu mundinho cinza e deprimente. Gente que não acha graça de nada pra mim não passa de uma mala sem alça que só o que sabe fazer na vida é discutir assuntos sérios e pesados sem relaxar o esfíncter nunca. Minha página é lugar de amigos e pessoas agradáveis, que dão muitas risadas, transmitem alegria, brincam com o cotidiano. Então pra quê ter amizade com gente sem graça? Elas servem pra que afinal?

Daí a pessoa vai para “os facesbrook” e começa a bater boca por causa disso. E aquilo vira uma baixaria de quinta categoria. Todo mundo visualiza e fica apavorado. Daí lá pelas tantas alguém se ofende porque achou que a indireta era pra si, porque sabe que é uma “tepatia” “horrive” por natureza. Daí quando tu vê tá na boca do povo com todo mundo comentando que tudo que te acontece na vida vai parar no “facesbrook”. Não que as pessoas não acompanhem como novela e adoram, mas elas gostam de criticar. Se tiverem concordância, colocam mais lenha na fogueira. Se alguém defender, fazem uma cara de desdém e escolhem outro alvo. Umas até fazem a mesmíssima coisa, mas enchem a boca pra dizer que a Cleuzinéia faz demais. A Cleuzinéia fica postando cada ida na “cadimia” e cada quilo perdido ela posta 56 mensagens de força e superação. Se acorda, dá bom dia, se comeu demais diz que tá passando mal e posta a foto da alface, se saiu pra “cadimia” diz : #partiucadimia. Deixa a criatura! O “facesbrook” é dela e se não quiser ver é só deixar de seguir. Mas não... Tem que ficar falando mal da Cleuzinéia sem parar só para ter assunto nas jantinhas “cazamigas”.  E quanto mais a Cleuzinéia vai afinando e ficando linda, mais mal falada ela fica. E se não tivesse Cleuzinéia hein? Que graça teria a vida? Daí vai ter gente achando que eu to falando sério escrevendo errado e sem parágrafo e to sendo redundante com "os daí"... Esse povo nunca está satisfeito mesmo!

 Não sei de nada... Só sei que vou deletar a pessoa da fila do supermercado. Mas depois. Primeiro vou dar tempo para ela ler a indireta que estou pensando em postar. Sim, sou dessas. Nem tô. Me julguem.


#adorobaterbocaemredesocial #acholindoquemdáindiretasnoface 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

cacapavaonline


Hoje inaugura o novo portal de notícias da cidade onde moro. Uma novidade  no jornalismo caçapavano acostumado com jornal impresso uma vez por semana. 

Sinto-me feliz por fazer parte dessa história participando com uma coluna semanal abordando qualquer assunto. Saindo do esconderijo de vez em quando para ficar online em outra página com muito gosto.

Espero que gostem! ;)


sábado, 26 de abril de 2014

Pra que serve um facebook?

Por diversas vezes pensei em excluir minha página do facebook. Por diversas vezes me arrependi de ter escrito algo que não devia e até discuti questões inúteis com gente que acabou me odiando “ad eternum”, mesmo sabendo que isso repercute significativamente nas rodinhas de conversa por aí. Conquistei a antipatia de alguns e até mesmo a simpatia de quem não fazia ideia de como eu era de verdade, fora do estereótipo que se vê caminhando pela rua. Pois uma coisa é o que se pensa só de ver de longe, outra coisa é conhecer de fato a pessoa através dos diálogos, dos amigos e das preferências. Aliás, através dele  podemos descobrir até mesmo o nível intelectual pela quantidade de erros de português que a pessoa apresenta.

Não importa, facebook é o registro do cotidiano de cada um de nós. E isso é extremamente interessante. Se eu morrer amanhã, por exemplo, meu filho terá ideia de como era a mãe dele no dia-a-dia e como se comportava (ou não) com as pessoas. As mancadas, as fotos de momentos especiais, as indignações de algo que não saiu como o esperado, enfim... Tudo fica registrado nessa ferramenta fantástica do mundo moderno.

Serve também para chatear, quando nossa solicitação de amizade é negada e surpreender quando se aceita alguém que sempre te olhou meio “torto” na rua e no fim demonstra ser teu fã.  Dependendo da lua, aceitamos estranhos que viram amigos ou negamos o convite daquela pessoa que se conhece, mas que não se tem nenhuma amizade. Depois bate certo arrependimento, afinal, qual o problema dela ser mais uma amiga na lista? Lua! Não tem outra explicação.

Então você percebe que um grande percentual nunca entra em contato com você, só está ali para ficar de “butuca” ligada no que você está postando sem se manifestar. Ou não, pois ao mesmo tempo você se dá conta que também não entra na página de ninguém, nem quando estão de aniversário, porque fica só focada na sua. Então tudo bem vai, deixa o pessoal olhar!

Mas nem tudo dá para compartilhar. Há uma lista de amigos e conhecidos e há também os que não têm acesso algum a nossa vida fora da internet. Isso é importante. Quem não é meu amigo, não tem que saber de nada do que eu ando fazendo na vida. Há quem deixe sua página aberta ao público, mas eu acho desnecessário, além de perigoso.  Um prato cheio para quem te quer mal. Acho muito mais interessante deixar as criaturas loucas para saber o que se passa através daquela página vazia só com o meu nome e não ter como acessar. Os meus favoritos são os bloqueados que não devem entender nada quando meus amigos falam comigo e meu diálogo não aparece para eles em lugar algum.  Devem achar que estão loucos.  Tem aqueles que a gente deixa em “Stand By” e fica só cuidando decidindo se vai deletar ou não e um belo dia acorda e pronto! Apaga a criatura da vida para todo o sempre, até que a “saia justa” os coloque frente a frente novamente e te deixe com cara de “tacho”.  

Passei a ver minha página com outros olhos. Não me importo com a quantidade de arrependimentos e questões que se pudesse daria um “ctrl z” para desfazer o erro, isso faz parte. Afinal a vida não vem com manual de instruções. Nós mudamos de opinião constantemente na medida em que as informações vão surgindo em nossas vidas. Tudo é aprendizado. Inclusive olhando os erros dos outros e não só os nossos, aliás, dificilmente conseguimos perceber os nossos.

Não importa se você passou do ponto. Não importa se em algum dia foi a “bola da vez” nas rodinhas de conversa te chamando de chata pelo excesso de postagens do mesmo assunto. Não importa se trocou o status de relacionamento um bilhão de vezes e se esqueceu de apagar as fotos do passado confundindo todo mundo. O que importa é que o registro da sua vida, caso você morra e não possa mais apagar, seja de momentos felizes e plenos, com muito mais alegrias do que tristezas e que deixe muitas saudades a cada vez que alguém for lembrar de você.  Ainda dá tempo, você pode voltar, olhar para trás e decidir se o seu  álbum  e o registro dos seus atos está tornando sua vida algo que realmente vale a pena de ser vivido.  Tudo pode ser consertado. A vida pode e deve ser sempre bem colorida, divertida e feliz.  Sim, descobri que facebook serve pra isso.  Rever a vida, registrar momentos, dar boas risadas e deixar saudades.  

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Fanatismo

Todo fanatismo é burro. Uma ideia baseada em rejeição de qualquer outra ideia que não a da interpretação particular de quem o possui. E o mais estranho é que muitas vezes alguém considerado inteligente pode ficar sem raciocínio lógico algum quando resolve ser fanático. Prova disso é a reação de algumas pessoas diante da política, do futebol e da religião.

É um fervor excessivo, irracional e persistente. Para algumas pessoas, beira o delírio. Uma agressividade exagerada, totalmente desnecessária, um intenso individualismo onde a sua opinião está acima de qualquer coisa e suas ideias são carregadas de preconceitos. Um estreitamento mental impressionante que só demonstra o quanto um fanático pode ser fraco e dependente das suas crenças.

Ser apaixonado por uma ideologia, um time de futebol ou uma religião não significa aceitar o fanatismo. É preciso um equilíbrio de emoções e atitudes. Não podemos sair por aí agredindo as pessoas só porque elas pensam diferente de nós, embora podemos e devemos comemorar e extravasar na alegria quando algo que admiramos obtém um excelente resultado. Infelizmente não é o que se percebe nas redes sociais num final de campeonato por exemplo. As pessoas perdem a linha. São extremamente desagradáveis e infantis. Promovem comentários toscos sem estruturação do pensamento e sem uma conclusão coerente. Ofendem grandes amigos com comparações grosseiras que nada condizem com a realidade. E eu pergunto: Pra quê? De que adianta isso tudo? O que se consegue de positivo com isso?

Nos Estados Unidos, uma seita suicida simplesmente acreditou num maluco com um conceito de um avanço evolucionário e viagens para outros mundos e dimensões e pronto! Foi-se embora o raciocínio pela própria cabeça. Aliás, foi-se embora a cabeça. O treinamento de um terrorista, sobretudo dos homens-bomba é criteriosamente estruturado. A fé é a única convicção de todos eles. Não se trata de luta por território, por liberdade ou dignidade, trata-se apenas de obediência ao líder supremo: Alá. São como ovelhas, aonde um pastor vai gritando na frente e elas de cabeça baixa seguem em direção à mangueira sem sair do trilho das demais.  

É uma adoração cega por algo que acredita ser a tábua de salvação. Um pai que entrega o corpo do filho recém-nascido para uma seita, por acreditar na ideia de algum doente mental com excelente oratória, que o convenceu que assim ele conseguiria ser bem sucedido na vida. No fanatismo, até mesmo alguns ateus conseguem ser fanáticos. Querem combater qualquer ideia associada a uma crença em algo superior que possa transmitir paz a alguma pessoa na face da Terra. Ora, que diferença faz se uns acreditam em Buda, outros em Allan Kardec e outros em Jesus Cristo? Para eles tudo isso é ridículo e deve ser contestado em todas as oportunidades possíveis.

Fanático é chato. Desagradável. Geralmente está cercado por outros chatos fanáticos como ele.  Gente que segue o impulso de uma paixão sem ser coerente, ou seja, fazer o bem sem olhar a quem, desde que pense como eu dentro da minha crença religiosa. Ser educado e manter minha postura profissional, desde que seja do meu time ou do meu partido político.

Aliás, na política a situação é ainda pior, pois por uma sigla, fanáticos defendem uma corja de corruptos como se fossem seus próprios pais, brigam com amigos que questionam o comportamento de um bando de falcatruas e no final das contas o político pelo qual se brigou tanto está apertando a mão do adversário combinando um acerto posterior nojento de benefícios mútuos.

Afinal, o fanatismo serve pra quê? Algo que cega, que perde a linha, que promove discórdias e antipatias. Que não gera uma discussão lógica e coerente de pontos de vista distintos. Que não traz benefício algum.   Demonstrar sua paixão através de ofensas com alguém que pensa diferente é algo totalmente desnecessário e burro.

Profissionais, que deveriam ter certa postura, perdem completamente a linha por serem fanáticos. Amigos acabam discutindo e ofendendo-se gratuitamente sem a menor necessidade. Namoros são impedidos pela diferença de cultos. Fanatismo é nojento. É algo que só demonstra o quanto a pessoa é fraca e pequena pra quem olha de fora. O quanto o ser humano está longe da evolução e prefere viver dentro de um pequeno círculo de opinião para não precisar gastar energia com raciocínio. Digno de pena. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Bonitinho, mas ordinário


Este doce faz parte da minha infância. Chama-se Gelatina Rei Alberto. Um doce que homenageia o Rei da Bélgica, imitando as cores da bandeira de seu país quando o mesmo veio visitar o Brasil em 1920. Minha bisavó Maurília Miranda sempre nos presenteava com algumas taças quando fazia. Era uma de suas especialidades, além do seu delicioso bolinho de batata. 


Sempre lembro dela com carinho quando falam nesta sobremesa. Hoje descobri porque ela é tão especial para o meu pai. Porque é algo raro de ser feito. Requer paciência e dedicação. Você começa a fazer num dia e tem que terminar no outro, ou seja, começa a fazer quando está com vontade de cozinhar e termina podre de nojo de ter inventado tanta baderna na cozinha. 

Não sei se foi o azar de ter a infeliz ideia de fazer isso quando a pessoa que trabalha comigo pediu folga ou se o doce é chato de fazer mesmo. Após 30 anos resolvi experimentar a receita da bisa que estava anotada com a marcação de um coraçãozinho no meu livro de receitas da família. Ju-ro para vocês que talvez repita tal façanha com esse mesmo intervalo de tempo. 

Tudo começa com você animada na cozinha com todos os ingredientes disponíveis preparando a gelatina e cortando os pedacinhos de abacaxi. Coloca em taças de martini numa tentativa nostálgica de imitar sua bisavó. Então você se dá conta que essa primeira etapa terá que esperar a gelatina ficar pronta para receber as demais camadas, desanima e guarda os ingredientes para o outro dia. 

Só que no outro dia você está em outra “vibe” e não está mais com vontade de cozinhar. Mas o seu doce está incompleto e você lembra que seu filho deve provar a receita da tataravó para pelo menos saber que gosto teve a sua infância. Vira um motivo totalmente emocional, uma questão de valor familiar, algo totalmente pessoal.

Você sai do seu quarto que está extremamente agradável com o ar condicionado ligado e encara a cozinha num calorão desgraçado. Lá pelas tantas você começa a sentir uma pequena irritação com o suor que insiste em escorrer bem no meio das suas costas. Mas segue firme e forte. Precisa concluir o que começou. Então deve fazer uma calda maldita que leva quase meia hora para ficar no ponto do maldito fio para só então colocar as 10 gemas coadas que depois de pronto você se pergunta como foi que aquilo tudo ficou em tão pouca quantidade. Pra completar, por questão de segundos o que era para ser ovos moles acaba virando fios de ovos e você ali sem saber o que fazer para controlar aquela situação. E o fogão? O que é aquilo? Fica com calda pra tudo que é lado que começa a saltitar lá pelas tantas. Uma trabalheira dos infernos mexendo aquilo tudo para no final não render quase nada. 

Tudo bem, você precisa fazer o merengue e isso é barbadinha. A gente faz uma sujeira enorme com meia dúzia de coisinhas e tá tudo certo. Mesmo odiando ameixa, você precisa seguir a receita para lembrar com fidelidade do sabor da infância, senão não fica genuíno. Você “recozinha” aquela ameixa nojenta depois de espremê-la bem e fazer mais uma anarquia básica na sua pia. 

Então, hora de montar as taças. Você retira tudo da geladeira e começa a montar as camadas delicadamente como se fosse uma preciosa obra de arte. O momento é tão especial que é necessário registrar numa fotografia, pois talvez você nunca mais repita tal façanha. Pega o telefone e liga para o seu pai visitá-la para ter a surpresa de comer o tão adorado doce da “Vó Maurília” mais uma vez . Algo raro, que talvez nunca mais aconteça. Ao olhar para a cozinha, percebe que um furacão passou por ali, o doce aparentemente não tem nada demais e o gosto nem é tão bom assim como era o da sua bisavó. 


Me senti tosando um porco. Muita gritaria para pouca lã. Olhando para ele é tão bonito né? Parece tão simples. Mas sinceramente, eu trocaria o nome desse doce maldito de “Gelatina Rei Alberto” para “Bonitinho, mas ordinário”. Só de raiva vou comer tudo agora e acabar com esse maldito de uma vez.
 — se sentindo incomodada.

terça-feira, 25 de março de 2014

Divórcio

Como alguém pode opinar sobre algo que não viveu? Falar sobre os motivos de uma separação baseado em suposições é realmente muito fácil, mas isso é algo que pertence apenas a quem viveu na pele essa experiência. 

As pessoas se divorciam pelos mais diferentes motivos, incompatibilidade de gênio, traição, falta de amor, de atenção, distância, etc. Eu pergunto: Baseado em quê alguém fala que fulana não deveria ter feito isso ou aquilo ou fulano é isso ou aquilo porque fez o que não deveria ter feito dentro de um casamento falido?

A frase do padre dizendo: Amando-te e respeitando-te até que a morte nos separe deveria ser trocada para: Amando-te e respeitando-te enquanto estivermos felizes, pois só assim conseguirão fazer outras pessoas a sua volta felizes também, inclusive seus filhos.

Vejo casais lindos com históricos de traição “fulltime”, lindas fotos de porta-retrato e “adornos” enormes em suas cabeças ou casos de pessoas que nunca souberam o que é amar de verdade, sentir borboletas no estômago, sentir um prazer enorme de fazer qualquer coisa ao lado do companheiro e realmente amá-lo e respeitá-lo todos os dias da vida sem precisar fazer nenhuma força pra isso, que são os primeiros a criticar os divorciados corajosos que já não respiravam mais dentro de uma relação infeliz e um belo dia decidiram trocar uma vida chata por duas divertidas.

Não que o processo seja fácil. Não é. Nem um pouco. Mas é necessário. Para chegar à fase divertida é preciso sofrer, é preciso abrir mão de bens materiais e se dispor a começar tudo de novo, é preciso saber encerrar ciclos e recomeçar, é preciso ter amor-próprio, independência financeira, independência emocional, determinação, força, coragem e principalmente paciência com quem não consegue entender o que é isso.

Ninguém é culpado por não entender as razões que levam um casal a se separar. Mas vocês podem ter certeza que quando isso ocorre, não foi da noite para o dia não, não foi leviano, não foi precipitado como muitas pessoas acham fácil sair por aí falando. Foi algo muito sofrido, muito bem pensado, noites em claro, meses ou quem sabe até anos decidindo o que seria melhor para todos quando a admiração não existe mais. O amor precisa admirar, senão não sobrevive.

Por incrível que possa parecer, é muito mais fácil viver numa vidinha medíocre sem amor, abaixo da linha do morno e jamais ter que enfrentar um processo de separação. Ainda mais quando se tem filhos. Mesmo que isso dure uma vida inteira. Só que a meu ver, a minha vida inteira é curta e eu preciso me sentir muito bem enquanto vivo ao lado de quem eu realmente amo e me faz feliz.

Eu já vivi isso há alguns anos atrás e posso falar com propriedade, eu honestamente admiro muito quem decide escolher a sensação de felicidade no peito ao invés de se preocupar em fazer bonito para os outros que nada sabem do que se passa entre quatro paredes e, portanto nada tem a ver com nossas vidas e não podem opinar sobre isso.

Dizer que o certo é papai, mamãe e filhinho juntos e o resto é anormal é um absurdo aos meus ouvidos que não se conformam em aceitar uma afirmação dessas, porque simplesmente acredito nas coisas que eu vejo, que eu sinto e que eu vivo na pele. Meu filho hoje é muito mais feliz vendo os pais felizes seguindo suas vidas. Pra mim o certo é ser feliz. Nada que fuja disso me parece ser normal.

Posso afirmar que no fim tudo vale à pena, pois depois de um tempo a gente percebe o quanto todo mundo fica melhor quando existe amor. Não existem perdedores quando se aceita o fluxo dos acontecimentos. Perdedor pra mim é quem não aceita que a vida precisa ser abastecida de amor, todos os dias e não só na data do ritual do casamento diante do padre. Para mim casamento não é sentença de morte, é um compromisso com a felicidade. Tanto que me casei de novo.

Que seja eterno enquanto dure, já dizia o poeta. Que todos permitam que a felicidade entre realmente em seu coração e que ele seja ocupado por sentimentos e não dinheiro e bens materiais.

Regras, conveniências, aceitar traições ou fingir não saber delas, vida de faz de conta para fazer bonito para os outros, preocupações com casa, carro ou menos dinheiro no banco. Ora, faça-me o favor. Eu quero é viver e aproveitar todos os dias da minha vida ao lado de quem realmente me faz feliz. Mas sabe como é, é mais fácil falar dos outros do que encarar a própria vida de frente e perceber suas próprias falhas e feridas. Dói bem menos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Retorno

Quase nove meses se passaram e eu consegui bravamente me afastar do mundo virtual para a vida real. Nesse período reavaliei a vida, como sempre faço, só que sem dividí-la com a internet.

Foi então que passeando por alguns blogs que adoro, percebi que minha essência está na escrita e que preciso disso para viver.

Por onde quer que eu vá me perguntam quando retornarei ao esconderijo e manifestações de carinho surgem dos mais variados lugares. Não sabia que minha escrita influenciava tanto na vida das pessoas. Não sabia da importância das minhas palavras. Não fazia idéia do quanto minhas atitudes poderiam inspirar outras pessoas a ter coragem de escolher seu próprio caminho. Fiz rodeio, relutei, cheguei a ensaiar algumas frases e acabava sempre apertando o botão delete. Até que li no Roccana o seguinte:

“Fui nadando contra a corrente, me escondendo num cantinho cada vez mais úmido e escuro e quando eu vi, era só mofo o que saía dali. Eu não sei ser outra que não eu, exposta, aberta, verdadeira, com rompantes de alegria ou tristeza, humor lunar, ataques de “sincerona”. Acho fundamental registrar alguns pensamentos, escrever e ler depois sobre o que estava sentindo naquele dia, refletir, digerir, pensar, dividir um pouco do que tenho e sei com outras pessoas, aprender, trocar idéias, experiências, receitas secretas de bolo. Por isso decidi manter um blog vivo."

Com isso queridos leitores, eis que aqui estou de volta para falar sobre a vida sem medo, mas com a certeza de que estamos mudando a cada dia para melhor e aprendendo muito com nossos erros e acertos.

Sempre me permiti seguir meu coração, por esse motivo estou de volta pra vocês e morrendo de saudades. Não se assustem com a Renata que hoje olhou pra mim no espelho e que graças à Deus nada tem a ver com a Renata de alguns meses atrás. Sinto que consegui subir alguns degraus num grau de evolução e amadurecimento.

Consigo olhar pra trás e ver o quanto fui imatura, impaciente, impulsiva, ingênua e equivocada  em algumas escolhas. O quanto foi importante ter tido a coragem de sacudir a minha vida para me conhecer de verdade e perceber que um dia me  importei  com o que não tem valor algum. Descobrir a minha força, coragem e independência. Descobrir que podemos ousar, brincar e se desapegar de velhos paradigmas que muitas vezes paralisam. Não que hoje eu seja exemplo de maturidade, mas com certeza amadureci alguns anos em poucos meses e estou com um olhar muito diferente sobre tudo.

Acho que a vida é isso. Reinventar-se todos os dias jogando no lixo o que não importa mais e renovando o estoque do que realmente nos faz feliz.


* Republicação de um texto muito apropriado para o momento

Atendendo à pedidos

Cheguei por aqui, vi que estava tudo muito quieto, resolvi fazer uma massagem cardíaca, uma respiração boca a boca e depois uma sequência de choques elétricos...

Muitos meses sem postar,  muita coisa pra contar e ao mesmo tempo muita vida a preservar...

É meus caros, a gente muda. Graças à Deus!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O que te move?

Nossa vida é uma sequencia de ciclos.  Fases específicas que de alguma forma nos impulsiona para frente, para uma próxima fase, para uma nova experiência na vida. Mas o que te faz progredir, sair de um ponto para outro com sucesso, de modo que gere uma satisfação e uma sensação de dever cumprido?

Para responder essa pergunta, temos que levar em consideração que cada pessoa tem um objetivo na vida e o que para muitos seria um pesadelo, como ter vários filhos e uma família feliz, por exemplo, para outros é plenitude.  Há também casos onde uma pessoa pode querer muito ter filhos e uma família feliz, mas nunca encontrou a pessoa certa para fazer isso e, portanto focou em novos objetivos, movida por outros sonhos que se tornaram possíveis no decorrer de sua vida.

 Isso nos faz pensar que para que haja felicidade é necessário focar em si mesmo e esquecer os objetivos dos outros. Mesmo porque as oportunidades que a vida proporciona são diferentes para cada pessoa que existe no mundo. Além disso, cada indivíduo tem uma percepção diferente das coisas e o que pode parecer loucura para uns, como viajar o mundo todo com uma mochila nas costas, para outros é um sonho de consumo. Não importa. O que importa é olhar pra si e perceber o que te move através da sua percepção das coisas e do quanto cada escolha pode impactar na sensação de realização pessoal.

Somos movidos pelo amor, onde fazemos planos, trocamos de cidade, de maneira de pentear o cabelo, muitas vezes até de agir. Somos movidos pelos desafios, pelo novo, pelas escolhas, pela busca constante de felicidade. Somos movidos pela paixão, pela sensação de paz que aquieta o coração e orienta os pensamentos, de modo que nossas atitudes sejam modificadas a cada dia. Somos movidos pela necessidade muitas vezes, que nos coloca em situações de risco para que a saída da inércia seja forçada. Há quem seja movido pelo ódio, pela vingança, pela inveja e amargura.

Na correria do dia-a-dia muitas vezes não paramos para pensar à longo prazo e no quanto as atitudes de agora refletirão lá na frente de maneira significativa em nossas vidas. É como aquele médico que recrimina seu paciente para que faça exercícios e tenha uma alimentação saudável e mesmo sabendo disso ele espera um infarto do miocárdio para tomar a atitude que já deveria ter tomado há muito tempo.

É importante que se reflita sobre isso, sem ficar preso a velhas crenças e atitudes, pois tudo na vida é um ciclo. Temos que aceitar que são vários e que terminam. Não podemos ficar presos querendo manter algo que já acabou. É inútil e só gera sofrimentos. Temos que nos permitir iniciar um novo, com uma nova visão, aprendendo com os erros e acertos do ciclo que findou para que possamos chegar ao final da vida satisfeitos com nosso percurso, cheios de boas histórias pra contar e principalmente, que possamos olhar pra trás e ver que o que mais nos motivou em relação às pessoas, trabalho e objetivos de vida foi a palavra AMOR. Como diria Pablo Neruda: “Se nada nos salva da morte, que pelo menos o amor nos salve da vida”.